Nem o melhor e nem o mais equilibrado

Nos últimos anos, difundiu-se a ideia de que o Campeonato Paranaense de Futsal, Chave Ouro, é o mais equilibrado do país. As duas primeiras rodadas do estadual, no entanto, demonstram o contário: um abismo técnico entre as quatro equipes da Liga Futsal (Guarapuava, Cascavel,Umuarama e Copagril), mais as equipes do Cresol/Marreco (Francisco Beltrão) e do Keima Futsal (Ponta Grossa), em relação às outras. Estes seis times fizeram grandes investimentos e começaram suas pré-temporadas bem mais cedo que as demais. Isso reflete nos resultados iniciais.

A ideia que de o futsal paranaense é o mais forte do país também não se sustenta. Um exemplo foi a participação do Guarapuava Futsal na Taça Brasil de Clubes. O time teve bom desempenho nos dois primeiros jogos, mas na partida decisiva, quando teve que decidir vaga com o Futsal Brasil Kirin-SP, acabou goleado por 6×0 (mesmo resultado que eliminou os guarapuavanos na Liga Futsal 2014, contra a Intelli, em Orlândia-SP).

O número de equipes na Liga Futsal também não sustenta a afirmação de que o nosso campeonato é o mais forte. Neste ano temos quatro times paranaenses, mesmo número de gaúchos, um a menos que os paulistas e dois a menos que os catarinenses.

Outro sinal de alerta, para o futsal de nosso estado, foram os torneios de pré-temporada. Nas três competições em que participaram times paranaenses da Liga Futsal (Taça Nacional, Torneio de Verão de Rio do Sul-SP e Copa Cataratas) os títulos ficaram com equipes gaúchas (Atlântico Erechim, Assoeva e Carlos Barbosa, respectivamente). Assim, levando em conta o poderio técnico e o número de equipes na Liga Futsal, podemos concluir que o Paraná é, no máximo, a quarta força do futsal nacional.

Este é um quadro que não se reverterá do dia para a noite. Há alguns anos o Paraná não consegue se destacar nas competições nacionais e isso só pode ser revertido com um trabalho de reestruturação que cabe, não só aos clubes, mas a Federação e a todos os envolvidos com o futsal paranaense.

Dois grandes passos já foram dados neste sentido. O Cascavel Futsal e a Jaclani (empresa de Marechal Cândido Rondon) adquiriram franquias próprias na Liga Futsal. É de extrema importância que as demais equipes busquem suas vagas próprias, para não depender de acordos com os franqueados.

Outro movimento, vindo da FPFS, pode render frutos futuramente: a criação da vice-presidência de Desenvolvimento Esportivo e Captação de Recursos. Nos arbitrais das Chaves Ouro, Prata e Bronze, o vice-presidente, Carlos Zaremba, apresentou um projeto consistente de crescimento do futsal estadual, a médio/longo prazo. Se as coisas vão mesmo acontecer como previsto é difícil de prever, mas já é uma primeira ação em busca de uma excelência.

E esta é a grande questão: buscar a excelência. Isso vale para clubes, federação, atletas, técnicos, diretores e imprensa. Só seremos realmente competitivos quando todos buscarem este objetivo. Só depende de nós.

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