Precisamos voltar a crer em algo

Fiz um grande esforço e hoje,  ao que  parece,   consegui escrever um texto um pouco menor. Estou satisfeito comigo mesmo e espero dar sequência a esta objetividade. Vamos aos fatos.  Na vida política, quando se quer qualificá-la, o mais sensato seria a postura de equilíbrio quanto de moderação, sem ‘ismos’, ‘rompantes’ e  sem ser adepto da polarização  infantil que um  grupo contra outro  grupo. O calcanhar de Aquiles está exatamente aí, pois ao assumir o posicionamento da qualificação com potencialidade de isenção  pela qualificação, desagradam-se aqueles que tem lado definido.

Aqueles que se ‘entregaram’ por pouco (e não são poucos) costumam destilar seu veneno àqueles que optaram pela crítica à política que está, questionando-os a dizer o que fariam se estivessem  no lugar dos governantes a quem criticam. Não foi a primeira e não será a última vez que colocam tal situação, nestes moldes: ‘desconstruir é fácil, quero ver fazer melhor’.  Dito de outra forma, perguntam (e isto é saudável e democrático): o que vocês fariam se estivessem naquele lugar, ocupando tais funções ?

Confesso que é difícil responder isto, mas como estamos no campo das possibilidades, vamos lá.  Uma resposta razoável seria: o que vocês fizeram  para chegar até aí? Um pouco mais. Uma pessoa decente só poderia aceitar um cargo público se este fosse oferecido naturalmente pelo entusiasmo daqueles que o conhecem e que acreditam em sua potencialidade, seja pelo voto, seja pela indicação.
Continuando a argumentação, diria também que não é crime algum ter posições diferentes, aliás é hiper saudável, além de necessário e pedagógico.

Sei que em nosso País, nosso Estado e nossa cidade, faltam cidadãos que ainda não existem concretamente. Assim, precisamos contar com os que temos. E para nossa surpresa, eles estão por aí, tal qual anjos invisíveis em fase de fecundação. Como escreveu Claudio Ulpiano, emérito Professor, ‘quando observamos uma onda, não percebemos que no fundo da onda ou constituindo a onda, estariam miríades de gotas, miríades de moléculas que a nossa percepção não apreende’. É por esta razão que ainda precisamos acreditar no mundo ao invés de acreditar em um outro mundo ou em um mundo transformado. Está cada dia mais distante ‘outro mundo’ ou ‘um mundo transformado’.

Os jornais e a grande imprensa, em overdose, não falam em outra coisa senão de propina, suborno, desvio de milhões ou ainda a famosa expressão do programa global denominado Fantástico – “cadê o dinheiro que tava aqui?”.

Ora, ninguém enriquece na vida política quando a compreende como a compreendiam antigamente. Falta-nos uma boa resistência no presente. Assim, se desse jeito não está dando certo, precisamos experimentar outras alternativas, pois como escreveu Deleuze ‘pensar é experimentar’.

Infelizmente, em nosso País só se pensa porque se é forçado e, ainda assim, o que tenho visto não é outra coisa senão radicalismo, polarização, agressividade e fanatismo. Como bem escreveu o psicanalista Jorge Forbes: “o choque de visões parece inviabilizar o diálogo”.Não podemos ter medo do futuro e, muito menos insegurança no presente, mas infelizmente, é bem isto que tem atingido milhões de brasileiros.

Precisamos urgentemente voltar a crer em algo. Acreditar no mundo é o que mais nos falta.  O filósofo francês Giles Deleuze havia profetizado que “acreditar no mundo significa principalmente suscitar acontecimentos, mesmo que pequenos, que escapem ao controle”. Este é o  desafio de final de ano.

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