Economia

Alteração de valores na tarifa da água gera protestos de usuários

Foto: Divulgação (imagem ilustrativa)

  Os primeiros dias de 2019 começaram com notícias amargas aos consumidores. Em Guarapuava foram dezenas de manifestações nas redes sociais com denúncias e reclamações encaminhadas a central de jornalismo do Jornal Extra Guarapuava, dando conta que a Companhia de Abastecimento de Água e Esgoto do Paraná (Sanepar), teria alterado a forma de cobrança mínima, que saiu de 10 metros cúbicos para cinco metros, com isso os valores das tarifas básicas tiveram variação astronômica. A nossa reportagem foi campo apurar os fatos. Em nota o setor de comunicação da Sanepar justifica que são vários os fatores para o aumento do valor cobrado na tarifa, entre elas estão visitas que famílias recebem no período de final de ano, como também faxinas, o uso indiscriminado de piscinas e vazamentos. O gerente em exercício, Adão Alison Slompo garantiu que a equipe na unidade central está atendendo e revendo caso a caso. Infelizmente as pessoas generalizam nas redes sociais. É bom lembrar que quando o hidrômetro está girando sem nada estar ligado dentro de casa ou empresa, ele está avisando que algum vazamento pode estar acontecendo. Nesses casos depois que o usuário comprovar que consertou o vazamento, os valores de consumo podem ser revistos, com desconto nas próximas faturas, explicou Adão. De acordo com ele existe uma diferença de consumo entre as pessoas terem uma piscina fixa e cadastrada na Sanepar, com aquelas piscinas infláveis que as pessoas compram para as crianças brincarem. Ao utilizar essas piscinas infláveis, muitas vezes até de mil litros de água, o usuário acaba pagando o valor consumido com os valores inclusos da taxa de esgoto. Que certamente altera em muito o valor fixo mensal. O mesmo caso acontece na limpeza geral das casas e até mesmo ao lavar os carros, com a água tratada, observou ele. Esclarecendo que não houve alteração alguma na medição de metros cúbicos, como algumas pessoas estavam afirmando nas redes sociais.  
A Sanepar possui normativas, onde o usuário pode construir uma piscina fixa e pagar somente pelo consumo da água, com desconto na taxa de esgoto. Na questão obras na residência é solicitado uma fiscalização e analisado caso a caso.
  VILÕES NO CONSUMO A Sanepar alerta que a água de uma piscina de cinco mil litros seria o suficiente para abastecer uma família de até quatro pessoas por 15 dias.  Já as piscinas plásticas há duas dicas essenciais para quem quiser contribuir e evitar desperdícios. Uma delas é cobrir a piscina quando ela não estiver sendo utilizada e outra é aproveitar a água da chuva. Na questão de vazamento, o morador deve fechar todos os registros dentro de casa e observar se o ponteiro do hidrômetro continua girando. Caso isso aconteça o correto é chamar um profissional qualificado para identificar possíveis vazamentos e consertá-lo. Outro vilão é lavar o carro em casa, utilizando água tratada, onde o usuário acaba pagando pelo consumo da água, mais taxa de tratamento de esgoto sanitário. O boleto da água pesou no bolso dos consumidores do Paraná como em nenhum outro estado nos últimos dois anos e meio. Uma recente pesquisa da Proteste, uma associação de defesa do consumidor, atentou para algo que se via em uma dimensão menor. Nenhuma outra companhia de saneamento básico reajustou tanto as tarifas de água e esgoto quanto a Sanepar. AUMENTOS NA TARIFA O Portal Tribuna e Gazeta do Povo haviam divulgados recentemente levantamentos apontando que a tarifa subiu espantosos 126% de janeiro de 2016 a agosto de 2018, ante uma inflação de 11% no período – números medidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Um valor que não cessará por aí, já que a companhia tem outros reajustes agendados para os próximos anos. O maior aumento na conta foi em março deste ano, com a tarifa de água 5,12% mais cara e, novamente, acima da inflação nos 12 meses anteriores, de 3,18%. Em 2017, a mudança na forma como a tarifa era calculada também impactou o consumidor. Nos próximos sete anos, a tarifa deve continuar em escalada, já que a agência que regula a atividade da empresa no Paraná, a Agepar, permitiu no ano passado o reajuste escalonado de 25,5% para oito anos. A medida atinge em cheio o bolso dos 11 milhões de moradores do Estado, em 345 cidades, atendidos pela companhia de capital misto. De janeiro de 2016 a agosto de 2018, tarifa de água subiu 126%, enquanto a inflação no período foi de 11% COMUNIDADE FALA As reclamações também aconteceram de forma intensa nos programas dos apresentadores, Robo Logo e Oliveira Urgente, da TV Humaitá. A Dona Vera Lúcia do bairro Trianon disse que a média da conta era de R$ 90, com obras na rua que gerava muito pó, com a utilização de mais água para limpeza, que agora as últimas faturas saltaram para R$ 190. Ela que mora com mais uma pessoa e que tem feito reclamações para Sanepar, mas sem uma justificativa. Barbara Macedo comentou que sua tarifa de água saltou de R$ 60,00, para R$ 370,00, que alternativa que a Sanepar apontou seria que ela parcelasse os débitos. Que não foi encontrado vazamentos na sua residência, onde vive com uma pessoa adulta e mais duas crianças. Carlos Zaluski do bairro Vila Carli se diz indignado com os valores que foram alterados na sua tarifa de água, saltando de R$ 138, 00 para R$ 222,91. Na sua última conta de 13/01/2019, registrou 24 m³.