Política

“Investir em infraestrutura rural é levar qualidade de vida ao homem do campo e com isso evitamos o êxodo rural, gerando empregos e renda, numa questão a ser repensada pelos gestores públicos”, prefeito de Candói, Gelson Costa

Gelson Costa deverá concluir em 2020, oito anos de mandato eletivo na cidade de Candói (Foto: João Muniz)

Por João Muniz

   A cidade de Candói vem passando por um período de transformações nos últimos sete anos, com conquistas históricas para população. Sob a gestão de Gelson Costa o município foi elevado a um salto na qualidade de vida aos cidadãos e infraestrutura. Apontado como um dos municípios mais bem avaliados em gestão pública pelo Firjan, entre os 399 do Paraná. A nossa reportagem conversou com exclusividade com o gestor. Confira alguns tópicos da entrevista.

Jornal Extra- Qual é sua avaliação destes sete anos de mandato e quais conquistas considera como destaque?

Gelson Costa- Avalio que uma gestão pública é feita de erros e acertos, onde tivemos a felicidade de fazer uma gestão mais aprimorada, para isso se fez necessário diagnosticar alguns entraves. Neste período conseguimos implantar um dos maiores programas de regularização fundiárias de terrenos urbanos e rurais do Estado. As parcerias foram importantes nestas conquistas com o governo do Estado, ITCG e ADEHASC. Onde considero um problema crônico da maioria das cidades, que uma gestão deveria focar, porque vai anos para uma regularização, com isso damos mais tranquilidade aos proprietários de terras e lotes. Também tínhamos deficiências no setor administrativo e finanças da prefeitura, desde o lançamento de tributos que não eram cobrados, inclusive em áreas turísticas que não contribuíam com impostos básicos, como taxa de lixo, IPTU, alvarás, entre outros. Por meio de um levantamento técnico conseguimos ajustar e tornar mais justo para população. Entre as maiores ações que considero relevante para chegarmos aos resultados alçados foi reverter o que vinha acontecendo no município no passado, numa política de gestão em mais de 20 anos, que vinha executando obras públicas e demandas da comunidade somente com recursos via financiamentos. Que gerou um custo maior para população que arcava com taxas de juros pagos via tributos públicos municipais. Pagamos R$ 2,6 milhões de financiamentos de gestões anteriores e não fizemos novos aportes. Hoje o município tem a capacidade de adquirir créditos dos governos e no mercado financeiro na ordem de R$ 10 milhões. A nossa meta primeiro é arrecadar os recursos e levantar as demandas da comunidade, nas áreas de Saúde, Educação, Agricultura e Infraestrutura, priorizando as ações. Um exemplo foi a construção da Creche no distrito da Lagoa Seca com mais de R$ 1 milhão de investimentos com recursos próprios. Foi uma ordem que invertemos que é trabalhar com recursos em caixa. Para isso cortamos gastos desnecessários dentro da prefeitura, entre eles, cargos e altos salários. Nos sete anos de governo nós já temos a seis com as prestações de contas aprovadas pela Tribunal de Contas do Paraná.   

Jornal Extra- Na sua gestão algumas estradas que ligam a cidade ao interior foram pavimentadas. O que faltou a outros gestores que não obtiveram esse resultado?

Gelson Costa- Nós usamos duas palavras como meta, que é planejamento e gestão. Em Candói 53% da população vive no campo, destes, 90% são médios e pequenos produtores. Esse agricultor e sua família também precisam de bom atendimento na Saúde, Educação e Infraestrutura adequada. Nos dias atuais até a internet está chegando no campo. Levar a infraestrutura ao interior é uma necessidade e conseguimos isso com a pavimentação asfáltica, que muitos não acreditavam, onde executamos quase 150 quilômetros de estradas que foram pavimentadas, destas, 28 Km com asfalto. Foram milhões investidos que está dando uma melhor condição de trafegabilidade, valorização das propriedades, melhor deslocamento e até mesmo para salvar uma vida em questão de minutos num socorro médico. Considero que investir em infraestrutura rural é levar qualidade de vida ao homem do campo e com isso evitamos o êxodo rural, onde muitas famílias quando deixam a lida na agricultura acabam migrando para áreas suburbanas das cidades criando um problema social e crônico. Gerar empregos e renda no campo é uma questão a ser repensada pelos gestores públicos. Segurar essa pessoa na sua propriedade dando a mesma condição de acesso aos serviços públicos das pessoas que moram na cidade é fazer uma gestão de igualdade para todos. Até porque esse agricultor fortalecido gera renda e fomenta a economia do município. Na nossa gestão já são 20 tratores traçados e 338 implementos agrícolas repassados para associações de agricultores. Foram investidos R$ 5,2 milhões somente neste programa que atendeu 43 associações, beneficiando diretamente centenas de famílias de pequenos agricultores. Dificilmente esses agricultores teriam condições de adquirir maquinários até com GPS, máquinas que tem auxiliado a produzir mais e com menores custos.

Jornal Extra- A sua gestão deu visibilidade ao que é produzido no município e qual percentual disso é consumido localmente?

Gelson Costa- Olha! Como te falei anteriormente o caminho foi dar ao homem do campo as mesmas condições das pessoas que moram no centro a área urbana da cidade. Conseguimos proporcionar com algumas políticas públicas um resultado automático ao comércio local, onde o agricultor passa a ter uma diversidade de produção e vendas dos seus produtos, como peixes, produtos oriundos das agroindústrias, apicultura, entre outras atividades. Quando assumimos tínhamos duas agroindústrias e hoje são 15 micros e pequenas empresas. Como destaque temos a produção de Charque que eleva o nome do município a nível nacional. Ao todo já chegamos a 70% do é produzido nestas agroindústrias, que são consumidas no próprio município, além de um percentual que vai para merenda escolar. São 1,7 mil crianças que recebem refeições e lanches diariamente. Destaco que 70% dos recursos para compra desses alimentos são próprios, com isso fechamos um ciclo da produção a infraestrutura necessária aos agricultores.

Jornal Extra- Qual avaliação e resultados das edições da Festa Nacional do Charque?

Gelson Costa- Nas edições da festa do Charque tivemos como foco a visibilidade e expressão cultural, que proporcionou ao município um destaque regional, estadual e nacional. O Charque sempre foi um produto de alimentação, desde os tropeiros que no passado paravam no município, para depois seguir viagem a outras regiões do Estado e no país. Atrelado a isso vem uma identidade cultural e econômica. Desde 2013 são várias parcerias via Agência do Trabalhador, Cantuquiriguaçu, Sebrae, Emater, governo do Estado e outras instituições para tirar profissionais e empresas da informalidade, que também ganharam identidade, visibilidade e notoriedade com a festa do Charque.

 “O governo do Estado construiu o Centro de Especialidades Médicas em Guarapuava e esqueceu de perguntar aos gestores públicos municipais se teriam recursos para subsidiar os atendimentos, em especialidades médicas que é de sua obrigação”.

Jornal Extra- Qual sua opinião sobre a fusão de Consórcios de Saúde?

Gelson Costa- Diferente de outros gestores eu tenho uma opinião de questionamentos. Considero um prejuízo ao município quando o Estado deixa de cumprir suas obrigações, como de oferecer a população serviços de especialidades médicas. É preciso ter a consciência que junto ao consórcio vem os custos de infraestrutura, manutenção, profissionais habilitados, máquinas e salários. Pela 5ª Regional de Saúde são 420 mil habitantes atendidos em quatro consórcios: Assiscop, Cisgap, CIS Pitanga e CIS Centro Oeste. Quantidade de consórcios numa regional não quer dizer que temos todos os serviços oferecidos. É preciso avaliar a proximidade e se é interessante para município A ou B. Penso que a unificação vai trazer prejuízos aos municípios, porque tirar um paciente lá da costa da Linha Gonçalves em Porto Barreiro para trazer a Guarapuava, quanto vai custar isso a população? Não seria mais cômodo levá-lo a Laranjeiras do Sul para ser atendido? No caso de descentralizar os consórcios, eu pergunto porque que o município de Candói teria que arcar com esses custos? No passado um secretário estadual de saúde comentou que é uma vergonha ter quatro consórcios numa regional e eu o questionei, que ele deveria agradecer aos municípios por estarem gastando milhões em exames e consultas que seria de responsabilidade do Estado. Candói gasta hoje R$ 0,21 centavos da renda per capita, com a unificação vamos gastar mais de R$ 0,60 e o que teremos de diferencial no atendimento, nenhum! Porque os mesmo três médicos especialistas endocrinologistas vão continuar fazendo esse trabalho. A lógica é simples, quantos especialistas e laboratórios temos para atender as demandas dos municípios e quantos passaremos a ter com a unificação? A diferença está na estrutura de quanto é gasto hoje e quanto vamos gastar em recursos municipais na nova estrutura. Considero um equívoco do Ministério Público quando cobra que o município faça adesão a unificação, não observando os custos e logística. Porque não questiona a responsabilidade do Estado, indiferente se outros gestores não questionam isso e o faço, pois tenho que defender os interesses da população ao qual represento. Se for para pagar mais caro para oferecer a população de Candói o mesmo serviço prestado atualmente, a unificação se torna inviável.     

Jornal Extra- Os prefeitos estão tendo uma importância fundamental na conquista do Hospital Regional e Aeroporto de Guarapuava. Qual sua opinião sobre isso?

Gelson Costa- De suma importância aos municípios da região e vai beneficiar a todos, mesmo tendo como sede a cidade de Guarapuava. Porque não é só construir e comprar equipamentos, mas é preciso ter recursos para cumprir com a manutenção e salários. Acredito que o governo do Estado terá um desafio enorme, porque a área de saúde tem custos altos, se faz necessário e é essencial a população. Agora, espero que o Estado banque esses custos e não faça como fez no Centro de Especialidades, onde construiu uma estrutura e agora passa a responsabilidade dos custos aos municípios. Antes de iniciar as obras não foi perguntado aos gestores se tinham interesse e teriam recursos para bancar a atual estrutura. A proposta apresentada seria que o Estado seria o gerenciador do Centro. Espero que tanto o Hospital e Centro Oncológico tenha a presença do governo do Estado. É claro que com essas estruturas vão diminuir viagens com pacientes para outras regiões, além de ser mais confortáveis a pessoas em tratamentos e familiares. Na questão do Aeroporto acredito que vá beneficiar as cidades inseridas a longo prazo, principalmente ao setor empresarial e agropecuarista.  

Jornal Extra- Há 12 meses de concluir seu mandato o que a população pode esperar ainda da sua gestão?

Gelson Costa- Nossa meta é continuar com a conclusão de algumas obras e melhorias na área urbana, onde avançamos bastante nesses sete anos. Hoje estamos um ponto acima da meta do governo federal no índice IDEB, no passado estávamos dois pontos abaixo na educação básica, onde temos um cenário diferente e otimista. Para isso foram 80 novos professores contratados via concurso público. Na Saúde atingimos índices satisfatório pela população, mas precisamos avançar ainda na área de saneamento básico, como também de água tratada, onde temos no município comunidades com demandas e necessidades. Fechamos algumas metas com a Sanepar que deverá aplicar R$ 10 milhões em investimentos em nova ligações e uma nova estação de elevação. Destes, cerca de R$ 3 milhões será nesta gestão e os demais em gestões futuras. Temos demandas em galerias pluviais, como exemplo no distrito de Lagoa Seca. Temos algumas ruas em bairros a serem concluídas com pavimentação asfáltica. Ações de melhorias em parques e áreas de lazer. Quero deixar o setor administrativo e financeiro municipal em dia, enxuto e com todos as condições para que meu sucessor possa continuar nesta caminhada de dar qualidade de vida a população candoiana.