Sonho distante

Há pouco mais de um ano da realização dos Jogos Olímpicos no Brasil, o sonho do futsal se tornar uma modalidade olímpica parece cada vez mais distante. Já é certo que não teremos o “futebol de salão” nas Olimpíadas do Brasil: a decisão foi tomada em 2012 e a promessa era de que o COI (Comité Olímpico Internacional) e a FIFA (Federação internacional de Futebol) discutiriam a inclusão da modalidade no futuro. No entanto, não houve avanço. E pior: é cada vez mais evidente que não haverá acordo entre as duas entidades.

Este sonho olímpico, inclusive, parece ser a grande obsessão da modalidade (pelo menos em nosso país). A esperança era que o salonismo poderia crescer, ganhando outro status, caso fosse incluído no programa olímpico. Com os próximos Jogos no Brasil, havia a esperança da inclusão, mas o quadro político parece dificultar cada vez mais esta transformação, deixando o velho sonho cada vez mais distante.

Desde que a FIFA assumiu o futsal, havia a expectativa que a força da entidade fortaleceria a modalidade de tal modo, que a inclusão olímpica seria inevitável. Porém, a tutela da FIFA, apesar de fazer a modalidade se disseminar e crescer, trouxe uma questão política que transformou o futsal em uma “moeda de troca”.

O problema é o seguinte: a Copa do Mundo de Futebol é um evento tão grande que rivaliza com os próprios Jogos Olímpicos, em número de anúncios e quantidade de transmissões (o Super Bowl, realizado nos EUA, também se destaca, superando os dois eventos, segundo a revista Forbes). E é justamente por este motivo que a FIFA prefere não levar o futebol “profissional” para as Olimpíadas.

Como bem sabemos, por determinação da FIFA, só podem participar, no torneio do futebol olímpico, jogadores com menos de 23 anos de idade. A entidade máxima do futebol entende que se o futebol fosse “profissionalizado”, a Copa do Mundo perderia seu brilho, pois aconteceria, praticamente, de dois em dois anos e não de quatro em quatro. No final das contas, a questão acaba sendo financeira: a FIFA poderia lucrar tanto com a Copa do Mundo, se um torneio semelhante acontecesse entre as Copas? É bem provável que não.

E onde o futsal entra nesta história toda? Pois bem: o COI reivindica que os grandes astros do futebol possam jogar os Jogos Olímpicos e uma forma de pressão é, justamente, vetar o futsal (e o futebol de areia) do programa olímpico. É o famoso “uma mão lava a outra”: no dia em que a FIFA permitir que jogadores com idade acima de 23 anos participem, não tenha dúvidas que o COI terá a maior boa vontade com o futsal e com outras modalidades que a FIFA indicar.

Resumindo: visto que as chances da FIFA permitir o futebol profissional nas Olimpíadas são praticamente nulas (já que poderia resultar em prejuízo grande monetário), não devemos ver o futsal nas Olimpíadas tão cedo. Infelizmente.

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