Guarapuava mantém três cadeiras na Assembleia e continua à espera de um deputado federal
Artagão Júnior, Cesar Silvestri Filho e Dr. Antenor foram eleitos para a Alep
Guarapuava sai das eleições de 2026 com três representantes diretamente ligados ao município na Assembleia Legislativa do Paraná, mas sem conseguir eleger como titular um deputado federal. O resultado das urnas neste domingo (4) redesenha os nomes da representação política local, mas não altera, em números, o tamanho da bancada guarapuavana no Legislativo estadual.
Artagão Júnior (PSD), Cesar Silvestri Filho (PP) e Dr. Antenor (PT) conquistaram cadeiras na Assembleia. Na disputa federal, Rodrigo Estacho (Podemos) terminou como primeiro suplente de sua legenda e ainda pode chegar à Câmara dos Deputados caso se confirme a possibilidade de Felipe Francischini integrar o secretariado do futuro governo de Sergio Moro.
O cenário produz uma leitura menos simples do que apenas classificar a eleição como vitória ou derrota política para Guarapuava. De um lado, o município manteve três cadeiras na Assembleia e terá representantes de campos políticos diferentes. De outro, continua sem eleger diretamente um deputado federal como titular, uma dificuldade que acompanha a cidade há mais de uma década.
Antes da votação, Guarapuava chegou às urnas com aproximadamente 133,7 mil eleitores e como o nono maior colégio eleitoral do Paraná. O município ainda colocou na disputa diversos nomes ligados diretamente à cidade, tanto para deputado estadual quanto federal.
Entre os candidatos a deputado estadual, Cesar Silvestri Filho teve desempenho expressivo dentro do município. O ex-prefeito recebeu 31.982 votos apenas em Guarapuava, correspondentes a pouco mais de 33% dos votos válidos para o cargo na cidade. Dr. Antenor apareceu na segunda posição, com 17.474 votos, ou cerca de 18%. Artagão Júnior recebeu 9.993 votos no município, aproximadamente 10,3% dos válidos. Os três, entretanto, dependiam do resultado em todo o Paraná e do desempenho das respectivas legendas para conquistar as cadeiras. No resultado estadual, Artagão somou mais de 63 mil votos, Cesar chegou próximo dos 50 mil e Dr. Antenor ultrapassou a marca de 30 mil, garantindo os três nomes ligados à cidade na próxima composição da Assembleia.
Politicamente, a configuração também chama atenção pela diversidade. PSD, PP e PT ocuparão as três cadeiras relacionadas a Guarapuava. Isso coloca a cidade com interlocutores em diferentes campos partidários e pode ampliar os caminhos para negociação de recursos e projetos junto ao futuro governo estadual e à própria Assembleia. Mas representação formal não significa, automaticamente, maior influência. O próximo passo será medir a capacidade dos três parlamentares de converter os mandatos em articulação política, emendas, obras e participação de Guarapuava nas decisões estaduais.
A eleição também marca uma mudança dentro do grupo que representava a cidade. Cristina Silvestri deixou a disputa estadual para concorrer à Câmara dos Deputados, abrindo espaço para Cesar Silvestri Filho tentar retornar ao Legislativo. Ele já exerceu mandato parlamentar anteriormente e também comandou a Prefeitura de Guarapuava. Cristina, por sua vez, teve ampla vantagem dentro da cidade na disputa federal. Foram 23.683 votos em Guarapuava, aproximadamente 24,5% dos votos válidos para deputado federal no município. Mesmo assim, a votação estadual e as regras do sistema proporcional não foram suficientes para garantir uma vaga.
Rodrigo Estacho apareceu na sequência entre os federais mais votados pelos guarapuavanos, com 6.579 votos no município. Professora Terezinha ficou em terceiro, com 5.357. O dado mostra uma das características das eleições proporcionais: ser o candidato mais votado dentro de uma cidade não significa necessariamente conquistar uma cadeira. Para deputados, entram no cálculo os votos obtidos pelo partido ou federação, o desempenho estadual das candidaturas e a distribuição das vagas.
A possibilidade de Guarapuava recuperar representação federal permanece aberta. Rodrigo Estacho ficou como primeiro suplente do Podemos. A eventual ida de Felipe Francischini, eleito pela legenda, para uma secretaria no próximo governo estadual abriria a vaga para o guarapuavano. A movimentação, no entanto, depende de uma decisão política posterior à eleição. Até que ela ocorra, Guarapuava continua sem um deputado federal eleito diretamente como titular.

