Após temporal, Guarapuava volta a ficar em alerta para chuva forte
Cerca de 800 pessoas foram atendidas após chuva com granizo e ventos fortes na segunda-feira (28). Simepar prevê mais chuva e rajadas de até 68 km/h nesta terça-feira (29)
O temporal que atingiu Guarapuava na segunda-feira (28) provocou alagamentos, destelhamentos e danos em diferentes regiões da cidade. Segundo balanço divulgado pela Defesa Civil municipal, cerca de 800 pessoas receberam atendimento após a chuva, que veio acompanhada de granizo e fortes rajadas de vento. Vinte moradores ficaram desalojados. Entre os espaços públicos atingidos esteve a UBS Recanto Feliz, onde a entrada de água provocou a suspensão temporária dos atendimentos.
A situação exige atenção também nesta terça-feira (29). De acordo com a previsão do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, o Simepar, Guarapuava tem 98% de probabilidade de chuva ao longo do dia, com volume previsto de aproximadamente 16,3 milímetros e rajadas que podem chegar a 68 quilômetros por hora. Para quarta-feira (30), a possibilidade de chuva também é de 98%, com acumulado previsto de 28,2 milímetros e ventos de até 65 quilômetros por hora.
Apesar da intensidade do temporal desta segunda-feira, os problemas provocados pelo acúmulo de água não são novidade em Guarapuava. Registros dos últimos anos e documentos públicos mostram ocorrências recorrentes em diferentes pontos do município e indicam que algumas regiões enfrentam dificuldades históricas relacionadas à drenagem urbana. Em setembro deste ano, por exemplo, a Câmara Municipal analisou requerimentos relacionados a problemas de drenagem nos bairros Alto Cascavel, Concórdia, Vila Carli e Morro Alto. Os documentos tratam de regiões onde moradores convivem com alagamentos durante períodos de chuva intensa e cobram intervenções do poder público.
Outra área que recebe atenção é a região do Rio Cascavelzinho. Em julho, a Prefeitura iniciou trabalhos de desassoreamento em um trecho entre o Jardim das Américas e a Vila Bela, área onde moradores relatam episódios de alagamento há anos. As intervenções incluem a retirada de vegetação, sedimentos, lodo e resíduos acumulados no leito do rio, com o objetivo de melhorar a capacidade de vazão da água.
Na Vila Concórdia, o problema também motivou investimento específico. Em junho, a Câmara de Guarapuava aprovou a destinação de R$ 4 milhões para obras de drenagem urbana na região. O projeto inclui a canalização do Córrego Concórdia, além de serviços de desassoreamento e outras melhorias de infraestrutura voltadas à redução dos alagamentos recorrentes.
Além das obras pontuais, o município informou nos últimos meses que vinha realizando ações preventivas, como limpeza de galerias pluviais, manutenção de rios e córregos e acompanhamento de regiões consideradas mais vulneráveis. No fim de julho, após um episódio de aproximadamente 39 milímetros de chuva e ventos de até 60 quilômetros por hora, a administração municipal informou que áreas historicamente sujeitas a alagamentos não haviam registrado ocorrências naquele momento e relacionou o resultado às intervenções preventivas realizadas anteriormente.
Em junho, outro período de instabilidade havia acumulado cerca de 78 milímetros de chuva entre a tarde de sábado e a manhã de segunda-feira. Na ocasião, equipes municipais atuaram em 18 pontos da cidade devido a ocorrências como alagamentos e destelhamentos. O temporal desta semana, no entanto, volta a colocar a capacidade de drenagem urbana de Guarapuava em evidência. Entre as regiões que aparecem em documentos públicos relacionados a problemas de drenagem estão Morro Alto, Vila Carli, Alto Cascavel e Vila Concórdia, além da área próxima ao Rio Cascavelzinho, entre Jardim das Américas e Vila Bela.
Há também registros e relatos de episódios de acúmulo de água em vias como a Avenida Manoel Ribas e a Rua Bernardo Bochnia. Até o momento, porém, não foi localizada uma base pública municipal atualizada que classifique oficialmente essas duas vias como pontos críticos permanentes de alagamento. A instabilidade registrada em Guarapuava está associada a uma mudança nas condições meteorológicas em boa parte do Sul do país. O Simepar já havia indicado a chegada de uma frente fria ao Paraná nesta semana, com possibilidade de tempestades, chuva intensa, descargas elétricas, rajadas de vento e ocorrência de granizo em algumas regiões.
A formação de um ciclone extratropical entre o Uruguai, o Rio Grande do Sul e o Oceano Atlântico também contribui para a organização de uma frente fria e para o aumento da instabilidade sobre o Centro-Sul do Brasil. Isso não significa que Guarapuava esteja sendo diretamente atingida por um ciclone, mas o sistema influencia as condições atmosféricas e favorece episódios de chuva forte e vento no Paraná. Com o solo já bastante úmido depois do temporal de segunda-feira e a previsão de novas chuvas, a atenção permanece principalmente em áreas próximas a cursos d’água e em regiões onde há histórico de rápido acúmulo de água.
Documentos públicos mostram investimentos e ações em diferentes regiões, mas ainda não há, entre os dados consultados, uma lista municipal pública e consolidada que apresente todos os pontos urbanos considerados críticos, o número de ocorrências registradas em cada local e a situação atual das obras de drenagem. Essas informações permitiriam comparar o temporal desta semana com episódios anteriores e avaliar se as intervenções realizadas nos últimos anos estão conseguindo reduzir a frequência e a intensidade dos alagamentos em Guarapuava.

