Como Guarapuava pretende crescer nos próximos dez anos?
Plano diretor discute mudanças em zoneamento, mobilidade, habitação, ocupação do Centro e proteção ambiental; moradores podem apresentar sugestões até 1º de outubro
Onde poderão ser construídos novos prédios? Quais regiões poderão concentrar mais moradores e empresas? Como devem ser organizadas as ruas, calçadas e áreas de proteção ambiental? Respostas para questões como essas fazem parte da revisão do Plano Diretor de Guarapuava, documento que deve orientar o crescimento e a ocupação do município durante a próxima década. A população pode enviar sugestões para o processo até 1º de outubro. Entre os assuntos analisados estão uso e ocupação do solo, mobilidade, infraestrutura, habitação, meio ambiente e qualidade de vida. As propostas encaminhadas serão analisadas pela equipe técnica responsável pela revisão.
Embora pareça um documento distante do cotidiano, o Plano Diretor estabelece regras que interferem diretamente na maneira como uma cidade se desenvolve. Ele pode determinar, por exemplo, quais regiões permitem edifícios de maior porte, onde podem funcionar atividades comerciais e industriais e quais áreas devem receber tratamento específico de proteção ambiental. Também estabelece diretrizes relacionadas ao sistema viário, moradia e mobilidade.
O que pode mudar em Guarapuava?
Entre as propostas apresentadas pela Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo aos vereadores em agosto estão alterações no zoneamento, no sistema viário e nos parâmetros de ocupação dos terrenos. Um dos exemplos apresentados está na Zona de Proteção da Bacia do Rio Cascavel 1, onde a proposta discutida prevê elevar a taxa de ocupação dos terrenos de 50% para 67%. Também foram apresentados ajustes relacionados aos recuos de construções em esquinas. As medidas ainda fazem parte do processo de revisão do documento.
Outra discussão envolve a região central da cidade. A proposta apresentada prevê incentivar uma ocupação de uso misto, permitindo maior integração entre imóveis residenciais, comércio e serviços. Entre as medidas discutidas estão mudanças na quantidade de vagas de garagem exigidas em determinadas construções e a previsão de espaços destinados a bicicletas e motos elétricas.
Calçadas e mobilidade também entram na discussão
O futuro das calçadas de Guarapuava também aparece entre as propostas. O material apresentado pela Secretaria de Planejamento prevê diretrizes para calçadas acessíveis e padronizadas, além de alterações relacionadas ao sistema viário. A mobilidade é um dos nove eixos apresentados para orientar o planejamento da cidade. Os demais são densidade urbana, identidade cultural, sustentabilidade, espaços públicos, segurança, dignidade habitacional, desenvolvimento econômico e tecnologia.
Na prática, a revisão busca definir como o município pode receber novas construções, empreendimentos e moradores sem que esse crescimento aconteça de maneira desconectada da infraestrutura disponível.
Construção do Plano começou antes das audiências
A revisão não começou com a consulta disponível atualmente. Antes da primeira audiência pública, realizada em 1º de setembro, o município promoveu sete reuniões com diferentes segmentos da sociedade. Nesses encontros foram reunidas demandas e sugestões utilizadas na elaboração das propostas apresentadas posteriormente. Durante a primeira audiência pública, no Teatro Municipal Marina Karam Primak, a comunidade pôde conhecer as diretrizes, esclarecer dúvidas e apresentar novas contribuições.
O processo ainda não representa a versão definitiva das regras. Depois das etapas técnicas e de participação popular, as propostas que dependem de alteração legislativa precisam seguir o processo previsto no município, com participação do Poder Executivo e análise pelo Legislativo. A própria Câmara define o Plano Diretor como uma lei municipal responsável por orientar a organização e o desenvolvimento urbano.
Como a população pode participar?
Moradores, entidades e representantes de diferentes setores podem encaminhar propostas até 1º de outubro de 2026 por meio da página disponibilizada pela Prefeitura de Guarapuava para a revisão do Plano Diretor. As contribuições podem abordar questões relacionadas aos bairros, trânsito, ocupação urbana, habitação, infraestrutura, áreas verdes e outros temas ligados ao desenvolvimento do município.
A consulta pública é uma das etapas do processo. Após o encerramento do prazo, as sugestões recebidas serão analisadas pela equipe técnica responsável e poderão integrar as propostas que definirão as regras de desenvolvimento urbano de Guarapuava para os próximos anos.

