Unicentro na COP30: estudantes do Paraná lideram diálogos climáticos em Belém
Os alunos participam de uma agenda de diálogos internacionais, apresentando seus projetos de pesquisa e trocando experiências com jovens da França, Chile e Colômbia
A Universidade Estadual do Centro-oeste (Unicentro) está na COP30, em Belém (PA), desde a última terça-feira (11). A universidade, a partir do projeto Pacto Global de Jovens pelo Clima (GYCP), lidera uma delegação de estudantes que participa de uma agenda paralela de diálogos internacionais, apresentando seus projetos de pesquisa e trocando experiências com jovens da França, Chile e Colômbia.
A comitiva é composta por estudantes de cinco colégios públicos de Guarapuava e Prudentópolis. Estes também integram uma rede de programas, como a Rede de Clubes de Ciências e o “Nós Propomos!”. Durante o evento, eles expõem seus projetos com soluções locais para problemas globais, focando em temas como a preservação de abelhas, o desenvolvimento de biofertilizantes, a criação de escolas sustentáveis e a mitigação de inundações.
A coordenadora nacional do Pacto, professora Adriana Kataoka, destacou que tem sido “uma imersão na floresta amazônica no sentido do conhecimento”. Ela explicou que o diálogo entre os saberes da floresta, dos povos e da relação sociedade-natureza trouxe uma compreensão mais profunda sobre a importância da preservação da Amazônia. “A preservação da floresta amazônica só é possível com o cuidado e o respeito aos povos originários, que são, de fato, os verdadeiros guardiões da floresta”, enfatizou Adriana.
Ela relatou, ainda, que o grupo foi recebido na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), onde conheceu as pesquisas desenvolvidas na instituição e participou de um momento especial: a apresentação das tradições e dos trabalhos realizados pelos jovens em seus territórios. “Percebemos a riqueza e a diversidade dos trabalhos, a forma como cada cultura e cada região encara e resolve seus desafios. Em alguns momentos, com uma reflexão mais crítica e aprofundada; em outros, com um olhar mais tradicional, sempre buscando a sustentabilidade”, observou.
A articuladora da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e representante institucional do programa, professora Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, complementou que há um sentimento de que o trabalho realizado tem feito diferença na formação da juventude. Ela ressaltou que a urgência climática já é uma realidade concreta na região e citou como exemplo o evento extremo que devastou Rio Bonito do Iguaçu. “Isso nos chocou, nos tocou e mostrou de forma mais concreta os efeitos desses extremos climáticos. Acreditamos que esse projeto mostra aos jovens que eles precisam tomar uma atitude”, destacou Marquiana.
A voz da juventude
Para os estudantes, a troca intercultural tem sido o ponto alto. “Eu estou achando uma maravilha”, relatou a estudante Maria Clara, do Colégio Estadual Cristo Rei. “É muito bom apresentar, conhecer novas pessoas, é muito legal tentar interagir com eles, já que muitos são de países diferentes”, acrescentou.
O sentimento entre professores é de dever cumprido, mas também de novos desafios. “Eu me senti orgulhosa por elas terem apresentado o trabalho e não se intimidarem diante da plateia, ainda mais uma plateia com alunos de outros países”, disse a professora Ariane Andrade, do Colégio Estadual Francisco Carneiro Martins. “Eu tenho certeza que elas vão sair daqui outras pessoas, com outras perspectivas”, concluiu Ariane.
Uma visão global e urgente
O evento reforça a conexão global da crise. Martin, um estudante da delegação francesa, relatou o impacto de ver a poluição de perto. “Nós nos damos conta que a culpa é nossa, somos nós, os europeus, os países mais ricos, que criamos esses problemas”, avaliou o jovem.
A urgência foi o tema da fala de Alfredo Pena Vega, coordenador internacional do GYCP. “É um tempo difícil para pensar no futuro”, afirmou ele aos jovens. “Vocês estão aqui para ser a voz dos outros jovens”, incentivou.
Para os organizadores, o evento vai além da ecologia, tratando também de equidade. “Um assunto bastante importante para nós é a Justiça Climática, a Justiça Social”, reforçou a professora Marquiana, da Unicentro.
A agenda da delegação da universidade na COP30 continua intensa. Nos próximos dias, o grupo participará de debates na Cúpula dos Povos, na Universidade Federal do Pará (UFPA), realizará visitas à “Green Zone” oficial da conferência e desenvolverá um trabalho de campo no tradicional mercado Ver-o-Peso.
