Policial  

Governo do Paraná alerta para tráfico de pessoas

FOTOS: Divulgação

No Estado, 86 casos estão sob investigação, num comércio que movimenta bilhões anualmente, onde as mulheres e crianças são as maiores vítimas

A Secretaria de Estado da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos reforçou o alerta durante as festas de carnaval, do aumento dos crimes que envolve tráfico de humanos. São ocorrências de trabalho análogo à escravidão e prostituição (79% dos casos), mas também de adoção ilegal, servidão doméstica, casamentos à revelia e para remoção de órgãos. Onde mulheres e crianças são as principais vítimas dos traficantes de pessoas, indica relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), sendo que as primeiras são a maioria do total de escravos modernos.

O número de vítimas em todo o mundo chega a superar 2,5 milhões por ano e movimenta US$ 32 bilhões. Segundo informações da ONU, 86% desse volume provém da exploração sexual de mulheres e meninas, e que 58% das aliciadoras são do sexo feminino.

“Esse tipo de crime é propiciado por propostas fáceis e enganosas de trabalho e fica mais comum durante o Carnaval, época em que existe uma maior circulação de pessoas”, disse o secretário estadual da Justiça, Artagão Júnior. Segundo ele, é preciso que a população fique atenta, pois o tráfico humano está presente em todos os lugares e faz parte do cotidiano, e está mais perto do que se pensa.

MULHERES

Dados das Nações Unidas revelam que as mulheres jovens, na faixa de 18 a 21 anos, solteiras e com baixa escolaridade, são o alvo principal das redes de aliciamento que operam no Brasil nesta época do ano. Muitos aliciadores são empresários que atuam em diferentes negócios, como agência de modelos, casas de espetáculos, comércios, agências de encontros, bares, agências de turismo e salões de beleza. As vítimas deste tipo de crime são, em geral, mulheres, homens, crianças e adolescentes que se encontram em situação de vulnerabilidade social e são seduzidos por falsas propostas de emprego e melhorias das condições de vida.

CRIANÇAS

Outra situação que facilita o tráfico humano é que para muitas famílias que trabalham na informalidade, usam as festas carnavalescas como oportunidade para reforçar a renda. É comum a presença de crianças e adolescentes em locais de trabalho temporário. Silvia Cristina Xavier, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Paraná, faz o alerta: “Não podemos deixar que a falta de oportunidade, de formalidade laboral e o fato de não haver local para deixar seus filhos façam com que as famílias coloquem suas crianças em situação de maior vulnerabilidade. É dever do poder público orientar e fiscalizar e, para isso, contamos com a colaboração da população”.

Casos reais

Em 2011, o brasileiro, Nacip Teotônio Pires (48), foi preso com mais quatro comparsas, em Nova Jersey, no Estados Unidos, acusado de ser o responsável pela entrada ilegal no país de centenas de imigrantes, provenientes principalmente dos estados do Paraná e de Goiás. Segunda a denúncia da Justiça Americana, as mulheres eram obrigadas a trabalhar em clubes de striptease ou como prostitutas para pagar a passagem.

O Brasil faz parte da Talitha Kum a rede “Um Grito pela Vida”, da qual fazem parte cerca de 150 religiosas de diversas congregações. Freiras se passam por prostitutas para resgatar mulheres vítimas do tráfico de pessoas. Presentes em mais de 70 países, elas se infiltram em bordéis e tentam ajudar garotas mantidas à força nesses locais. As religiosas também juntam dinheiro para “comprar” crianças vendidas como escravas, desenvolvem programas de prevenção em escolas e oferecem acompanhamento e proteção dentro das suas casas a mulheres resgatadas do tráfico.

Fundada em 2009 pela União Internacional das Superioras Gerais (UISG), em colaboração com a União dos Superiores Gerais, Talitha Kum é a Rede Internacional da Vida Consagrada Contra o Tráfico de Pessoas. O nome da rede vem do Evangelho de Marcos. É a expressão usada por Jesus para reavivar a filha de Jairo, comumente traduzida do aramaico por: “Menina, eu te digo, levanta-te”.

DENUNCIE

Em caso de suspeita, a denúncia poderá ser feita de forma anônima pelos telefones 100, 181 e 180. Qualquer fato estranho e que chame a atenção, como uma proposta de emprego fácil no Exterior para ganhar muito dinheiro ou trabalho temporário com alta remuneração, pode ser denunciado às polícias Civil, Militar e Rodoviária.

O Paraná investiga 86 casos de tráfico de pessoas. São dezenas de inquéritos em andamento, e muitos deles envolvem mais de uma vítima. Os dados, de janeiro a junho de 2017, são do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas no Paraná, vinculado à Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos.