Há quem celebre ou torça fervorosamente para que Sergio Moro seja impedido de disputar as eleições por vias estritamente jurídicas ou burocráticas. Embora os processos legais tenham seu curso e devam ser respeitados, apostar todas as fichas na retirada do adversário antes do apito inicial é um erro estratégico e antidemocrático. A verdadeira superação do legado e das ideias que ele representa não ocorrerá por meio de uma inelegibilidade decretada em gabinetes, mas sim pela rejeição clara e soberana da população. Torcer para que ele seja “tirado do jogo” pode parecer um caminho mais fácil, mas nos priva da oportunidade de fazer o debate histórico necessário.
A direita governista quer eliminar qualquer chance que contraponha quem já está no poder. Nós, que divergimos frontalmente de seus métodos e de sua visão de Estado, não devemos temer o enfrentamento político. Pelo contrário: queremos a disputa no campo das ideias, no contraditório e na comparação de projetos. Derrotar uma figura pública no voto é a única forma de virar a página da história com autoridade incontestável, provando que a sociedade, de forma consciente, escolheu um caminho diferente. Vencer nas urnas desmantela a narrativa de perseguição e vitimismo, reafirmando que a política se resolve com diálogo e convencimento, e não apenas com decisões judiciais.
É preciso deixar claro que o grupo que está no poder está agarrado com unhas e dentes na estrutura do Paraná, seu projeto não é ideias, mas da manutenção de cargos e poderes para manter tudo apenas como está, sem avançar. Precisamos debater como o Paraná pode seguir em frente, continuar se desenvolvendo, criando emprego, renda e que todos possam cuidar de suas famílias da melhor maneira possível. Isso só é possível com o debate de qual Paraná queremos e não com a eliminação precoce de candidaturas. O Governador não é dono do Paraná.
Portanto, que o Moro seja candidato, se a lei assim permitir. Não buscamos atalhos, buscamos a legitimidade de uma vitória conquistada no corpo a corpo com a sociedade. A democracia se fortalece quando os opostos se enfrentam à luz do dia, permitindo que o eleitor julgue, compare e decida. Nossa aposta é na força dos nossos argumentos e na esperança de um futuro melhor, superando o adversário onde realmente importa e onde a decisão é definitiva: na cabine de votação, com a força do desejo do povo.
