Carnaval e beijo na boca: cinco curiosidades que quase ninguém sabe sobre saúde bucal na folia
Especialista alerta que troca de saliva pode transmitir microrganismos, e que limpeza profissional antes e depois da festa ajuda a reduzir riscos
Blocos cheios, encontros inesperados, muita conversa, e muitos beijos. O Carnaval é uma das épocas do ano com maior interação entre pessoas, e isso inclui o contato direto entre bocas. O que pouca gente sabe é que o beijo, apesar de ser símbolo de afeto e diversão, também pode funcionar como via de troca de microrganismos que impactam a saúde bucal.
Especialistas em odontologia explicam que a saliva carrega bactérias, vírus e fungos, e que, em períodos de maior contato social, como a folia, a exposição aumenta. Isso não significa abrir mão do beijo, mas sim entender os riscos e adotar cuidados simples.
“A boca é um ambiente quente, úmido e com pouca luminosidade, ideal para a proliferação de bactérias, vírus e fungos. Durante o beijo, ocorre uma troca significativa desses microrganismos, o que pode aumentar o risco de doenças bucais e sistêmicas”, explica Camila Borges Fernandes, ortodontista, periodontista e adepta do Protocolo GBT.
O que pode ser transmitido pelo beijo?
Entre os microrganismos que podem ser transmitidos estão:
- Herpes simples tipo 1 (HSV-1)
- Mononucleose infecciosa — conhecida como “doença do beijo”
- Citomegalovírus (CMV)
- Vírus respiratórios, como gripe e COVID-19
- Bactérias associadas à cárie e doença gengival
- Candida albicans, fungo ligado à candidíase oral
O vilão invisível que piora o risco
Um fator que aumenta a vulnerabilidade é o biofilme, a placa bacteriana que se forma continuamente sobre dentes, língua e gengiva. Invisível a olho nu, ele favorece inflamações, mau hálito e infecções quando não é removido corretamente.
“A profilaxia (limpeza) profissional remove o biofilme de áreas que a escovação sozinha não alcança. Isso reduz risco de doenças, melhora o hálito e deixa a superfície dental mais fácil de manter limpa”, explica a especialista.
Limpeza antes da folia ajuda?
Sim. A limpeza profissional feita em consultório, conhecida como profilaxia, pode ser uma aliada antes e depois do Carnaval. Hoje, já existem abordagens mais confortáveis, como o Protocolo GBT (Guided Biofilm Therapy), realizado em clínicas certificadas, que utiliza jato de ar, água morna e pó ultrafino para remover o biofilme de forma menos invasiva.
Segundo a Dra. Camila, o método é mais preciso, preserva esmalte e gengiva e contribui para prevenção de doenças bucais e sistêmicas.
Kit folia da saúde bucal: o que vale levar
Para quem vai passar horas fora de casa, alguns cuidados simples ajudam:
- Escova dental compacta na nécessaire
- Fio dental ou haste interdental
- Enxaguante bucal
- Boa hidratação — boca seca favorece bactérias
- Evitar dormir sem escovar os dentes após festas
Com informação e prevenção, é possível aproveitar o Carnaval com liberdade, e manter o sorriso saudável depois que a folia termina.
Camila Borges Fernandes é ortodontista e periodontista, com consultório em São José dos Campos. Graduada em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia, possui especializações em Periodontia pela UNICAMP e em Ortodontia pela Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas. Com mestrado e doutorado em Odontologia pela Universidade de Taubaté, Dra. Camila também é professora na Universidade do Vale Paraibano (UniVap) e Speaker da EMS.
