Guarapuavano é convocado pela terceira vez para representar o Brasil no Mundial de Patinação

Henrique disputa competição no Paraguai após trajetória que começou com um presente para a filha e ganhou espaço no cenário nacional

O que começou como um presente para a filha se transformou em uma trajetória esportiva que levou um guarapuavano a vestir, pela terceira vez, a camisa da Seleção Brasileira. Henrique Antoniucci, praticante de patinação inline freestyle, foi convocado novamente para representar o Brasil em uma competição mundial, que será realizada em Assunção, no Paraguai, em outubro. A convocação é a terceira da carreira do atleta. Antes do Paraguai, ele representou o Brasil na Argentina, em 2022, e na Itália, em 2024.
A relação de Henrique com os patins, no entanto, não começou com a intenção de chegar a uma seleção nacional. Em 2017, ele comprou um par de patins para a filha. A intenção era presenteá-la, mas algo mudou quando ele a viu começando a andar sozinha. Foi então que decidiu colocar os próprios patins e acompanhar a filha. O que começou como uma brincadeira entre os dois acabou despertando em Henrique uma paixão pela modalidade.
“É muito louco porque eu andava de patins quando criança mas nunca nem imaginei nada disso. Aí uma certa vez quando eu dei o patins pra ela eu vi ela sozinha andando e eu pensei: ‘eu não vou deixar minha filha ficar sozinha, vou ir me divertir com ela’.”
A partir dali, ele voltou a praticar e, dois anos depois, começou a disputar campeonatos. Ainda não havia um projeto de carreira, muito menos a expectativa de representar o Brasil.
“Eu nem sabia que teria esse meio, nem sabia que com o meu esforço, com as minhas participações em campeonatos, eu poderia um dia estar usando a amarelinha da Seleção.”
Desde então, a participação em competições nacionais passou a fazer parte da rotina. Segundo Henrique, os campeonatos são fundamentais para quem busca uma convocação para a Seleção Brasileira, já que os atletas acumulam pontuação no ranking nacional e passam a ser observados pelas entidades responsáveis pela modalidade.
“Cada campeonato que você participa a nível Brasil, a nível nacional, mais chance você tem de ser convocado”, explica. Além da pontuação, ele destaca a evolução apresentada pelos atletas ao longo das competições. Para Henrique, participar regularmente dos campeonatos também demonstra o interesse em disputar espaço no cenário nacional.
A modalidade praticada por Henrique é o inline freestyle, que reúne diferentes categorias, entre elas slalom, slides, jump e spin slalom. Atualmente, ele compete principalmente nas modalidades jump e slides, além de disputar provas na categoria master, destinada a atletas acima dos 35 anos.
O esporte também ocupa espaço na rotina familiar. A filha, que foi o motivo inicial para que Henrique voltasse a andar de patins, também passou a competir. E foi justamente em uma competição dela que o atleta viveu, segundo ele, um dos momentos mais marcantes de sua trajetória.
“Minha felicidade maior foi ver a minha filha no primeiro campeonato dela, que ela foi para brincar e ficou em primeiro lugar. Aquilo foi impagável”, conta. O resultado, para Henrique, teve um significado maior do que as próprias conquistas individuais. Ele já subiu ao lugar mais alto do pódio três vezes nas modalidades jump e slides, na categoria master, mas considera a conquista da filha sua principal lembrança dentro do esporte.
A rotina de um atleta que disputa competições nacionais e internacionais também exige conciliar o esporte com outras áreas da vida. Henrique conta que uma das principais dificuldades atualmente é dividir o tempo entre trabalho, família e treinamento. As competições também significam períodos de ausência profissional e viagens. Na maior parte das vezes, porém, ele conta com a companhia da família. “Minha família sempre que pode vai junto comigo. Meu alicerce, meu porto seguro”, afirma.
Os treinamentos acontecem nos espaços públicos disponíveis para a prática da modalidade em Guarapuava. A estrutura permite que os atletas utilizem parques e praças, embora exista uma limitação especialmente conhecida por quem pratica esportes ao ar livre, a chuva.
Para manter o condicionamento, Henrique também alia a patinação à academia e à pliometria, exercícios voltados, entre outros aspectos, para força e impulsão. Aos 40 anos, Henrique afirma que ainda não teve uma lesão que o obrigasse a interromper a trajetória nos campeonatos. O receio, porém, existe. Para ele, uma lesão seria especialmente difícil porque significaria interromper os treinamentos e enfrentar o processo de recuperação para voltar às competições. “Meu principal medo é uma lesão. Uma lesão você tem que parar, você tem que tratar”, afirma.
A percepção também mudou com o passar dos anos. Movimentos que antes pareciam mais simples passaram a exigir maior cuidado, principalmente nas modalidades que envolvem saltos e manobras. Por isso, a preparação física passou a fazer parte da rotina do atleta como uma forma de tentar acompanhar as exigências do esporte.
A competição no Paraguai representa mais um capítulo de uma história que Henrique sequer imaginava quando colocou os primeiros patins nos pés. Em 2022, veio a primeira convocação para representar o Brasil em uma competição disputada na Argentina. Dois anos depois, ele viajou para a Itália. Agora, terá novamente a oportunidade de representar o Brasil em uma competição internacional.
O campeonato reúne atletas de diferentes países que possuem organizações nacionais da modalidade. Henrique compara a competição a uma Copa do Mundo da patinação.
Apesar das três convocações, ele ainda olha para o início da trajetória com surpresa. Quando pensa naquele Henrique que comprou um par de patins para a filha, não consegue imaginar que o presente acabaria levando-o à Seleção Brasileira. “Jamais iria pensar que eu estaria onde eu estou hoje.” Se pudesse conversar com aquele Henrique de 2017, a mensagem seria curta: “Rapaz, você conseguiu.”

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