Como o setor de turismo está se adaptando a rotinas mais aceleradas
Segmento vem se reinventando para atender as necessidades de um público cada vez mais ocupado, imerso em rotinas intensas e preocupado com novos estilos de vida
O setor de turismo vem se reinventando para atender às preferências e necessidades de um público cada vez mais ocupado, imerso em rotinas intensas e preocupado com novos conceitos de estilo de vida.
Desde 2017, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite o fracionamento das férias em três períodos. Com mudanças estabelecidas em 2025, agora o tempo de descanso é dividido entre uma pausa de ao menos 14 dias e mais duas de 10 dias ao longo do ano.
Isso significa que férias de 30 dias corridos são raras, assim como descansos picados em semanas curtas. Sendo assim, as pessoas têm demandas específicas para aproveitar atividades de lazer e turismo.
Menos tempo disponível, novas prioridades
Além da influência pela intensidade do dia a dia, a transformação do comportamento do turista tem clara ligação com a mudança do pensamento coletivo em relação a prioridades como saúde mental e bem-estar geral.
O equilíbrio entre vida profissional e pessoal é uma das maiores preocupações de boa parte dos trabalhadores, que procuram estabelecer limites para preservar a qualidade de vida.
Segundo um levantamento da Férias & Co., plataforma de benefícios corporativos de viagens, 92% dos profissionais brasileiros são favoráveis a pausas recorrentes e momentos de lazer como práticas vantajosas à saúde mental e produtividade.
As chamadas “mini-férias”, de acordo com Bruno Carone, CEO da empresa, são encaradas como soluções eficientes para o estresse. “O bem-estar é a base para o sucesso sustentável. As mini-férias têm se mostrado uma poderosa ferramenta para que os colaboradores se desconectem das pressões do dia a dia e retornem ao trabalho mais engajados e criativos, sem precisar esperar por um único recesso anual.”
Viagens curtas e lazer otimizado
Dados do Booking.com mostram que 62% dos brasileiros preferem viagens nacionais mais curtas, mas as mini-férias também são uma tendência mundial. Uma pesquisa da seguradora Allianz aponta que 75% dos viajantes vêm preferindo experiências de até quatro dias.
Esse fenômeno acontece devido à flexibilidade de trabalhos remotos e híbridos, além da praticidade de viagens curtas, que não exigem longos meses de planejamento.
Finais de semana e feriados prolongados são sempre populares, mas as escapadas de um dia também têm seu valor. Em meio à correria das responsabilidades profissionais e afazeres domésticos, não é incomum que as pessoas reservem ao menos um dia para fazer um bate e volta na praia ou simplesmente passear perto de casa.
Serviços adaptados à rotina urbana e à conscientização ambiental
Quem mora na cidade quer se afastar dos centros urbanos para descansar. O interesse por saúde, longevidade e destinos de natureza também pesam.
A pesquisa do Booking.com citada anteriormente também mapeou as experiências preferidas dos viajantes nacionais: viagens à praia lideram com 64%, enquanto viagens urbanas e roteiros de ecoturismo (49% e 40%, respectivamente) vêm logo em seguida.
Isso mostra como a busca pela tranquilidade é um fator determinante para muitos turistas, embora as grandes metrópoles também tenham seu lugar ao sol.
O desejo por experiências mais calmas também se conecta ao crescimento da consciência socioambiental. O relatório “Global Travel Outlook 2025”, da agência de turismo bangladeshiana FTO Travel, mostra que o interesse por turismo responsável tem crescido a cada dia.
Para conquistar a atenção e confiança desses clientes, hotéis passaram a adotar medidas sustentáveis em suas operações — como uso de energia solar e treinamento ambiental para seus colaboradores — e companhias aéreas começaram a investir em voos de carbono neutro.
Menos burocracia, mais experiência
Atualmente, a tecnologia é parte intrínseca da experiência de viagem. Além de plataformas para comprar passagens aéreas e rodoviárias, reservar quartos de hotel e agendar ingressos para passeios, a burocracia da viagem também é amenizada graças aos processos virtuais.
Biometrias, passagens e passaportes digitais e check-in otimizado por aplicativos no celular tornam a logística do turismo muito menos assustadora e trabalhosa. Com apenas alguns cliques, é possível evitar filas e procedimentos desagradáveis em aeroportos e acomodações.
Mais recentemente, a Inteligência Artificial também vem se tornando cada vez mais presente na vida dos turistas. Plataformas de venda e compra de pacotes de viagens e/ou passagens aéreas usam a IA há algum tempo para otimizar processos operacionais e oferecer serviços personalizados, mas os viajantes também têm utilizado a tecnologia na hora de planejar as férias.
Na etapa de organização da viagem, muitas pessoas passaram a substituir o Google por pesquisas em ferramentas como ChatGPT e Gemini para buscar recomendações sobre atividades e hospedagem ou obter detalhes relacionados à documentação para entrar em países estrangeiros.
O método tem suas vantagens, mas é preciso sempre conferir as informações em fontes de confiança para não ter nenhuma surpresa desagradável no momento do embarque ou na chegada ao destino.
Turismo sem hospedagem tradicional
Couchsurfing (estadia modesta e sem custo, apenas com cama ou sofá para dormir) e house sitting (quando o proprietário permite que alguém more em seu imóvel durante sua ausência para preservá-lo) são alternativas à hospedagem tradicional, mas não são ideais para famílias, casais ou pessoas que buscam por mais exclusividade.
O day use é um modelo que foge dos padrões, mas que une conforto, praticidade e economia. Especialmente oferecido por hotéis de luxo, é uma excelente opção de lazer e descanso sem a necessidade de pernoite.
A modalidade não apenas dialoga diretamente com rotinas mais aceleradas e flexíveis, mas também possibilita experiências premium (serviço de praia, acesso a piscinas e saunas, massagens, refeições, descontos exclusivos) mais amigáveis ao bolso do que em reservas convencionais.
