Excesso de chuva reduz produtividade da cebola em 18,3% na região de Guarapuava
Previsão do Simepar indica volumes elevados em novembro no Centro-Sul do Paraná; região concentra cerca de 44% da produção estadual estimada de cebola
A previsão de chuvas acima da média histórica para novembro no Paraná mantém a atenção sobre a produção agrícola na região de Guarapuava. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o Centro-Sul está entre as regiões com tendência de registrar os maiores volumes de precipitação em relação à média climatológica durante o mês.
O cenário merece atenção especialmente para os produtores de cebola, cultura que já apresentou produtividade abaixo da expectativa nas primeiras áreas colhidas da regional. Conforme levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado em 29 de outubro, o rendimento registrado foi de 47 toneladas por hectare, 18,3% inferior às 57,5 toneladas inicialmente esperadas.
A previsão do Simepar foi divulgada em 3 de novembro e considera a influência do fenômeno El Niño, que favorece condições atmosféricas mais propícias à ocorrência de chuvas na Região Sul. Segundo o órgão, as precipitações devem ocorrer de maneira irregular, intercalando períodos de tempo estável com episódios de chuva mais expressiva.
Chuvas já registradas na região
Dados divulgados na manhã de hoje (6) também apontam volumes significativos de precipitação na região. O Núcleo Regional de Guarapuava registrou 39 milímetros de chuva no dia 5 de novembro.
Para o período entre 6 e 10 de novembro, a previsão da empresa indica outros 47 milímetros de precipitação para o núcleo regional. Os dados fazem parte do acompanhamento agrometeorológico de regiões produtoras e não representam medições específicas das lavouras de cebola.
Em relação à média histórica, o Simepar informa que a faixa que inclui Guarapuava costuma registrar entre 150 e 175 milímetros de chuva durante novembro.
Cebola teve produtividade abaixo da expectativa
O levantamento mais recente do Deral sobre a cultura aponta que a regional de Guarapuava possui 740 hectares destinados ao cultivo de cebola na safra 2026/2027, com previsão de produção de 42,5 mil toneladas.
Até o boletim divulgado em 29 de outubro, haviam sido colhidos 111 hectares, correspondentes a 15% da área cultivada. Nesse período, a produção chegou a aproximadamente 5,2 mil toneladas, com rendimento de 47 toneladas por hectare.
A regional concentra cerca de 44% da produção estadual estimada, que é de 96,5 mil toneladas. Outras áreas importantes de cultivo são as regionais de Curitiba, com previsão de 31 mil toneladas, e Irati, com 10,9 mil toneladas.
O resultado inicial da colheita não significa que toda a safra terá uma redução de 18,3%. O desempenho das áreas restantes ainda depende das condições climáticas e dos resultados das próximas etapas da colheita.
Como o excesso de umidade pode afetar a lavoura
A ocorrência de chuvas frequentes pode dificultar o trabalho dos produtores em diferentes etapas do cultivo. O encharcamento do solo pode prejudicar o acesso às áreas agrícolas e atrasar operações de manejo e colheita.
A umidade elevada também favorece o desenvolvimento de doenças que atingem as plantas e podem comprometer a qualidade dos bulbos. Nessas condições, os agricultores podem precisar intensificar os cuidados fitossanitários, o que também pode representar custos adicionais de produção.
Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), já apontaram preocupação com a pressão de doenças e as dificuldades provocadas pelo excesso de umidade nas regiões produtoras do Sul.
Apesar da previsão de chuva acima da média, o Simepar ressalta que isso não significa precipitações contínuas durante todo o mês. A distribuição irregular dos volumes pode resultar em intervalos de tempo firme entre os episódios de instabilidade.

