Itaipu e Embrapa realizam inventário de fauna para monitorar faixa de proteção

Pesquisa de campo abrange 15 pontos amostrais entre Guaíra e São Miguel do Iguaçu; monitoramento de espécies funciona como indicador da saúde ambiental

A Itaipu Binacional, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), deu início a um amplo levantamento de fauna ao longo da Faixa de Proteção do seu reservatório. A campanha científica, que ocorre entre os dias 15 de junho e 3 de julho, contempla 15 pontos amostrais estratégicos ao longo da margem brasileira do reservatório, estendendo-se desde o município de Guaíra até São Miguel do Iguaçu.

O objetivo central da iniciativa é mapear a biodiversidade local e analisar os chamados traços funcionais dos animais — como hábitos ecológicos e comportamento alimentar. Além de catalogar espécies, o estudo também funciona como uma ferramenta de diagnóstico da saúde do ecossistema.

A fauna terrestre atua como um verdadeiro motor biológico: ao realizar a polinização e a dispersão de sementes, os animais garantem a constante regeneração da floresta. É essa vegetação saudável que impede o assoreamento do reservatório, filtrando sedimentos e poluentes para assegurar a alta qualidade da água que passa pelas turbinas da Itaipu.

Metodologia e grupos monitorados

O inventário está dividido em quatro campanhas de campo ao longo de dois anos e engloba o levantamento de outros grupos de animais como os morcegos e aves que atuam diretamente na regeneração florestal através da dispersão de sementes pelo voo por longas distâncias, e de mamíferos de pequeno, médio e grande porte, essenciais para manter o equilíbrio da cadeia alimentar.

Durante as atividades realizadas no ponto amostral de Itaipulândia, no início desta semana, o biólogo Gabriel Lobregat de Oliveira, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, destacou a importância estratégica do projeto. Segundo ele, os dados ecológicos coletados subsidiarão futuras ações de manejo ambiental, focadas tanto no enriquecimento dos habitats quanto na preservação direta dos recursos hídricos.

“Com esse levantamento dos animais que residem ali, ou que deveriam residir ali, conseguimos medir a qualidade do ambiente. A partir dos resultados, estruturamos possíveis estratégias de manejo do ambiente para que a mata se mantenha mais tempo em pé, garantindo a qualidade da água do reservatório e de uma série de serviços ecossistêmicos”, afirmou Oliveira.

Para a captura e análise de pequenos mamíferos (animais com peso inferior a 1 kg), a equipe de pesquisadores utiliza metodologias específicas de amostragem. O biólogo Lucas Felizardo, da Tapir Ambiental, que atua na pesquisa de campo, explica que são utilizadas armadilhas dos modelos Tomahawk e Sherman, com iscas artesanais à base de banana e pasta de amendoim. De acordo com o especialista, o protocolo exige de quatro a cinco noites de monitoramento contínuo em cada ponto para garantir a eficiência da amostragem.

“É muito comum que, nos primeiros dias, os animais não interajam com as armadilhas, porque sabem que é uma estrutura diferente do ambiente. Por isso, o processo é feito por um tempo maior, para que os animais se familiarizem com elas”, disse Felizardo.

Indicadores de sustentabilidade

A presença e o dinamismo dessas espécies na Faixa de Proteção servem como indicadores biológicos vitais. O monitoramento contínuo permite à Itaipu avaliar a integridade de sua “infraestrutura verde”, certificando que as áreas protegidas cumprem rigorosamente seu papel ecológico de regulação dos ciclos hidrológicos e proteção do solo contra a erosão, consolidando o nexo entre a conservação da biodiversidade e a segurança na geração de energia limpa.

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