Pelo fim da cultura do estupro em Guarapuava

Só em 2015, de janeiro a outubro, foram registrados, pela PM no município, 420 boletins de ocorrência de violência contra a mulher. Nesses registros estão inclusos os diversos tipos de violência familiar como física, psicológica, sexual, patrimonial e moral


 

 

Segundo o Mapa da Violência 2012, produzido pelo Instituto Sangari, Guarapuava ocupa a 96ª posição dentre os municípios brasileiros com maior índice de feminicídio. O cálculo é realizado levando em considerações, apenas os municípios que contavam com uma população de mais de 26 mil mulheres, segundo o Censo de 2010. Ainda segundo o estudo, o número de assassinatos de mulheres no país, o Brasil, de acordo com o Mapa, entre 1980 e 2010, foram assassinadas mais de 92 mil mulheres, sendo 43,7 mil só na última década.

33 homens, uma menina. Em entrevista ao Jornal Extra a secretária de Políticas Públicas para as Mulheres e vice-prefeita de Guarapuava, Eva Schran de Lima, revelou o repúdio que sentiu sobre o episódio. “Eu fiquei muito indignada, me causa uma indignação muito grande. Você olha uma sociedade com maioria mulheres, pessoas importantes, de valor, gente, ser humano e imaginar que ainda na sociedade tenham algumas pessoas, alguns homens que olham para a mulher e acham que ela é objeto e que podem fazer o que querem com ela”, comenta.

O caso que aconteceu no Rio de Janeiro, no último dia 25, não é isolado. Em Guarapuava, dezenas de mulheres são atendidas pela Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres por mês e casos como esse fazem com que a procura pelo órgão aumente e encoraje mais denúncias, segundo a secretária. “A procura na Secretaria é maior, porque, às vezes, ela está vivendo a situação, mas não acredita que vai acontecer algo pior. Quando casos como esse estouram nas redes sociais, na imprensa, ela procura ajuda”, revelou.

Como identificar um relacionamento abusivo?

Segundo a secretária, a mulher deve perceber os pequenos atos, as reações de ciúmes excessivos, controle de celular, senhas pessoais, palavras agressivas ou até mesmo a falta de cuidado. “A mulher precisa entender que ela tem o seu valor e como ela é importante. É preciso entender que se a pessoa com quem se relaciona não a respeita, é perigoso”, relatou.

Apoio da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres

A Secretaria de Guarapuava tem uma equipe multidisciplinar para atender todos os tipos de violência, assistente social, psicóloga e advogada, todas preparadas para receber as mulheres que se encontra em situação de violência. Eva explica que muitas vezes a mulher não sai da relação por uma dependência emocional e que na Secretaria ela encontra esse apoio. “É um atendimento sigiloso. Essa mulher pode ter um acompanhamento com a psicóloga pra que se fortaleça e saia do relacionamento”, revelou Eva.

Segundo Eva, a mulher não pode permanecer em situação de violência, hoje há organismos de políticas públicas que a defendem e que asseguram seus direitos. “Ela não está sozinha. O caso dela, muitas vezes, é o caso de muitas mulheres, por conta dessa sociedade machista que estamos inseridos”, esclarece a secretária.

Campanha contra o assédio

A Secretaria de Guarapuava, assim como as redes sociais, estão em campanha em combate de  todo tipo assédio contra mulheres. “Pedimos que não façam piadas com a mulher, quanto mais se repete mais isso se naturaliza. O discurso tem poder e muitas vezes, é lamentável, mas acontece e é feito pela família, pelo professor, pelo político. Isso tem que acabar, temos que construir uma sociedade que não faça isso com a mulher”, conclui a secretária de Políticas Públicas para as Mulheres.

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