Saúde

Transtorno mental ou depressão já afeta mais de 350 milhões de pessoas

FOTO: Reprodução Ela chega de mansinho, com pouco barulho, assim como quem não quer nada. Ela entra sem bater, como uma formiguinha que aproveita qualquer espaço para adentrar. Num dia, você acorda triste, desanimado. No outro, bate uma sensação de vazio e uma vontade incontrolável de chorar, sem qualquer motivo aparente. Tem dias que você sente como se carregasse o mundo todo e ele tentasse escapar pela garganta. A depressão é assim, um mal silencioso e ainda mal compreendido até mesmo entre os próprios pacientes. Considerada um transtorno mental afetivo, ou uma doença psiquiátrica, a depressão é caracterizada pela tristeza constante e outros sintomas negativos que incapacitam o indivíduo para as atividades regulares, como trabalhar, estudar, cuidar da família e até passear. Sabrina Oliveira, 17 anos, sofre de depressão desde os treze e conta que não é fácil superar a doença. Sempre bem animada nas rodas sociais, ela esconde o sofrimento e desaba quando chega em casa, Você sente-se sempre inútil, não sente nem vontade de comer ou levantar da cama. É como se você não significasse nada, parece que nunca vai fazer falta, aí entra o pensamento de suicídio, você automaticamente pensa: Pra que continuar vivendo se nada dá certo? Se ninguém se importa?, e quando você se pergunta se algum dia vai ser feliz de verdade, a resposta soa automaticamente um ‘não’. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2020 a depressão será a principal doença mais incapacitante em todo o mundo. Isso significa que quem sofre de depressão tem a sua rotina virada do avesso. Ela deixa de produzir e tem a sua vida pessoal bastante prejudicada. Na maioria dos casos, quem sofre de depressão deixa até mesmo de realizar a higiene pode se tornar uma crítica condição de saúde. Ela pode causar à pessoa afetada um grande sofrimento e disfunção no trabalho, na escola ou no meio familiar. Na pior das hipóteses, a depressão pode levar ao suicídio. Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, sendo essa a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos. A doença não atinge apenas quem a possui, mas também aos amigos, familiares e pessoas envoltas em seu círculo de convivência. Mas a depressão nem sempre é evidente. Quem sofre de depressão, na maioria das vezes, não demonstra o que está passando, muitas vezes, é até a pessoa mais animada das rodas sociais. OLHO Muitas vezes você acaba por descontar toda a sua mágoa, angústia, tristeza em si mesmo, porque a dor física nunca vai se comparar a dor interna que você está sentindo, Sabrina Oliveira. REALIDADE GUARAPUAVANA   A central de jornalismo obteve com exclusividade dados do Centro de Atenção Psicossocial (CAPSII), de Guarapuava, que possui uma equipe de profissionais qualificados, que atende casos de saúde mental. Em 2018 foram registrados mais de cem casos de pessoas atentaram contra a própria vida, com a confirmação de seis óbitos,  com maior  incidência  entre os homens. De acordo com a psicóloga e coordenadora do CAPS, Carla Silveira Batista Lauer, em números mundiais a mortes de forma violenta acontece entre os homens, já nas ocorrências envolvendo mulheres, são pelo uso de venenos ou remédios. Nós percebemos que em 2018 houveram casos de reincidência, que nos obrigou a criarmos um grupo de trabalho, de atenção e apoio a esses pacientes. Que faz um trabalho de grupo uma vez por semana, explicou Carla. A psicóloga Carla alerta para os números de pessoas com transtorno mental e propícias ao suicídio em Guarapuava, onde somente pelo CAPSII estão entre quatro a seis mil pacientes atendidos. Esses são números pelo CAPSII, mas ainda existem outras unidades de atendimento para dependentes químicos. Os números são alarmantes, infelizmente. Estamos com várias temáticas num trabalho em grupo para podermos atender essa população de uma maneira mais eficiente, frisou. Tipos e sintomas Um episódio depressivo pode ser categorizado como leve, moderado ou grave, a depender da intensidade dos sintomas. Um indivíduo com um episódio depressivo leve terá alguma dificuldade em continuar um trabalho simples e atividades sociais, mas sem grande prejuízo ao funcionamento global. Durante um episódio depressivo grave, é improvável que a pessoa afetada possa continuar com atividades sociais, de trabalho ou domésticas. Uma distinção fundamental também é feita entre depressão em pessoas que têm ou não um histórico de episódios de mania. Ambos os tipos de depressão podem ser crônicos (isto é, acontecem durante um período prolongado de tempo), com recaídas, especialmente se não forem tratados. Transtorno depressivo recorrente: esse distúrbio envolve repetidos episódios depressivos. Durante esses episódios, a pessoa experimenta um humor deprimido, perda de interesse e prazer e energia reduzida, levando a uma diminuição das atividades em geral por pelo menos duas semanas. Muitas pessoas com depressão também sofrem com sintomas como ansiedade, distúrbios do sono e de apetite e podem ter sentimentos de culpa ou baixa autoestima, falta de concentração e até mesmo aqueles que são clinicamente inexplicáveis. Transtorno afetivo bipolar: esse tipo de depressão consiste tipicamente na alternância entre episódios de mania e de depressão, separados por períodos de humor normal. Episódios de mania envolvem humor exaltado ou irritado, excesso de atividades, pressão de fala, autoestima inflada e uma menor necessidade de sono, bem como a aceleração do pensamento. Fatores que contribuem e prevenção A depressão é resultado de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Pessoas que passaram por eventos adversos durante a vida (desemprego, luto, trauma psicológico) são mais propensas a desenvolver depressão. A depressão pode, por sua vez, levar a mais estresse e disfunção e piorar a situação de vida da pessoa afetada e o transtorno em
  1. Há relação entre a depressão e a saúde física; doenças cardiovasculares, por exemplo, podem levar à depressão e vice e versa.
Diagnóstico e tratamento Existem tratamentos eficazes para depressão moderada e grave. Profissionais de saúde podem oferecer tratamentos psicológicos, como ativação comportamental, terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia interpessoal ou medicamentos antidepressivos. Os provedores de saúde devem ter em mente a possibilidade de efeitos adversos associados aos antidepressivos, a possibilidade de oferecer um outro tipo de intervenção (por disponibilidade de conhecimentos técnicos ou do tratamento em questão) e preferências individuais. Entre os diferentes tratamentos psicológicos a serem considerados estão os individuais ou em grupo, realizados por profissionais ou terapeutas leigos supervisionados. Os tratamentos psicossociais também são efetivos para depressão leve. Os antidepressivos podem ser eficazes no caso de depressão moderada-grave, mas não são a primeira linha de tratamento para os casos mais brandos. Esses medicamentos não devem ser usados para tratar depressão em crianças e não são, também, a primeira linha de tratamento para adolescentes. É preciso utilizá-los com cautela. FONTE: Portal Raízes