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A humanidade caminha para a extinção

No último dia 13 a terra esgotou todos os recursos que tinha para 2015. Isso significa que desde este dia estamos consumindo aquela reserva que estava guardada para nos manter sobre o planeta.

Este é o alerta dado pelo teólogo Leonardo Boff, que participou do Epea (Encontro Paranaense de Educação Ambiental). “Fizemos uma guerra contra a Mãe Terra, atacando por todos os lados, mas não temos como ganhar essa batalha, pois a terra pode viver sem nós, mesmo coberta de cadáveres”, afirma.

Boff atribui a atual situação ao descaso dos governos com a ecologia, mas alerta que em breve a economia será baseada na ecologia, ou seja, quem tiver mais recursos como água, comida e energia, será potência. E o Brasil é o chamado G zero, pois é o país com maior quantidade de água doce – 13% – e possui 60 milhões de hectares de terras férteis, além do clima favorável.

Mesmo assim não há consciência sobre a situação do planeta, nem dos governos nem da população, a não ser em grupos acadêmicos. Assim, as discussões não saem de dentro da academia.

Para Boff, somente uma grande catástrofe ecológica pode despertar a consciência na humanidade. E estudos mostram que se não cuidarmos, em cerca de 15 anos conheceremos o chamado ‘aquecimento abrupto’, que é o aumento drástico da temperatura terrestre. Assim, a vida estaria em xeque e a tecnologia conseguiria salvar uns poucos.

A vida pós apocalipse

Se um desastre deste nível chegar a acontecer será como uma nova extinção em massa. Os recursos biológicos que usamos para sobreviver – água, plantas, animais – seriam provavelmente varridos da face da terra e duraríamos algum tempo com a tecnologia que conseguirmos acumular.

Assim, a primeira reação seria a governança global, já que os problemas são globais, bem como a comunicação e em breve a humanidade será uma só nação. As evidências são bastante óbvias para a comunidade científica, mas não parecem ficar claras para os leigos.

 

Seca?

O teólogo falou ainda sobre a seca em São Paulo e Rio de Janeiro, explicando que o desmatamento da Amazônia – resumindo – acabou secando o serrado, que é a “caixa d’água” brasileira e por isso quase todos os rios brasileiros estão secando.

Ou seja, ainda somos uma potência mundial em água potável, com o Aquífero Guarani e tudo mais, o problema é a irresponsabilidade em todas as esferas da sociedade, que não sabem administrar os recursos.

E a ideia vem desde Galileu: “devemos torturar a natureza como um torturador o faz com sua vítima, até entregar todos seus segredos, e nós o fizemos”, exclama Boff.

 

Hereditário

Estima-se que o ser humano conseguiu ocupar 83% do planeta, isto por que os outros 17% são inabitáveis. Com toda esta extensão, são pouco mais de 700 pessoas que controlam 84% de todo o fluxo monetário do planeta. Suprema riqueza, ao lado de extrema pobreza.

O teólogo defende a vida como levada por algumas tribos indígenas: uma comunidade. Mas não o que temos hoje. Boff se inspira em tribos que sequer tinham palavras definidas para pobre ou rico. Estas mesmas tribos consideram a terra como extensão de seus corpos, algo sagrado e que deve ser respeitado.

“Devemos buscar os povos originários para encontrar o conhecimento necessário para conviver em harmonia com a natureza. Porém o ser humano não aprende nada da história, mas aprende tudo do sofrimento”, alerta Boff para a possibilidade de ser muito tarde para acordar.