‘Taxa das blusinhas’ rendeu R$ 1,85 bilhão ao Governo Federal antes de anúncio de extinção

Dados oficiais da Receita Federal apontam a força das compras internacionais de até US$ 50 no orçamento; Fazenda projeta renúncia fiscal bilionária com o fim do imposto de importação

GUARAPUAVA – A polêmica tributação sobre as compras internacionais de até US$ 50, popularmente apelidada de “taxa das blusinhas”, demonstrou um impacto expressivo nos cofres públicos nos primeiros meses de 2026. Segundo dados oficiais divulgados pela Receita Federal, o imposto de importação federal de 20% incidentes sobre essas operações arrecadou R$ 1,85 bilhão apenas no período compreendido entre 1º de janeiro e 8 de maio de 2026.
O montante bilionário vem a público em um momento de transição e debates econômicos acentuados, coincidindo com as recentes medidas adotadas pelo Governo Federal para descontinuar a cobrança da alíquota federal sobre essas transações.
Comparativo e Peso Orçamentário
Para analistas econômicos, as cifras mostram a consolidação do mercado de e-commerce internacional no cotidiano dos consumidores brasileiros, impulsionado por plataformas globais de varejo. Durante todo o ano anterior, o recolhimento total da taxa havia alcançado a marca de R$ 5 bilhões. O ritmo de arrecadação registrado até o início de maio deste ano indicava uma projeção de manutenção ou até superação do teto anterior.
Com a decisão de extinguir a cobrança do Imposto de Importação de 20% para compras que não ultrapassam a faixa dos 50 dólares, o Ministério da Fazenda calcula que haverá uma renúncia fiscal estimada em R$ 1,94 bilhão para o restante do ano de 2026.
O que muda para o consumidor?
Embora as principais plataformas de comércio eletrônico já tenham iniciado as adequações técnicas para retirar a cobrança do imposto federal direto no carrinho de compras, o consumidor final não ficará totalmente isento de tributos.
A extinção aplica-se estritamente ao Imposto de Importação (âmbito federal). Permanece em vigor, sem alterações, a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que possui alíquota unificada de 17% instituída pelos estados. O imposto estadual continuará sendo retido de forma automática no momento da finalização da compra pelas empresas aderentes ao programa de conformidade fiscal.
Resumo dos Indicadores Financeiros (2026):
Arrecadação total (1º de jan. a 8 de mai.): R$ 1,85 bilhão
Projeção de renúncia fiscal do Governo Federal: R$ 1,94 bilhão até o fim do ano
Imposto Federal (Importação): 0% (Extinto)
Imposto Estadual (ICMS): 17% (Mantido)
As lideranças do setor varejista nacional continuam acompanhando de perto os desdobramentos da medida, avaliando os reflexos na competitividade do comércio local e no comportamento de consumo regional em polos como o interior do Paraná.

Deixe um comentário