No Nebraska, tecnologia auxilia na solução de problemas do campo

Produtores rurais do Paraná conheceram ferramentas usadas pela iniciativa privada e universidade para enfrentar desafios no meio rural norte-americano

A robótica, inteligência artificial e monitoramento por vídeo têm sido usados pela iniciativa privada e universidade do Estado do Nebraska, nos Estados Unidos, para solucionar desafios da agropecuária como seca, plantas invasoras e a falta de mão de obra. Durante viagem técnica internacional ao país norte-americano, o grupo de produtores rurais paranaenses, organizado pelo Sistema FAEP, conheceu ferramentas que ajudam a enfrentar esses obstáculos.

A equipe formada por produtores de diferentes regiões do Estado, com realidades distintas — da fruticultura à pecuária, passando por grãos e suinocultura — visitaram empresas referências mundiais em tecnologia aplicada ao campo.

A primeira parada no Estado do Nebraska ocorreu na Valley Irrigation, empresa do grupo Valmont, líder global em sistemas de irrigação mecanizada, que apresentou seus pivôs centrais de alta eficiência. Ainda, durante a visita, o grupo conheceu o AgSense, tecnologia embarcada nos painéis inteligentes que permite o gerenciamento remoto da irrigação por smartphone, tablet ou computador. O sistema capta, agrega e entrega dados em tempo real da operação irrigada — do consumo de água à performance dos equipamentos.

Para Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, que acompanha o grupo na viagem, a irrigação já é uma necessidade real para diferentes cultivos no Estado. Porém, o perfil paranaense, de propriedades majoritariamente menores, de até 50 hectares, exige um modelo diferente do consolidado na região Centro-Oeste do Brasil, onde estão boa parte dos mais de 40 mil pivôs da Valley em operação no país.

“O impedimento para que mais produtores usem essa tecnologia é o custo e a análise técnica que envolve o processo de implantação da irrigação”, aponta Ana Paula. Dessa forma, uma estratégia seria começar o investimento em culturas de maior valor agregado, como o café, capaz de garantir retorno do investimento.

Ainda, o avanço da irrigação no Paraná depende de uma articulação entre poder público e setor privado, especialmente diante do cenário de endividamento enfrentado por parte dos produtores. “Não basta comprar o equipamento, é preciso ter um programa estadual e/ou federal estruturado, além de acompanhamento especializado para extrair o melhor do pacote tecnológico, que inclui os sistemas digitais”, aponta a coordenadora do DTE.

A produtora rural, integrante do Sindicato de São Miguel do Iguaçu e coordenadora regional da Comissão Estadual de Mulheres da FAEP (CEMF), Eliane Colombari, aplica a fertirrigação na pecuária em sua propriedade. O dejeto do suíno passa por um biodigestor, vira gás e fertilizante, aplicado em piquetes conforme o gado avança no sistema de pastejo rotacionado, garantindo pastagem de qualidade o ano todo.

Ao comparar com a tecnologia vista no Nebraska, Eliane identificou o potencial de modernização. Seu sistema, hoje, funciona por encanamento enterrado com pontos fixos de aplicação, sem mobilidade. “Esse modelo norte-americano a gente sonha para a lavoura, que seria mais eficaz”, diz, referindo-se à soja no verão e ao milho no inverno, culturas que ainda não contam com irrigação na propriedade. “Porém, precisamos de incentivo para dar o primeiro passo”, complementa.

Edilson Fernandes Lopes, delegado do Sindicato Rural de Alto Paraná, onde cultiva laranja e mandioca e cria gado de corte, também nunca investiu em irrigação — pelo mesmo motivo. “O custo é muito alto, mas a irrigação da pastagem seria uma forma de aumentar a lotação de cabeças de gado”, aponta.

Resposta à falta de mão de obra

A delegação também conheceu o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário da Universidade de Nebraska, onde pesquisadores apresentaram aplicações de inteligência artificial na agropecuária, desde tratores autônomos, robôs de manejo de plantas daninhas e sistemas automatizados de limpeza de dejetos de gado em confinamento.

Para o produtor Roberto Bittencourt, do Sindicato Rural Terra Boa, que toca uma propriedade com culturas diversificadas como soja, milho, trigo, gado de leite e eucalipto, a combinação de drones com inteligência artificial e sensoriamento por câmeras chamou atenção na visita.

“A tecnologia do drone aplicada com outras máquinas, como IA, reconhecimento por câmeras e fotossensores é um futuro bastante promissor”, avalia Bittencourt.

João Cláudio Gaudêncio, produtor de gado de corte e diretor do Sindicato Rural de Santo Antônio da Platina, teve interesse pela pulverização de precisão, principalmente por drone e robô. “Chega a economizar até 95% de produto aplicado, especialmente para quem trabalha com milho e soja”, diz.

Sebastião Valério, presidente do Sindicato de Rio Negro e produtor de grãos, maçã e gado de corte, destacou a robótica aplicada ao controle de plantas daninhas como a solução mais aplicável à sua realidade. “Essa invenção da robótica para capinar pode ser uma solução”, afirma. “O caminho é esse: tecnologia pra diminuir a mão de obra e baixar custos”, resume.

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