Sistema FAEP capacita 16 instrutores em ordenha robotizada
Treinamento nos Campos Gerais busca atender demanda crescente da pecuária leiteira em relação aos sistemas automatizados
A automação da pecuária leiteira, que antes parecia distante da realidade das propriedades rurais, já faz parte do cotidiano dos produtores paranaenses. Em meio ao avanço da tecnologia no campo e à crescente busca por eficiência produtiva, o Sistema FAEP promoveu, em maio, nas cidades de Castro e Carambeí, na região dos Campos Gerais, a capacitação de 16 instrutores do curso de Manejo e Ordenha. O treinamento voltado para a técnica de ordenha robotizada ocorreu em conjunto com as empresas Lely e DeLaval, referências mundiais em tecnologia.
A iniciativa nasceu de uma demanda registrada nos cursos do Sistema FAEP. Produtores rurais demonstraram interesse em compreender como funcionam os robôs de ordenha, custos, benefícios e possibilidades de adaptação dessa tecnologia às propriedades.
“Os próprios produtores começaram a perguntar como funciona o robô, se seria possível implementar esse sistema na propriedade e o que precisariam entender para tomar essa decisão. Diante disso, atualizamos tecnicamente nosso quadro de instrutores para levar informação atualizada e baseada na realidade do campo”, explica Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
Diante desse cenário, o Sistema FAEP articulou com a Lely e a DeLaval para proporcionar aos instrutores uma imersão prática e teórica sobre os sistemas automatizados de ordenha já presentes em propriedades do Paraná. Durante a capacitação, os participantes estiveram nos centros de distribuição das empresas, onde conheceram equipamentos, funcionamento operacional, sistemas de monitoramento e gestão de dados, além das diferenças entre os modelos tecnológicos disponíveis no mercado.
Ordenha robotizada
Na prática, o sistema robotizado permite que a vaca realize a ordenha de forma condicionada, sem necessidade de condução humana direta. O animal é atraído até o equipamento por meio da alimentação concentrada. O robô faz a higienização dos tetos, realiza a extração do leite e executa o procedimento sanitário posterior, liberando o animal para seguir sua rotina de alimentação e descanso. Todo o processo ocorre com acompanhamento digital e coleta permanente de dados sobre produção, comportamento e saúde do rebanho.
A automação não deve ser interpretada como substituição da mão de obra, mas como reorganização das atividades dentro da propriedade. Esse processo colabora com a realidade da ordenha, que convive com a escassez de mão de obra.
“O robô não vem para eliminar a mão de obra, mas para flexibilizar e qualificar o trabalho. O profissional que antes ficava exclusivamente na ordenha pode ser direcionado para outras atividades estratégicas dentro da propriedade, inclusive para acompanhamento dos dados gerados pelo sistema. Isso ajuda na organização do trabalho e melhora a gestão”, afirma Marta Liliane de Vasconcelos, técnica do Departamento de Desenvolvimento de Ofertas do Sistema FAEP.
Experiência prática
Além da parte técnica conduzida pelas empresas, os instrutores visitaram três propriedades rurais com diferentes portes produtivos e distintos modelos de robotização. A proposta foi mostrar que a tecnologia pode ser adaptada à realidade de pequenas, médias e grandes fazendas, respeitando necessidades específicas e capacidade de investimento.
Para o instrutor do Sistema FAEP Ricardo Biscaro, que atua na regional de Pato Branco, no Sudoeste do Paraná, a capacitação ocorreu em um momento estratégico, diante do aumento do interesse dos produtores por inovação nas propriedades leiteiras.
“Tivemos muita troca de informação entre os instrutores e as empresas, que abriram todo o processo para nós, mostrando detalhes técnicos e novidades. Isso nos deu muito embasamento para orientar os produtores”, afirma Biscaro.
O instrutor destaca que a tecnologia deixou de parecer algo distante e passou a ser compreendida como uma possibilidade concreta para o campo. “Hoje essa tecnologia está cada vez mais próxima e mais acessível ao produtor. Conseguimos acompanhar o funcionamento do robô, entender os dados gerados na ordenha, a eficiência do estímulo, a produção da vaca e a qualidade do processo”, explica.
Segundo o instrutor, a robotização pode contribuir para uma rotina mais equilibrada nas propriedades, trazendo maior flexibilidade à família rural e aos trabalhadores. “Além da tecnologia e da eficiência do trabalho, existe um ganho importante em qualidade de vida. O robô flexibiliza rotinas e permite que produtores e funcionários tenham mais tempo para outras atividades dentro da fazenda e também para a própria família”, conclui.

