Esporte  

Uma raquete pode mudar a vida

Há quinze anos, quando o professor de Educação Física e de tênis Agnaldo Silva chegou a Guarapuava procedente de Londrina, ele tinha um sonho: iniciar um projeto social para incluir a garotada menos favorecida em atividades voltadas para o tênis, atividade em que ele esteve envolvido desde muito jovem.

De família humilde, ele conta que ao dar aulas de tênis na sede campestre do Guaíra Country Club (que fica junto ao bairro Concórdia) via, sobre os muros, dezenas de rostos interessados no que acontecia do lado de dentro. “Sempre quis desenvolver um projeto social e conto com o apoio do clube, que me cede o espaço em determinados horários, e do empresário Milton Meireles, um dos que acredita no que fazemos”, diz Agnaldo, que agora prepara uma turma de 12 garotos e garotas para jogar no Mato Grosso do Sul.

O projeto “Tô no Tênis” é aberto a quem quiser participar. Dá atenção e ensina a jogar, atualmente, um grupo de 70 meninos e meninas de idades que variam de 4 a 17 anos que, de outra forma, estariam à mercê de fazer nada e suas conseqüências. No projeto, além de orientação, recebem lanche, o equipamento para jogar e têm além de um monitor e dois auxiliares, ainda uma cozinheira à disposição. Esse é o apoio da Secretaria de Ação Social, que viabiliza o projeto.

Os resultados desse trabalho já apareceram e ele continua dando frutos. Pelo menos um dos auxiliares (são o Antonio Dallavechia e o Jeferson Nunes) é oriundo do projeto e agora está devolvendo o que aprendeu. Formou-se em Educação Física para dar continuidade ao trabalho.

Tudo indica, inclusive, que o sonho de Agnaldo não vai sofrer continuidade.  Dois dos atuais alunos, o Mateus (15 anos) e a Larissa (16), os dois há cinco anos no projeto – demonstram nítida intenção de perseguir o mesmo objetivo. Mateus, por exemplo, reconhece que não fosse o projeto “estaria pela rua”, mas ali recebe atenção e quer, como a Larissa, estudar Educação Física para “dar aula” a novos grupos. Ele terá tempo para se preparar. Ainda é cedo.

Larissa também. Está muito interessada em trabalhar para o projeto. Já ganhou uma bolsa de estudos no Colégio Guairacá e agora só tem compromisso com treinar tênis e tirar boas notas. Coisa que ela – sem trocadilho – parece “tirar de letra”.

Quem se destaca acaba “dormindo com a raquete”. É selecionado e começa a participar de jogos, torneios. Foi o que aconteceu no final de semana passado quando um grupo de 12 garotos (as) foram a Chapadão do Sul, no Mato Grosso, para o “Circuito Nacional Pró Tênis”, que acontece pela primeira vez e que reúne equipes de projetos semelhantes de várias partes do Brasil.