Bullying não é brincadeira, é violência

Foto: Ilustrativa

Ações de conscientização nas escolas que estimulem o diálogo e as relações de respeito é o principal caminho para prevenir o problema

O caso registrado em Goiânia na última semana, de um aluno de uma escola particular de 14 anos que atirou contra os colegas dentro da sala de aula porque sofria bullying, reacendeu a discussão no país sobre o tema. Dois estudantes morreram e outros quatro ficaram feridos.

Apesar de parecer distante por ter ocorrido no centro-oeste do Brasil, o bullying é um problema de todos. Embora tenha sido incorporado ao dia-a-dia das escolas brasileiras há pouco tempo, os relatos de violência psicológica e física têm sido cada vez mais frequentes nas instituições de ensino.

Eliane Estrela, pedagoga do Colégio Estadual Padre Chagas, de Guarapuava, avalia que criar ações preventivas na escola, que estimulem o diálogo e as relações de respeito e empatia entre as crianças e adolescentes é o principal caminho para prevenir o bullying. “O primeiro passo da escola é ouvir os alunos, saber reconhecer e interferir diretamente nos grupos de alunos o quanto antes, para que a prática não continue”, explica.

De acordo com a pedagoga, o bullying se caracteriza por uma série de agressões intencionais, verbais ou físicas, que acontecem de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas com dificuldades em se defender. “As vítimas das humilhações agressões costumam ser as crianças e adolescentes mais inseguras, tímidas, com baixa autoestima e retraídas tanto na escola quanto em casa”, diz.

Conforme Elaine, geralmente o bullying deixa marcas negativas e dolorosas na vida de quem sofre, que vão das lembranças ruins do período escolar (que deveria ser uma época de boas recordações), e passam problemas de insegurança, autoconfiança, até transtornos psicológicos mais graves como síndrome do pânico e  depressão. “As consequências são graves, mas o apoio dos pais e da escola pode ser essencial pra reverter tudo isso”, diz.

Foto: assessoria Eliane Estrela, pedagoga do Colégio Estadual Padre Chagas

Mas a pedagoga ressalta que além de prestar o apoio aos alunos vítimas do bullying, é papel da escola trabalhar também com o aluno que agride. “Geralmente, o aluno que pratica o bullying tem um histórico familiar complicado, vem de um lar com problemas, não tem uma figura de autoridade em casa, e consequentemente não possui os valores que uma pessoa precisa ter para que saiba se colocar no lugar do outro, para que saiba respeitar as diferenças do outro. Em muitos casos, o agressor tem mais problemas que a vítima. Tudo é um reflexo do que a criança ou adolescente sofre em casa. Então, além do apoio ao adolescente que sofre bullying, a escola também precisa ir na fonte do problema e procurar alguma forma de ajudar a mudar o comportamento do agressor”, afirma Eliane.

De acordo com uma pesquisa do IBGE de 2016 sobre a saúde do estudante brasileiro, o número de casos de crianças e adolescentes vítimas de bullying cresceu. Os estudos apontam que quase a metade dos entrevistados já sofreu algum tipo de agressão ou humilhação no ambiente escolar. Em comparação com a pesquisa anterior, realizada em 2012, o número de alunos que se sentiram assim foi de 35,3% para 46,6%. Só no Paraná, 48,5% dos estudantes se consideram vítimas desse tipo de agressão.

Os números são alarmantes e podem ter tristes resultados, como o do caso de Goiania, mas eles são reversíveis. É preciso mais ações de conscientização e prevenção do problema. É preciso diálogo, dentro e fora da escola. De professores para alunos, de alunos para colegas, e principalmente, de pais para filhos.

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