Uma história alvinegra

Na saudosa década de 80 vários episódios de pessoas vinculadas ao Guarapuava Esporte Clube (GEC) e muitas histórias interessantes aconteceram. Umas delas contarei aqui.

A equipe profissional do GEC deslocou-se até Curitiba para enfrentar o poderoso Coxa do Alto da Glória, jogo este válido pela Loteria Esportiva. A motivação dos atletas e diretores era enorme, pois o nome de Guarapuava estava vinculado na mídia de todo o Brasil. A viagem foi realizada um dia antes, com ônibus leito, tudo no “planejado” ou como dizem por ai “tudo nos conformes”. Ficamos instalados num bom hotel no centro da capital e na manhã de sábado, no dia do jogo, os noticiários já destacavam e apontavam a vitória fácil do verdão coxa branca contra o alvinegro guarapuavano.

Esse comentário deixou nossos atletas revoltados pela falta de respeito da imprensa da capital. “Quem é o GEC na ordem do dia?” Exclamavam os torcedores do Coxa. Mas a história estava para acontecer. Almoçamos, deixamos o hotel e nos deslocamos para o estádio Couto Pereira, que a maioria dos nossos jogadores nunca tinha pisado no seu gramado. Nossa Comissão Técnica era formada pelo técnico João Guimarães (Joãozinho), ex-goleiro do Grêmio Oeste nos anos 70. Assim como os preparadores físicos Clarel e Luis Carlos Porciúncula, mais os irmãos e diretores Abrão e Elcio Melhem, além do médico, o saudoso Dr. Elói Pimentel. Chegamos ao vestiário e a tensão foi aumentando. Ouvíamos os barulhos da torcida nas arquibancadas. Nós jogadores só nos olhávamos e víamos na face de cada um o nervosismo, principalmente os mais jovens. Mas a coisa mudou quando subimos os degraus para adentrar ao gramado.

Entramos todos, o mais rápido possível e começamos a nos movimentar com bastante intensidade para nos aquecer, pois era um dia nublado, chuvoso e frio. Foi ali que senti que a história e o dia estavam do nosso lado. Foi uma partida soberba de todos os atletas e jogamos os noventa minutos sem medo do adversário que tinha como estrela o goleiro Jairo, o zagueiro uruguaio Taborda e o atacante Lance. No apito final a vitória estava no nosso lado: 1 x 0 com gol de Joãozinho. O teste 506 da Loteria Esportiva, no jogo quatro deu coluna dois como saiu no Fantástico de domingo: zeeeeebraaaaaa!

Os diretores invadiram o gramado, o entusiasmo era válido, e na empolgação Abrão discutiu com os policias que faziam a segurança do estádio e esses saíram na caça do nosso diretor, que saiu em disparada, mas quando sentiu que não conseguiria escapar se jogou no chão, desfalecido. Foi quando chegou para socorrer o médico e amigo Dr. Elói que exclamou que o companheiro sofria do coração e que estava tendo um enfarte. Prontamente fez os primeiros socorros com massagem cardíaca como não se recuperava os movimentos a preocupação e a culpa passou agora aos policiais com medo de um final trágico. Os policiais, nervosos, exigiram que o Dr. Elói fizesse respiração boca a boca, mas este sabedor da astúcia do seu amigo se negou, foi quando um policial se prontificou de fazer tal ato. Foi aí que aconteceu, digamos, um milagre repentino. Abrão abriu os olhos e disse a primeiras palavras: “Onde estou?‘‘. A calmaria foi geral. Educadamente os policiais se retiram do ambiente, aliviados por nada de trágico ter acontecido.

Após esta confusão começamos a festa e as risadas pelo fato ocorrido. Chegamos a Guarapuava com buzinaço no trevo e grande carnaval com fogos de artifícios. Tudo isso para saudar os heróis da cidade naquele dia histórico. Essa foi uma história alvinegra. “Eu vi e vivi”.

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