Negociações são retomadas na PIG

Mais de 23 horas depois do início do motim na Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG), presos rebelados e autoridades vinculadas à pasta da segurança pública do estado continuam em negociação, sem perspectiva de um acordo que possa pôr fim à revolta. Pelo menos 40 presos comandam a rebelião, que mantém como reféns 12 agentes penitenciários, além de um número indefinido de detentos que cumprem pena por crimes sexuais.

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), a única reivindicação dos detentos feita até agora foram pedidos de transferência para outras unidades prisionais do Paraná. A solicitação foi repassada diretamente à Polícia Militar – que atua nas negociações – e, por isso, ainda não há detalhes sobre a exigência.

Mais cedo, o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) informou que os detentos haviam entregue à PM uma carta com parte das reivindicações, o que não havia sido confirmado até às 10h30.

O motim toma conta de toda a penitenciária, que tem cinco galerias. No local, estão dez presos que participaram da rebelião na Penitenciária Estadual de Cascavel, no fim de agosto, que terminou com cinco mortos. Porém, tanto o Departamento de Execuções Penais (Depen) quanto a Seju não souberam informar se alguns dos amotinados são os mesmos de Cascavel. Segundo a secretaria, os presos estão com os rostos cobertos e isso dificulta sua identificação.

Como na segunda-feira, os rebelados continuam em cima do telhado do prédio. Eles realizam uma espécie de “rodízio” entre os agentes reféns, e cada um deles é mantido amarrado por um determinado tempo ao para-raios da unidade. Até às 10h40, houve pelo menos três trocas.

Um helicóptero da polícia que sobrevoou a unidade por cerca de cinco minutos no meio da manhã deixou os detentos agitados. Ameaças de morte são constantes a qualquer movimentação da polícia. Familiares dos presos estão concentrados em frente à penitenciária, aonde entraram, por volta das 10h30, viaturas do Batalhão de Choque da PM.

Reféns

A informação inicial era de que 12 agentes foram feitos reféns pelos rebelados. Nesta terça, o Sindarspen informou que, na verdade, são 13 trabalhadores na mira dos detentos. Um deles foi queimado com cola quente pelo grupo, e liberado para receber socorro, o que faz com que 12 agentes continuem envolvidos no motim.

Nesta manhã, o agente queimado voltou à unidade, temendo pela vida dos companheiros. Ele acompanha a situação do lado de fora da PIG e não quis falar com a imprensa, por estar muito abalado;

Além dos trabalhadores, presos condenados por crimes sexuais também foram feitos reféns. O Sindarspen informou que aproximadamente 50 homens cumprem pena por este tipo de crime no local, mas não se sabe se todos foram pegos pelos rebelados.

Primeiro dia da revolta

Agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da PM, iniciaram as negociações por volta das 17 horas desta segunda-feira. Durante as conversas, treze reféns foram jogados do telhado da unidade de mãos amarradas. Todos sofreram apenas ferimentos leves e passam bem, conforme a Seju.

Os rebelados mantiveram, durante praticamente toda a tarde, os detentos que cumprem pena por crimes sexuais amarrados, e seminus, no telhado da penitenciária. No topo do prédio eles também hastearam as bandeiras do Paraná e do Brasil e uma faixa com os dizeres “Pedimos força dos irmãos”.

Também no primeiro dia de rebelião uma grande quantidade de fumaça pôde ser observada saindo da PIG. Nesta terça, o Sindarspen disse que a fábrica da unidade foi queimada. No espaço eram produzidas botinas e luvas para uso de proteção individual. A parede da parte de trás do recinto onde ficava a fábrica chegou a rachar. A Seju confirmou o fato, mas disse que o incêndio atingiu apenas uma dos dois canteiros de trabalho existentes na unidade.

A PM já identificou tesouras, pedaços de madeira e outros artefatos improvisados, que estão sendo utilizados como armas pelos presos rebelados.

Capacidade

Segundo o Mapa Carcerário da Seju, a PIG abriga 239 presos e é considerada uma unidade modelo, onde os detentos podem estudar e trabalhar no local. Ainda de acordo com a Seju, cerca de 40 presos comandam a rebelião e o motim começou quando eles se deslocavam para o canteiro de trabalho, dentro da própria unidade, na manhã desta segunda, e aproveitaram a oportunidade para render os agentes.

Veja as fotos do primeiro dia de rebelião na fan page do Jornal Extra:

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