Nos embalos de sexta à tarde, terceira idade bota pra quebrar

Alegria e disposição é o que não falta para os 150 idosos, em média, que comparecem ao bailinho promovido pelo Grupo da Terceira Idade São Miguel, no Bairro Santana.

Embalados pelo ritmo gauchesco, eles dançam, conversam, paqueram, namoram e se divertem muito, nas tardes de sexta. Tudo regado a chimarrão e suco. Pedro Ferreira (79), aposentado, ao lado da esposa, não perde o baile por nada. “Pra mim [o bailinho] é muito bom. Gosto muito de dançar. Danço aqui [na sexta] e sábado e domingo danço nos outros clubes, também”, diz.
(Foto: Luca Soares / Extra) Casal diz que a dança é um exercício

Sua companheira de todas as horas, a pensionista Tereza de Jesus Ferreira (69), diz ter encontrado na dança um ótimo exercício para o corpo. Os dois frequentam juntos os bailes da terceira idade da cidade. “Ela é minha segunda esposa, e dá certo de a gente gostar das mesmas coisas”, diz o aposentado. “Todo fim de semana 'nós tamo' dançando por aí”, acrescenta a pensionista.

O Objetivo do grupo, ao promover as tardes musicais, é trazer os idosos para a vida, e não deixá-los em casa esperando a morte, como conta Sueli Prates (55), idealizadora do projeto, que já teve até casamento. Pessoas com 70, 80 e 90 anos provando que o amor não tem idade para acontecer.
(Foto: Luca Soares / Extra) Coordenadora: 'Graças ao Padre Ari Marcos realizei meu sonho'

Além de fazer bem para o corpo, pois é um ótimo exercício, a dança faz bem para a mente. Para Prates, que é agente de saúde, a dança é uma qualidade de vida para os idosos. 'Enquanto os postos estão cheios de pessoas [idosas] carentes, não é doença é carência [o que eles têm, segundo ela], aqui, eles encontram música e a música é a cura da alma', diz.

O relacionamento interpessoal, que o bailinho promove, acaba colaborando para uma melhor qualidade de vida, principalmente, nessa faixa etária onde os idosos costumam ser deixados de lado, e muitas vezes, até abandonados pela família. O grupo tornou-se uma família para eles.
(Foto: Luca Soares / Extra) O convívio social melhora a autoestima dos frequentadores do baile

De acordo com Prates, no começo, a autoestima deles era muito baixa. “Eles chegavam muito acanhados, se sentindo inferior a outras pessoas. A gente trabalha pra autoestima deles crescer. Sempre digo que eles são lindos e maravilhosos, e que eles têm que acreditar neles. A partir disso, a vida deles começa a mudar. Isso não dinheiro que pague”, diz emocionada a coordenadora.

Sueli Prates conta que era um grande sonho, para ela, realizar esse projeto, mas, devido a realidade da falta de apoio, nunca conseguiu concretizá-lo. Foi com a ajuda do Padre Ari Marcos Bonna, Pároco da Igreja Santana, que o sonho virou realidade. “Era um sonho que eu tinha. Eu corri muito atrás. Graças ao padre Ari eu consegui realizar”, conta.

Para quem quiser participar, e tiver mais de 45 anos, o bailinho é toda sexta, das 14 às 17 horas.

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