Entrega voluntária não é abandono: Guarapuava capacita profissionais para acolher gestantes e mães

Formação prepara equipes da rede municipal de saúde para orientar, acolher e encaminhar mulheres que manifestem o desejo de entregar o filho legalmente para adoção

Profissionais da rede municipal de saúde de Guarapuava estão sendo capacitados para atender gestantes e mães que manifestem o desejo de entregar voluntariamente uma criança para adoção. A iniciativa busca garantir que essas mulheres sejam acolhidas sem julgamentos, recebam informações sobre seus direitos e sejam encaminhadas corretamente aos órgãos responsáveis pelo procedimento.
A primeira formação ocorreu nesta terça-feira (13) e reuniu profissionais que atuam diretamente no atendimento à população. A proposta é preparar as equipes para reconhecer esse tipo de demanda e oferecer uma abordagem humanizada desde o primeiro contato.
Prevista na legislação brasileira, a entrega voluntária permite que a gestante ou mãe manifeste formalmente a intenção de entregar a criança para adoção. Todo o processo ocorre de maneira legal, sigilosa e acompanhado pela rede de proteção e pelo sistema de Justiça.
A medida não deve ser confundida com abandono. Na entrega voluntária, a mulher procura os serviços responsáveis e manifesta sua decisão dentro de um procedimento previsto em lei. Já o abandono ocorre quando uma criança é deixada sem proteção ou cuidados, ficando exposta a situações de risco.
Essa diferença é um dos principais pontos trabalhados durante a capacitação. O objetivo é evitar que mulheres que procuram ajuda sejam constrangidas, culpabilizadas ou desistam de buscar orientação por medo de julgamento.
Os profissionais da saúde têm papel importante nesse processo porque, muitas vezes, hospitais, unidades básicas de saúde e outros serviços da rede são os primeiros locais procurados por gestantes ou mães que enfrentam esse tipo de situação.
Por isso, médicos, enfermeiros, psicólogos, agentes comunitários e demais servidores precisam estar preparados para ouvir a mulher, explicar como funciona a entrega voluntária e indicar quais são os próximos passos. A intenção não é interferir na decisão, mas assegurar que ela tenha acesso às informações necessárias e ao acompanhamento adequado.
Durante o procedimento, a mulher pode receber atendimento de equipes especializadas e orientação sobre os direitos e as consequências da decisão. O atendimento deve respeitar a privacidade, a história e as circunstâncias de cada caso.
O sigilo também é uma parte importante do processo. A orientação é de que a mulher seja atendida de forma reservada, sem exposição indevida e sem qualquer tipo de constrangimento pela manifestação da vontade de entregar a criança para adoção.
Além de qualificar o atendimento oferecido pela rede municipal de saúde, a formação realizada em Guarapuava busca fortalecer a integração entre os serviços de saúde, a assistência social e os órgãos ligados ao sistema de Justiça e à proteção da infância.
Uma segunda turma da capacitação está prevista para o dia 20 de outubro, das 14h às 16h30, no Auditório da Prefeitura de Guarapuava. A atividade é voltada a coordenadores, enfermeiros, médicos, psicólogos, agentes comunitários de saúde e outros profissionais que podem ter contato com esse tipo de situação.

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