Sol, fonte de energia e de perigo

Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou! Essa frase não está apenas na música do Jota Quest, mas no coração de muita gente que adora uma praia, piscina, a libertadora sensação de andar com roupas leves, ou apenas curte um clima mais tropical.

E quando o sol é forte e a exposição prolongada, sempre pensamos – ou ouvimos alguém falar – no protetor solar. Ele é o herói que combate o dano causado pelos raios UVA e UVB. O único problema é que ele é subestimado, pois não é só no alto verão que o centro de nosso sistema solar acaba causando danos na pele. A dermatologista Iara Rodrigues Vieira explica que até mesmo na sombra, ou em dias nublados, estamos sendo constantemente atingidos por radiação UVA, este é o tipo de dano que não notamos na hora, ou de um dia para o outro, mas que se acumula até que finalmente comece a incomodar.

Por isso Vieira recomenda um conjunto de atitudes, que vão muito além do protetor solar. Tais prevenções são indicadas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), e incluem cuidados e mudanças de hábito simples. Primeiro é importante prestar atenção nos horários. Das 11 às 17 horas o sol é bem mais forte, pois é quando emite duas radiações de uma só vez, UVA e UVB. Nesse período deve-se evitar se expor à luz solar e de qualquer forma usar filtro solar.

E o protetor deve ser reaplicado durante o dia, pois perde sua eficácia com o passar das horas. Recomenda-se um fator de proteção solar 15, mas para quem tem a pele muito clara a indicação é no mínimo 30.

Além disso, o uso de chapéus, óculos escuros e – na praia – guarda-sol é quase que obrigatório para quem se preocupa com a saúde da pele.

Ahh, por falar em guarda-sol, não é por que não estamos no litoral que não somos afetados pelo sol. Por estar em uma região muito alta, quase que uma montanha, Guarapuava sofre um efeito de aumento da agressividade da radiação solar, que fica mais forte com a altitude. Estamos a mais de 1 mil metros acima do mar, por isso mesmo em dias frios, nublados e até chuvosos, ainda estamos sujeitos à lenta, mas perigosa, ação do sol.

Iara destaca que motoristas devem prestar muita atenção, pois é comum atender clientes com o braço esquerdo queimado, ou com princípio de câncer de pele. Por mais que fechemos o vidro, a radiação atravessa e continua atingindo a pele.

Lento e cruel- O câncer de pele pode demorar anos para se manifestar, mas quando resolve aparecer dá muito trabalho. Tudo começa com a radiação, que tem um efeito cumulativo na pele. Ao longo dos anos ela vai alterando o DNA das células e pode desenvolver manchas, que evoluem para um quadro mais sério.

O bronzeado, por exemplo, é um sinal de desespero das células (melanócitos), que faz de tudo para proteger a pele, por isso produz o pigmento melanina. Então estar bronzeada não significa saúde, muito pelo contrário, para pegar uma corzinha você está agredindo a pele, manchando-a e envelhecendo-a.

Só procuramos ajuda médica quando os sintomas estão alarmantes, quando começam a aparecer lesões pré cancerígenas, que são mais salientes, mais avermelhadas e ásperas. Mas é melhor pecar pelo excesso do que pela negligência, pois se não prestar atenção nestas manchas, elas podem se transformar em câncer com o passar dos anos. A evolução é demorada, mas constante.

Tipos- Os principais tipos de câncer de pele são os carcinomas e melanomas , os carcinomas precisam da radiação constante, durante anos, já o melanoma acontece por predisposição, ou por exposições abruptas, em que a pele sofre queimaduras. Este é o melanoma é o pior tipo, pois apresenta risco de morte.Alguns dos tipos mais agressivos são as chamadas úlceras roedoras, que é sorrateiro, fica quietinho por muitos anos, e der repente começa a corroer a pele, podendo chegar até os ossos. O carcinoma espinocelular é um tipo que tem capacidade para metástase, ou seja, se espalhar para órgãos internos. O melanoma também, se não tratado a tempo, pode comprometer praticamente todos os órgãos.

Em resumo, este tipo de câncer é tão mais fácil de prevenir, já que a pele é visível, não custa se olhar, prestar atenção no próprio corpo. O câncer de pele dá a chance de ver a evolução e ir atrás, e como qualquer doença,  se deixar passar muito tempo, é quase certeza que o sofrimento será maior. Por isso, se aparecer alguma mancha diferente, corra para o médico.