Desigualdade da mulher no trabalho ainda é realidade e exige ação de empresas e trabalhadores

Apesar dos avanços legislativos e do aumento do debate público, a desigualdade de gênero no ambiente de trabalho permanece como um dos principais desafios do mercado brasileiro. A diferença salarial, as barreiras para promoção e a persistência de situações de assédio e violência vividos dentro e fora do ambiente laboral demonstram que a igualdade prevista na lei ainda não se traduz integralmente em igualdade no dia a dia das mulheres.

Dados recentes confirmam esse cenário. Os Relatórios de Transparência Salarial divulgados pelo Ministério do Trabalho indicam que, em empresas com 100 ou mais empregados, mulheres recebem, em média, cerca de 21% a menos do que homens. O 3º relatório, publicado em abril de 2025, apontou diferença de 20,9%, enquanto o levantamento divulgado em novembro do mesmo ano registrou 21,2%.

Relatório de Transparência Salarial referente ao segundo semestre de 2025 mostra que a média remuneratória das mulheres é sempre mais baixa que as dos homens:

Ao mesmo tempo, pesquisas sobre violência contra a mulher revelam outro aspecto que impacta diretamente o mundo do trabalho. Estudo do DataSenado indica que 30% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar provocada por homem, realidade que frequentemente repercute na estabilidade profissional, na saúde mental e na permanência no emprego.

No trabalho, nem sempre a discriminação é explícita. Muitas vezes ela aparece por meio de critérios subjetivos de promoção, distribuição desigual de bônus, penalização indireta da maternidade ou tolerância institucional a comportamentos impróprios. Podem também aparecer de maneira mais explícita como mensagens e comentários inadequados, salário menor para o mesmo cargo e função, dentre outros.

Diante desse cenário, trabalhadoras devem estar atentas a sinais de desigualdade e registrar situações de discriminação para o setor de recursos humanos da empresa, para seus superiores ou fazer uma denúncia no canal da empresa. Importante também é a obtenção de provas, como mensagens, e-mails, gravações e testemunhas, para que a empregada possa, por exemplo, buscar judicialmente diferenças salariais quando houver trabalho de igual valor, além de indenização por danos morais em casos de assédio. É possível pleitear também a rescisão indireta, quando a conduta patronal torna insustentável a continuidade do vínculo de emprego.

A desigualdade de gênero no trabalho não será superada apenas com leis. Ela exige mudança cultural, fiscalização e participação ativa de trabalhadores e empresas.

Garantir igualdade salarial, prevenir violência e assegurar oportunidades de crescimento é uma obrigação das empresas, mas também de todos os trabalhadores e da sociedade. Nesse mês das mulheres, é importante relembrar a importância de promover ambientes de trabalho mais justos, seguros e respeitosos, nos quais a dignidade, a igualdade de oportunidades e o respeito aos direitos fundamentais sejam efetivamente observados.

Giovanna Tawada é advogada formada e pós-graduada em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, ambos pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, e conta com mais de 11 anos de experiência na área trabalhista, sempre atuando em grandes e renomados escritórios de São Paulo. Tawada é, atualmente, sócia do escritório Feltrin Brasil Tawada com atuação voltada tanto para área consultiva quanto para o contencioso trabalhista.

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