Projeto de pesquisadora da Unicentro testa inovações para o tratamento do câncer de próstata
Objetivo desta etapa da pesquisa é compreender como ocorre a morte simultânea de células tumorais e observar sua interação com medicamentos
Uma pesquisa liderada pela cientista Rafaela da Rosa Ribeiro, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), está explorando uma abordagem inovadora para o tratamento do câncer de próstata: a morte celular coletiva. Esse processo, que busca eliminar simultaneamente células tumorais sem danificar tecidos saudáveis, surgiu a partir de descobertas feitas durante o doutorado da pesquisadora.
Ao estudar como a próstata reage à privação de testosterona, ela observou um tipo de morte celular nunca antes descrito, conhecido como descamação. “Durante o meu doutorado, estudei como a próstata reagia à morte celular quando tiramos o combustível dela, a testosterona, e descobri que elas acionam um processo de morte nunca descrito, que chamamos de ‘descamação’, onde várias células morrem simultaneamente”, explicou a pesquisadora.
O projeto ganhou força ao receber R$ 1,3 milhão por meio do Programa Conhecimento Brasil e do CNPq, permitindo a ampliação dos testes e da equipe. Ao longo dos próximos quatro anos, a pesquisa se aprofunda na compreensão da morte celular simultânea e na interação desse processo com diferentes medicamentos, abrindo caminhos para o desenvolvimento de tratamentos para cânceres sólidos epiteliais.
“Um investimento desse porte é essencial para o desenvolvimento de pesquisas experimentais que focam na inovação, já que as mesmas levam tempo para se desenvolver e necessitam de verba para compra de material, equipamentos e recursos humanos”, destacou a líder da pesquisa.
O objetivo desta etapa da pesquisa, com duração prevista de quatro anos, é compreender como ocorre a morte simultânea de células tumorais e observar sua interação com medicamentos. “Resolvi aprofundar esse conhecimento com uma proposta de projeto de pesquisa completo, que vai desde o entendimento, a avaliação e, futuramente, o desenvolvimento de uma forma de ativar esse processo em cânceres sólidos epiteliais”, contou.
A pesquisa envolve colaborações com universidades brasileiras e internacionais. Entre elas, a Universidade de São Paulo, com testes em camundongos modificados geneticamente; a Unicamp, que contribui com técnicas de microscopia e microdissecção; e a Universidade de Washington, nos Estados Unidos, onde são realizadas edições gênicas em células. Na própria Unicentro, o Laboratório de Sistemas Nanoestruturados Aplicados será responsável pela etapa final: o desenvolvimento de nanopartículas com fármacos capazes de ativar o processo de morte celular coletiva.
As expectativas são promissoras. Embora o foco esteja no câncer de próstata, Rafaela acredita que a abordagem poderá ser útil também em outros tipos de tumores, como o de mama. Entender esse mecanismo, segundo ela, é essencial para criar formas específicas de induzir a morte celular em tecidos doentes, contribuindo para tratamentos mais precisos e eficazes.
