Geral  

Uso de novas tecnologias tem baixa adesão por taxistas guarapuavanos

Traje social ou esporte fino, cabelo e barba bem feita, evitar o uso de palavrões ou comentários preconceituosos. Estas são as recomendações básicas em algumas cidades do país, para quem exerce a profissão de taxistas.

Em Guarapuava a nossa reportagem foi às ruas conferir este cenário e principalmente verificar a adesão as novas tecnologias pelos pracistas, como do uso de máquinas para pagamentos em cartão de crédito ou débito automático.

Há mais de 30 anos atuando como taxista na rodoviária de Guarapuava, José Godoi disse que não aderiu ainda à nova tecnologia pela pouca procura por este tipo de serviço, como também pelos custos altos das mensalidades.

Na Rodoviária dos cerca de 30 pracistas, apenas cinco utilizam a máquina eletrônica para pagamentos online. Entre eles, Juliano Lima Rieckel, que há seis meses adotou a nova ferramenta de trabalho.

“Mesmo pagando uma mensalidade alta, os benefícios são importantes, principalmente para as pessoas que chegam de viagens no período noturno, muitas vezes sem dinheiro no bolso para pagar a corrida”, conta Juliano, dizendo à reportagem que o custo mensal com a nova tecnologia está sendo de R$ 144 na máquina e R$ 26 da conta corrente para movimentar o dinheiro.

A universitária Silvia Regina disse que enfrenta dificuldade quando necessita utilizar este tipo de transporte para deslocamento até a rodoviária. De acordo com ela, a grande maioria dos taxistas não oferecem a portabilidade. “Não tenho costume de andar com dinheiro no bolso e de madrugada para ir a um pronto socorro também enfrentei dificuldades na hora de pagar a corrida”, argumentou.

Assaltos

Um dos pontos positivos para quem aceita pagamentos com cartões de crédito e débito é não precisar portar grandes quantias de dinheiro. Desta forma, os rendimentos diários do trabalhador ficam protegidos pelos meios eletrônicos.

Na Praça Cleve, dos nove taxistas, apenas Juliano Roberto Krein faz uso da nova tecnologia. “Temos que nos adequar às novas tecnologias, num sistema eletrônico que deve ser incentivado para que tanto o pracista tenha está ferramenta, como usuário utilize mais desta forma de pagamento”, avalia Krein, ressaltando que recentemente sofreu um assalto quando fazia uma corrida, que lhe rendeu um prejuízo de quase mil reais. “Os assaltos são constantes nesta profissão, por isso a necessidade de andar com menos dinheiro possível no bolso”, comenta Krein, que gasta em média R$ 26 de mensalidade e mais R$ 30 da conta corrente no banco.

Segurança

Já Gorgonio Cardoso “Bahiano”, aproveitou a presença da reportagem para cobrar do setor policial da cidade, uma maior fiscalização nas abordagens policiais de rotina. “Estamos sofrendo assaltos diariamente. A polícia teria que abordar os taxistas para verificar que tipo de passageiro estamos transportando. Principalmente nos bairros. Isso evitaria assaltos e com certeza tiraria alguns maus elementos das ruas”, alertou Bahiano.

Clandestinos

Outra dificuldade enfrentada pela categoria em Guarapuava é concorrência desleal do transporte de passageiros praticada por alguns motoristas de forma clandestina, sem estar o pracista ou o veículo devidamente legalizado.

“Se existe algum órgão público fiscalizador ou sindicato não atua para proteger a categoria. O transporte de clandestino ou pirata vem prejudicando o setor de se adequar as novas tecnologias e a renovação constante da frota”, frisou Bahiano.

Atualmente são mais de 100 profissionais legalizados que prestam serviço na cidade.