Dr. Antenor defende fim da escala 6×1 e convoca mobilização dos trabalhadores em audiência na Alep
Deputado participou de debate sobre redução da jornada de trabalho e afirmou que o momento exige ampliar a luta por melhores condições de vida para a classe trabalhadora
O deputado estadual Dr. Antenor (PT) participou, nesta terça-feira (10), de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) que debateu o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal. Promovido pela Bancada de Oposição, que é formada por parlamentares do PT e do PDT, o encontro reuniu trabalhadores, centrais sindicais, movimentos sociais e especialistas para discutir os impactos da atual jornada de trabalho na qualidade de vida da população.
Durante sua fala, o parlamentar destacou que a discussão sobre a jornada de trabalho está diretamente ligada à valorização da classe trabalhadora e à consciência de classe. Segundo ele, muitos parlamentares e setores da sociedade que hoje se opõem à mudança já foram trabalhadores com carteira assinada, mas se distanciaram dessa realidade.
“A pior dor que existe é a dor da falta de consciência de classe. A maioria aqui já teve carteira assinada, já foi trabalhador, mas esqueceu de onde veio”, afirmou.
Dr. Antenor também ressaltou o papel histórico do movimento sindical na conquista de direitos trabalhistas no Brasil e defendeu que a mobilização social continue sendo fundamental para avançar em novas garantias. Para o deputado, o momento atual representa uma oportunidade importante de transformação.
“Nós estamos com a faca e o queijo na mão para fazermos algo revolucionário mais uma vez na história deste país. O movimento sindical e a luta dos trabalhadores sempre estiveram na vanguarda das grandes mudanças”, disse.
O parlamentar ainda chamou atenção para as condições enfrentadas por trabalhadores em setores como comércio e serviços, especialmente aqueles submetidos a longas jornadas em shoppings e supermercados.
“Quem tem sensibilidade e olha nos olhos de quem está atrás de um balcão percebe o sofrimento. São pessoas que muitas vezes trabalham de domingo a domingo, obrigadas a sorrir enquanto enfrentam jornadas exaustivas”, afirmou.
Dr. Antenor também criticou o modelo de incentivos fiscais concedidos pelo governo estadual, argumentando que grandes empresas recebem benefícios bilionários enquanto trabalhadores enfrentam condições precárias de trabalho. Segundo ele, o Paraná já concedeu mais de R$ 150 bilhões em renúncias fiscais desde 2010.
Ao final de sua intervenção, o deputado reafirmou apoio ao modelo de jornada 5×2 e defendeu que o debate avance para além dos espaços institucionais.
“Sou a favor da escala 5 por 2 e contra a escala 6 por 1. Mas precisamos ir além deste debate aqui dentro. É preciso chegar à população, convencer mentes e corações e fortalecer a luta dos trabalhadores”, concluiu.
Debate reúne lideranças do movimento sindical e especialistas
A audiência pública contou com a participação de representantes de centrais sindicais, entidades de trabalhadores e especialistas em direito do trabalho. Entre os participantes estiveram o presidente da CUT-PR, Marcio Mauri Kieller Gonçalves; o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos e diretor da Força Sindical, Jamil Dávila; o presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação do Paraná, Ernane Garcia Ferreira; e Artur Bueno de Camargo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação.
Também participaram Josimar Luiz Cecchin, da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores da Alimentação da CUT (CONTAC); Geraldo Iglesias, secretário-geral para a América Latina da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação (UITA); o procurador do Ministério Público do Trabalho, Dr. Fabrício Gonçalves de Oliveira; a coordenadora do movimento Vidas Além do Trabalho (VAT) no Paraná, Eduarda Jankauskas; e os professores de Direito do Trabalho da Universidade Federal do Paraná Sidnei Machado e Noa Piatã Bassfeld Gnata.
A audiência ocorre em meio ao avanço do debate nacional sobre a jornada de trabalho e busca ampliar a discussão no Paraná sobre alternativas que garantam mais tempo para convivência familiar, lazer, estudo e cuidados com a saúde física e mental. Experiências nacionais e internacionais apresentadas no encontro também apontam aumento de produtividade em modelos de jornada reduzida.
