A disputa pelo mesmo cliente na venda de imóveis ou locações traz prejuízos e desgaste para ambas as partes

Mesmo com os avanços e o implemento de novas tecnologias, a capacitação e treinamento profissional na área imobiliária não tem evitado os conflitos de corretores pelo mesmo negócio ou clientes. No dia-a-dia em muitos casos isso está latente, gerando desgastes as empresas e até processos judiciais. Para corretor de imóveis e delegado regional do Creci-PR, José Losso Filho, quando há uma disputa pelo mesmo negócio as duas partes perdem e acabam gerando insegurança ao cliente. Pois mesmo com a competitividade, tema tradicionalmente vinculado a ganhos no mundo corporativo, tem seus limites. Se por um lado esta prática estimula vendas no mercado imobiliário, por outro gera conflitos nem sempre positivos ou toleráveis ao setor. As vendas são importantes, mas o vínculo com o cliente é fundamental. O bom relacionamento com o cliente além de conferir credibilidade à imobiliária pode render bons negócios no futuro, não só pelo fato de fidelizar o contato, mas também pelas indicações que podem decorrer desse relacionamento.

  Por outro lado, alguns proprietários de imóveis ou inquilinos também tentar tirar proveito deste tipo de disputa comercial, tirando lucros em cima das comissões ou na diminuição dos valores dos aluguéis. Isso tem acontecido com certa constância principalmente nos imóveis comercializados via internet. Losso lembra que a legislação que regulamenta a corretagem de imóveis visa dar segurança as transações imobiliárias. Entre as regras estabelecidas está que a imobiliária só poderá anunciar a venda de um imóvel após autorização prévia assinada pelo proprietário. Podendo constituir infração disciplinar.

COMPETITIVIDADE 

    É preciso rever esses conceitos e para que o setor derrube a estigma da competitividade que é ruim para ambos os lados. Por outro lado, isso também precisa ser revisto pelos proprietários de imobiliárias, criando espaços de convivência, fazendo com que o corretor não venha agir de forma desleal com um colega de profissão. Ao identificarmos uma concorrência desleal no ramo imobiliário, precisamos coibir a prática, frisou Losso. De acordo com ele o Creci tem promovido constantemente palestras, treinamentos e integração com objetivo de aproximar e valorizar a classe de corretores.

    A competição não precisa ser um problema, mas é preciso criar um contexto em que ela vá além destes elementos, há de se considerar que o imóvel navega por quase todas as esferas do direito e que, uma transação de compra e venda pode trazer danos de difícil reparação se não forem observadas determinadas regras, que, normalmente, passam despercebidas pelas partes diretamente envolvidas (vendedor e comprador). Disto resulta que o profissional encarregado de uma transação imobiliária tem o dever e a obrigação de prestar uma assessoria à altura da importância do negócio. A transação imobiliária precisa ser um caso de sucesso e não de conflitos.