Edição 80 Coluna do Márcio Nei

RB Brasil reacende a discussão sobre os nomes das equipes

No último final de semana tivemos o início dos campeonatos estaduais por todo o Brasil, mas o assunto que vou tratar, surgiu no final do mês passado, quando as equipes ainda faziam seus últimos ajustes de pré-temporada, em jogos-treinos e amistosos.

Na partida Palmeiras x Red Bull Brasil, o canal SporTV, que pertence ao grupo da Rede Globo, alterou o escudo da Red Bull, suprimindo o nome da marca e nomeando o time de RB Brasil durante toda a transmissão, o que causou revolta nas redes sociais e até chamou mais a atenção para a marca do que se o nome e a logomarca fossem veiculados normalmente.

O mesmo expediente é adotado nas transmissões da fórmula 1, do vôlei, do basquete, do futsal, entre outros. Resumindo: toda a equipe que utiliza alguma marca em seu nome é rebatizada, sem cerimônias, nas transmissões globais, para não haver 'publicidade gratuita'.

Aqui em Guarapuava temos um exemplo bem claro da política da empresa: na Liga Futsal do ano passado, o Poker/Guarapuava Garden Shopping/Óleo Leve Futsal foi chamado apenas pelo nome da cidade. O nome fantasia não é nem mesmo citado em nível regional, pela RPC TV, afiliada da Rede Globo.

Nete contexto, o prejuízo para as marcas é incalculável, pois a exposição dos nomes na Rede Globo (e/ou de seus canais de assinatura) seria um impulso considerável para os patrocinadores. No caso do futsal, não tenho a menor dúvida, que seria muito mais fácil conseguir apoiadores se houvesse a certeza da divulgação das marcas no maior veículo do país. Teríamos clubes mais fortes, campeonatos mais competitivos e um número bem menor de atletas (de diversos esportes) sem patrocínio.

A discussão é antiga. O técnico PC de Oliveira (ex-Corinthians e Copagril, atualmente no Futsal Brasil Kirin/Sorocaba) deu uma declaração interessante sobre o assunto: “A minha preocupação hoje são os clubes e as empresas que estão com investimento alto durante muito tempo e lutando para ver a sua marca.

Eu tenho que sentar com essa mesa aqui no SporTV e dizer: 'Meu amigo, você não pode chamar o meu time de Marechal Cândido Rondon. Com todo respeito a cidade, o meu time chama Copagril'. Você não pode permitir que uma empresa determine o nome do seu time, porque não recebe dinheiro, isso é um absurdo! Os clubes precisam estar fortes nesse momento,” opinou.

É um assunto bastante polêmico e que não deve ter uma mudança de panorama tão cedo. Apesar de tudo, a Rede Globo tem o direito de aplicar sua política de mercado, mesmo que acabe prejudicando clubes, atletas e competições, em nome do dinheiro.

Mas o que me deixa mesmo 'pê da vida' é quando assisto no Globoesporte ou no Esporte Espetacular, matérias com atletas ou clubes que passam por dificuldades, com a falta patrocínio. Aí colocam uma musiquinha triste no fundo, atletas chorando e transformam os empresários nos grandes vilões da história. Menos hipocrisia, por favor!

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Márcio Nei

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