Planejamento e gestão garantem eficiência em fazendas de pecuária de corte
Segundo especialista, pecuaristas precisam focar em manejo, tecnologias e mão de obra qualificada
“Temos potencial grande quando se trata de pecuária de corte do Paraná, apesar das adversidades impostas, muitas pelo Governo Federal. Por isso, o Sistema FAEP segue trabalhando para proteger os interesses do setor produtivo”, ressalta o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette. “Esse ano é de recuperação, retomada, especificamente na produção dos bezerros. Hoje, o Brasil é o único país com capacidade de exportação para o mundo, à frente dos EUA”, reforça Rodolpho Luiz Werneck Botelho, presidente da Comissão Técnica.
Para orientar os pecuaristas, o consultor técnico do Programa Boi na Terra do Soja, do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra), Gustavo Haruo, realizou a palestra “Além do preço da arroba: o papel da gestão da fazenda no cenário da pecuária atual”, destacando a importância da gestão nas propriedades rurais, a fim de minimizar custos, reduzir desperdícios e pensar a longo prazo, com inteligência.
“O pecuarista que adota uma gestão interna eficiente aproveita as oportunidades do mercado e, mesmo nos momentos de baixa, consegue manter margens sólidas e sustentáveis”, destaca Haruo.
Na década de 1970, por exemplo, o modelo extrativista funcionava com baixo investimento e gestão, “bastava soltar o boi no pasto e esperar”. Hoje, o cenário é outro. Estimativas indicam que até 50% das fazendas de pecuária podem encerrar as atividades por falta de adaptação às novas exigências do setor dentro de 20 anos. Ou seja, segundo Haruo, o modelo extrativista, predominante no passado, já não responde às demandas atuais, com margens cada vez mais apertadas, pressão de arrendamento para outras atividades e propriedades gigantescas imobilizadas sem retorno.
Para o consultor, esse quadro ainda pode ser revertido com mudanças estruturais na forma de conduzir o negócio. “Gestão é entender a situação atual da fazenda, identificar seu potencial produtivo e traçar um caminho claro de evolução, com metas e prazos definidos”, afirma.
Entre os principais fatores que determinam o desempenho das fazendas estão o ganho médio diário (GMD), que define o giro de estoque da fazenda; a taxa de lotação, que exige planejamento para evitar degradação das pastagens; o desembolso por cabeça e o valor médio de venda. Este último influenciado pelo mercado, sendo possível fazer uma gestão de crise por meio de ferramentas como travas de preço, reposição e trava de insumos.
No campo produtivo, o manejo de pastagens é o elemento central. Já a gestão envolve projeto, execução e monitoramento constante da fazenda, funcionando como eixo integrador, responsável por direcionar o uso eficiente das tecnologias. Por fim, o fator humano ganha destaque: equipes qualificadas e bem remuneradas estão diretamente associadas aos melhores resultados.
“Os próximos anos serão fortes na pecuária de corte. Por isso é necessário planejamento, ainda mais pensando no contexto da guerra no Oriente Médio”, complementa Botelho.
