Azul encerra voos em Guarapuava a partir de setembro
Companhia alegou aumento de custos operacionais, escassez de aeronaves e necessidade de ajustes de oferta e demanda
a Azul Linhas Aéreas anunciou, nessa quarta-feira (02), ao Gmais Notíciasque vai encerrar as operações no Aeroporto Tancredo Thomaz de Faria, em Guarapuava, a partir do dia 1º de setembro. Em nota oficial, a empresa alegou aumento de custos operacionais, escassez de aeronaves e necessidade de ajustes de oferta e demanda como motivos para a retirada da linha Guarapuava-Curitiba.
Conforme a publicação do Gmais Noticias, trata-se de uma decisão que, embora justificada por variáveis econômicas globais, pode representar um retrocesso preocupante para uma das cidades mais estratégicas do Centro-Sul. Mais do que um simples cancelamento de rota, o fim dos voos comerciais significa menor competitividade econômica, redução na atração de investimentos, enfraquecimento do turismo regional e isolamento logístico em um momento em que Guarapuava se destaca justamente pela sua crescente projeção no cenário estadual.
Desde sua implantação, a linha aérea entre Guarapuava e Curitiba vem cumprindo papel decisivo para aproximar o município dos grandes centros políticos e empresariais do país. É por ela que empresários garantiam agilidade nos negócios, autoridades transitam para encontros institucionais e estudantes e profissionais de diversas áreas evitam as longas e perigosas viagens por rodovias saturadas.
Segundo a Azul, “a companhia reavalia constantemente suas operações como parte de um processo normal de ajuste de capacidade à demanda”. A nota cita “o aumento dos custos operacionais da aviação, impactados pela crise global na cadeia de suprimentos e a alta do dólar”, além da “disponibilidade de frota” como fatores determinantes.
A Azul Linhas Aéreas entrou com um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, sob o mecanismo conhecido como “Chapter 11”, que permite a reestruturação financeira de empresas sem interromper suas atividades. A medida visa renegociar dívidas e obter financiamento adicional para superar dificuldades financeiras, incluindo os impactos da pandemia e a alta dos custos operacionais.
O que diz a Prefeitura de Guarapuava
Em nota, a Prefeitura de Guarapuava, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação, informa que está acompanhando com atenção o cenário enfrentado pela Azul Linhas Aéreas, empresa que atualmente passa por uma fase crítica no Brasil, devido a dificuldades financeiras e processo de recuperação judicial.
A prefeitura destaca que essa é uma questão nacional, que não se limita ao município de Guarapuava. A companhia já suspendeu voos em outras cidades e há possibilidade de que decisões semelhantes venham a ser tomadas em outras localidades, mesmo onde a operação apresenta bons indicadores, como é o caso de Guarapuava.
A nota informa que graças aos esforços da administração municipal, o município conseguiu ampliar significativamente a taxa de ocupação de voos, que hoje ultrapassa 60%, índice considerado positivo para a manutenção das atividades. Diz, também, que essa conquista é fruto de uma série de ações tanto da prefeitura quanto da ACIG e diversos movimentos empresariais, para fomentar o uso do transporte aéreo, atrair investimentos e melhorar a estrutura do aeroporto local.
No entanto, segundo a nota, a continuidade da operação da Azul não depende exclusivamente da prefeitura, já que se trata de uma decisão empresarial, influenciada pelo atual cenário econômico da companhia.
A prefeitura informa que, apesar disso, segue trabalhando para manter e expandir a conectividade aérea da cidade, e que já estão em andamento tratativas com outras companhias, como Gol e LATAM, para garantir alternativas de operação no município, independentemente da decisão final da Azul.
