Policial  

Números de bandidos mortos em confronto mostra o poderio de armamento dos criminosos

FOTOS. Divulgação

Dados do MP apontam que foram mortos 275 indivíduos em combate com a polícia, na sua maioria de jovens

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público do Paraná divulgou na última semana os números da violência no Paraná, que apontou a morte de 275 pessoas em confronto com as policias Civil, Militar e Federal. Deste total, 131 mortes ocorreram no segundo semestre do ano, quando houve ligeiro recuo em relação ao primeiro semestre, que fechou com 144 casos. Já na comparação do total de mortes entre 2017 e os anos anteriores, o quadro é o seguinte: em 2015, foram 247 casos, em 2016, 264 e neste último ano, 275.

O Gaeco tem entre suas funções o controle da atividade policial, a partir de informações repassadas pelas polícias Militar e Civil e pelas Guardas Municipais. Ele foi encaminhado ao secretário de Segurança Pública, ao delegado-geral da Polícia Civil e ao comandante da PM, para conhecimento. Entre os confrontos mais violentos que resultou em mortes ocorreram em abril/2017, onde seis assaltantes de bancos no Paraná, enfrentaram as policias no Norte do Estado. Os mortos estariam envolvidos no maior assalto da história a empresa Prossegur em Ciudad Del Este, no Paraguai.

O controle de mortes em confrontos pelo Gaeco está sendo feito desde 2015. De acordo com o MP, o levantamento permite o pronto acompanhamento dos casos pelas Promotorias de Justiça, em todo o Estado, de modo a assegurar a correta apuração das mortes e contribuir para diminuir a letalidade das abordagens e confrontos policiais. Pelos números apresentados a polícia matou uma pessoa a cada 28 horas no Paraná.

Enfrentamentos

Das 131 mortes registradas no segundo semestre do 2017, 125 ocorreram em confrontos com policiais militares, quatro com policiais civis e duas com guardas municipais. Considerando os 275 óbitos do ano, 263 foram em situações que envolveram policiais militares, seis com policiais civis e seis com guardas municipais. Das 275 mortes ocorridas em confrontos com policiais em 2017, 229 ocorreram em “situação normal de serviço” e 46 em situação de folga dos policiais ou guardas municipais. As mortes derivam de 236 eventos, isto é, situações de enfrentamento, significando que em algumas situações foi morta mais do que uma pessoa. Os confrontos ainda deixaram 236 feridos, um número 17% menor do que o verificado em 2016, quando foram anotados 284 feridos.

“A sociedade precisa compreender que estamos falando de mortes em confrontos entre policiais, que são agentes da lei, e marginais que roubam, sequestram, vendem drogas, estupram, torturam, ferem, matam. Bandidos perigosos que barbarizam aqueles que não podem se defender”.

Dois assaltantes morreram num confronto com a Polícia Militar no bairro Boqueirão em Guarapuava. Após roubarem uma caminhonete e troca de tiros. Na foram envolvidas cerca de cinco viaturas na perseguição policial

Em Guarapuava foram três confrontos

Na cidade de Guarapuava, no Centro-Oeste do Estado foram registrados dois confrontos entre as policias e os marginais, que resultou na morte de quatro pessoas. Numa outra ação isolada, um policial matou dois indivíduos, numa tentativa de assalto, quando o policial fazia uma caminhada no Lago, região central da cidade.

Foram registradas mortes em confrontos em 37 cidades paranaenses no segundo semestre do ano passado. Mantendo uma tendência já verificada no primeiro semestre de 2017, a região de Curitiba concentrou grande parte dos casos: foram 47, na capital; sete em São José dos Pinhais; cinco em Fazenda Rio Grande e em Piraquara; três em Colombo; dois em Araucária; e um em Almirante Tamandaré, Campo Magro e Pinhais. No interior, constatou-se no segundo semestre de 2017 13 mortes em Londrina; cinco em Maringá e em Cascavel; quatro em Guarapuava; três em Ponta Grossa, em Umuarama e em Quedas do Iguaçu e duas em Foz do Iguaçu e Pontal do Paraná. Com uma única morte, aparecem: Bandeirantes, Brasilândia, Cambará, Cambé, Cambira, Castro, Cianorte, Engenheiro Beltrão, Juranda, Mandaguaçu, Marquinho, Munhoz de Melo, Paranaguá, Salto do Lontra, São João do Caiuá, São João do Ivaí, São Miguel do Iguaçu, Toledo e Vera Cruz do Oeste.

Faixa etária

A faixa etária com mais vítimas de confrontos com policiais militares no segundo semestre de 2017 foi a de jovens com idade entre 18 e 29 anos, praticamente todos do sexo masculino. Elas correspondem a 76% do total de vítimas (portanto, três em cada quatro mortos eram jovens), um percentual maior do que o verificado no semestre anterior (63%). A faixa de 13 a 17 anos, que representava quase 11% no primeiro semestre, foi reduzida a menos que 6% no segundo semestre. E a faixa dos que tem idade entre 30 e 59 anos, que representava 25% no primeiro semestre, reduziu-se a 17% nos últimos seis meses do ano.

Em defesa da Polícia

Advogado Criminalista Cláudio Dalledone Junior, saiu em defesa da polícia do Paraná dizendo que os policiais não estão matando, mas sim trabalhando e respondendo a altura à ousadia e a periculosidade de marginais que barbarizam, agridem e ceifam vidas na sociedade todos os dias. “Temos um contexto social como pano de fundo. Como criminalista avalio que alguns indivíduos no desespero viram no crime como a última fronteira. Nestes casos, dificilmente você encontrará um assassino, um torturador, um latrocida, um estuprador, um agressor em potencial”, destaca o advogado. Os confrontos com a polícia acontecem com cidadãos com uma mente perversa, criminosa, não se coloca abaixo de nada, nem de ninguém. Mentes perversas, sociopatas, criminosas, acreditam estar acima até mesmo de Deus. “Vivemos uma fase onde as facções criminosas fortalecem suas políticas de crime e tornam muitos estados brasileiros reféns de seu poder paralelo, bandidos que agem com extrema frieza e agressividade letal contra tudo e contra todos. Onde até os policiais são alvos potenciais”, observou. Alertando que na maioria das ocorrências a polícia não é recebida por bandido com flores, é recebida à bala, tiro de pistola, de fuzil, de escopeta, metralhadora, frisou.