Estamos engessados?

A doença não é tão incurável assim e o inferno que estão pintando pode ser menos cinzento e, quem sabe, deletado por uma maioria ainda silenciosa.  Todavia, ‘ainda’ um número expressivo de pessoas em nosso país tem preferido conviver com o estado de tolerância de que é impossível mudar o que foi traçado pelo sistema ou pelas pessoas que se dizem representar o sistema, compactuando com a tese de que a melhor alternativa é administrar nossa revolta com o ressentimento subjetivo. Não gosto daqueles que ruminam, prefiro aqueles que agem.

Por outro lado, um percentual significativo de cidadãos brasileiros iniciam um exercício de repulsa e ojeriza (nojo) em relação ao momento político brasileiro e suas ações autocráticas.  Há uma matéria prima disponível para um grande protesto, para uma grande revolta, mas mesmo assim o que se vê é uma depressão a tudo o que se diz por participação efetiva. Há insegurança sobre a forma de agir.

Todos nós estamos relativamente furiosos e impacientes.  O estado de fúria se dá naqueles momentos que entendemos que as coisas poderiam ser diferentes do que são ou quando há razões para acreditarmos que estamos sendo lesados por intervenções tipicamente de homens e mulheres desqualificados e não comprometidos com aquilo que deveria ser transparente e público.

Não se fica furioso com uma tragédia natural, uma doença incurável ou com a morte convencional, mas é bastante natural ficar possesso com o encaminhamento da economia nacional que impõe o que quer, de uma   administração suspeita e de um  direcionamento de novas maquinações políticas.

Estamos sem respostas e ao que parece a motivação para questionamentos está ainda adormecida. Admitamos ou não nossos atuais Executivos do Governo Federal e Estadual traduzem bem o momento de incongruência que aí está, mesmo eleitos pela maioria dos votantes em condições conhecidas.  Portanto, o que está acontecendo não é um acidente qualquer e os mesmos não são ‘peixes fora d'água’.

O fato é que não se envergonham de consolidar uma política de custo-benefício em primeiro lugar e de circunstâncias em segundo lugar, justificando o injustificável e defendendo o indefensável. Estaremos atentos ao destino da Grécia e sobre a escolha que os gregos fizeram nesta última eleição. É  como se gregos quisessem dizer assim: “não podemos acreditar que a situação do mundo parece como se nada possa acontecer ou ser mudado”.

O momento é  de observação participante. Aqui, há pouca esperança, pois a carnificina tem vindo em doses cada vez maiores. É incrível, mas as pessoas se preparam para o pior e tentam naturalizar um novo modus vivendus que implica em viver com menos água, menos energia, menos salário, menos lazer, menos oportunidade, menos perspectiva, menos democracia e também menos participação.

O Brasil e o Paraná estão sendo notificados por ações que de longe lembram sensatez e verdade.  Trata-se de uma cobrança injusta que, sem exemplo algum, mantém ainda o estado suspeito de corrupção, de tráfico de influência e de alianças promíscuas, subestimando nossa capacidade cognitiva.

Tais gestores e arautos da máquina pública, via fórceps, anunciam péssimas notícias e se escondem atrás de um véu cínico de que tudo isto é imprescindível e se dá para, em um futuro próximo, manter benefícios sociais ‘concedidos’ por almas boas.

Chamo isto de golpe de astúcia e uma maquinação política sem escrúpulos onde o valor é determinado por circunstâncias quaisquer com poucos princípios. Querem tudo, inclusive que as coisas transitem sem conflitos e resistências. Ora, sabemos que os que têm o poder ganham quando não há conflitos e há estabilidade. Até quando aguentaremos?

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