Sindicato Protagonista conta com novos indicadores e bonificação

Projeto do Sistema FAEP amplia remuneração para R$ 7 mil, inclui metas e reforça a importância do planejamento estratégico

O projeto Sindicato Protagonista, promovido pelo Sistema FAEP, entrou no seu terceiro ciclo. A iniciativa, voltada ao fortalecimento dos sindicatos rurais do Paraná, chega à edição 2026/2027 com mudanças que ampliam tanto os incentivos quanto o nível de exigência dos sindicatos participantes. As entidades interessadas têm até dia 17 de julho para efetivar a inscrição.

Entre as principais novidades estão o aumento da bonificação financeira, que passou de R$ 5 mil para R$ 7 mil, a inclusão de quatro novos indicadores de desempenho e a obrigatoriedade de pontuação no Planejamento Estratégico de Mobilização (PEM). Criado para incentivar a profissionalização e a relevância dos sindicatos, o projeto combina metas, ações práticas e acompanhamento contínuo dos consultores do Sistema FAEP, com foco na ampliação da base de associados, no engajamento de mulheres e jovens e na atuação institucional das entidades.

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o projeto tem papel estratégico na qualificação das entidades sindicais. “O Sindicato Protagonista, dentro do Programa de Sustentabilidade Sindical, funciona como uma ferramenta de gestão e planejamento, com consultoria individualizada e acompanhamento técnico ao longo de todo o ciclo. O desempenho não depende da comparação entre sindicatos, mas da capacidade de cada entidade de evoluir dentro da sua própria realidade. É um desafio interno, que exige mudança de cultura organizacional e comprometimento com resultados”, afirma.

O Sindicato Protagonista opera com um sistema de pontuação que soma até mil pontos, distribuídos entre três eixos principais: atingimento de metas, execução de ações e cumprimento de prazos. A maior parte da pontuação (500 pontos) está vinculada às metas definidas pelos próprios sindicatos, com base em indicadores que refletem seus objetivos estratégicos. Cada entidade pode escolher entre três e cinco indicadores, além do PEM, que agora pontua obrigatoriamente.

Outros 350 pontos estão relacionados à execução das ações previstas no Plano de Sustentabilidade de cada entidade, enquanto os 150 pontos restantes consideram a qualidade e a pontualidade no envio de informações e evidências ao longo do ciclo.

Ao final do ciclo, em 2027, os sindicatos que atingirem pelo menos 750 pontos recebem o Selo Sindicato Protagonista, um reconhecimento institucional entregue até julho do ano seguinte. Além da visibilidade, as entidades contempladas recebem a bonificação financeira de R$ 7 mil, condicionada ao desempenho.

Novos indicadores

Para este ciclo, o projeto amplia o nível de exigência sobre a atuação dos sindicatos, ao incorporar indicadores que medem, de forma mais objetiva, a capacidade de organização, formação e renovação interna das entidades. Nos novos critérios passam a ser avaliados aspectos como o nível de capacitação da diretoria, por meio da participação no treinamento Líder S; engajamento feminino, com a exigência de formação de coordenadoras locais em pelo menos duas capacitações previstas pela Comissão Estadual de Mulheres da FAEP (CEMF); e presença de jovens no quadro de associados, considerando produtores com até 35 anos.

Outro ponto que passa a ser monitorado é a qualificação de representantes que atuam em conselhos municipais, a partir da participação no curso Cidadania e Política, do Programa de Sustentabilidade Sindical.

Além desses, o projeto mantém indicadores ligados ao número de associados, à presença feminina, à atuação em conselhos municipais e comissões técnicas, ao custo operacional das entidades, à abrangência dos cursos do Sistema FAEP, à execução do PEM e à oferta de serviços aos produtores.

De acordo com o gerente do Departamento de Relações Sindicais do Sistema FAEP, João Lázaro Pires, o objetivo é aproximar o sindicato da sua base e tornar a atuação mais efetiva na região. “Desde o primeiro ano do Sindicato Protagonista, a gente já notou que as entidades estão mais próximas do Sistema FAEP e do produtor rural. Isso fortalece a base”, afirma.

Projeto funciona como “divisor de águas” pelo Paraná

As transformações por meio do projeto Sindicato Protagonista refletem diretamente no cotidiano das entidades espalhadas pelo Paraná. Em Nova Londrina, com extensão de base em Marilena e Itaúna do Sul, o presidente do sindicato rural, Gilson Thimóteo Leitão, acredita que a iniciativa permitiu tirar projetos do papel e ampliar a atuação na região.

“Estamos satisfeitos com a parceria junto ao Sistema FAEP, que dá suporte e subsídios para que o nosso sindicato seja, de fato, protagonista. Foi um marco dentro da nossa entidade. A partir deste movimento, conseguimos transformar ideias em ações concretas que fortaleceram o nosso trabalho e ampliaram o nosso alcance”, destaca.

Segundo o dirigente, a participação no projeto resultou na adesão à Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), na implementação do programa Agrinho nas escolas municipais e na realização de ações sociais e eventos de mobilização. “Promovemos campanhas como o Outubro Rosa, realizamos o Dia do Produtor, que reuniu mais de 200 participantes, além de ações como campanha do agasalho. Também participamos de encontros estaduais que trouxeram ainda mais aprendizado. Tudo isso fez diferença na nossa atuação”, afirma Leitão. “O suporte do Sistema FAEP foi fundamental para que conseguíssemos avançar”, completa.

Em Ibiporã, a experiência também evidencia o processo de transformação. A presidente do sindicato rural, Florisa Satie Hoshino, relata que o projeto trouxe direção e segurança para decisões que antes eram marcadas por dúvidas.

“Foi um divisor de águas. A gente já fazia muitas ações, mas havia insegurança se estávamos no caminho certo. O projeto mostrou que estávamos, mas que era preciso avançar, com metas, orientação e acompanhamento mais próximo”, afirma.

Segundo ela, o acompanhamento técnico e a construção coletiva de metas exigiram mudança de postura e enfrentamento de desafios concretos, como a formação de turmas da ATeG e a ampliação do quadro de associados.

“Com persistência e direcionamento, conseguimos avançar. Isso deu mais visibilidade ao sindicato e fortaleceu nossa atuação”, relata Florisa.

A mobilização feminina também ganhou força no município. “Muitas mulheres passaram a se envolver ao perceber o movimento que estávamos construindo. Isso ampliou nossa base e trouxe novas lideranças”, conclui a dirigente.

Esse mesmo movimento se repete em outras regiões do Estado. Em Nova Santa Rosa, o projeto trouxe um olhar estratégico sobre a atuação do sindicato rural local, contribuindo para ajustes internos e expansão das ações.

“O projeto permitiu uma visão de fora sobre o que estamos fazendo e onde podemos melhorar. A iniciativa impulsionou mudanças importantes, como a criação da Comissão de Mulheres, a ampliação da equipe e o aumento na oferta de cursos”, relata o presidente da entidade, Erni Arndt.

Com essas medidas, o sindicato está crescendo em presença e visibilidade dentro da comunidade. “Pela primeira vez na história do município, fomos convidados pela Secretaria de Educação para participar do desfile de aniversário de 50 anos da cidade”, conta o dirigente.

Para Arndt, os resultados são fruto do planejamento conjunto e do fortalecimento do trabalho em equipe. “Essas e outras ações tiveram incentivo do Sindicato Protagonista. Passamos a planejar melhor e isso fez diferença nos resultados que alcançamos”, finaliza.

Inscrição

Para participar, os sindicatos precisam formalizar a adesão por meio do envio da Carta de Adesão ao Sistema FAEP (confira o regulamento no QR Code abaixo), assinada pela presidência, pela coordenação da Comissão de Mulheres (quando houver) e pela gestão da entidade. A participação implica compromisso com metas, prazos e execução do plano estratégico, além da disponibilidade de estrutura interna para acompanhar o desenvolvimento do projeto.

Sindicatos que ingressam pela primeira vez passam por um diagnóstico inicial, que serve de base para a construção do Plano de Sustentabilidade.

Primeiras edições modificaram a realidade dos sindicatos

Os números das edições anteriores do Sindicato Protagonista indicam que o programa tem provocado mudanças na estrutura e na atuação das entidades pelo Paraná. Os reflexos já podem ser percebidos na prática, dentro e fora dos próprios sindicatos.

No ciclo mais recente, iniciado em 2025 e encerrado em 2026, o projeto contou com a adesão de 105 sindicatos rurais. Ao longo do período, o número de associados saltou de 12.690 para 14.511, aumento de 14%.

A participação feminina também apresentou crescimento. O número de mulheres envolvidas nas estruturas sindicais passou de 3.493 para 4.290, avanço de 22%. Esse movimento está diretamente ligado à atuação da Comissão Estadual de Mulheres da FAEP, que hoje reúne 108 comissões locais.

Outro indicador relevante é o fortalecimento da presença institucional dos sindicatos. A participação em conselhos municipais aumentou de 375 para 394 representações, enquanto as indicações para comissões técnicas do Sistema FAEP passaram de 382 para 441. Na prática, isso amplia a inserção das entidades nos espaços de decisão e no debate de políticas públicas no meio rural.

O projeto também impactou a gestão interna. Houve redução de 9,5% no custo operacional, sinalizando ganhos de eficiência e melhor organização administrativa.

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