Direito sobre o corpo?

Quem somos nós para “escolher” pelo paciente? Por exemplo, a religião, a opção sexual, a posição do parto, a realização de um procedimento invasivo? Não estou dizendo aqui, que devemos contrariar condutas profissionais ou tratamentos indicados! Mas só acho que o paciente precisa saber tudo o que será feito com ele… Recebi uma sugestão de tema e abracei a ideia de falar sobre o direito sobre o corpo.

Nós escolhemos trabalhar com gente…que tem identidade, história e opiniões…não cuidamos de um pé, uma mão ou uma cabeça. Já vi muitos profissionais atenderem o paciente “da ferida”. Por exemplo, aprendi que enfermagem é a arte de cuidar, a arte de pegar na mão, de olhar no olho. Profissionais incapazes de cuidar sem julgamentos não deveriam estar nessa área.

Na área da saúde não se admite preconceito, racismo, ofensa, descaso…ou pelo menos não deveria ser permitido…pois profissionais insensíveis ou incompetentes “queimam” a classe como um todo.
O doente precisa ser ouvido, necessita de orientação. Todo indivíduo tem direito de saber o que faremos em seu corpo.

Também não estou aqui questionando leis que de certa forma tiram o direito do paciente sob si mesmo.
Só estou fazendo um alerta aos profissionais: “Ei, você cuida de seres humanos, não de um pedaço de carne, ou de um equipamento”. É muito fácil se mecanizar. É difícil tentar sentir a dor do outro. Isso chama-se empatia.
Na prática, imagine você em um leito hospitalar, pessoas entrando e saindo do quarto, apagando e acendendo as luzes na madrugada, colocando a mão em seu corpo, tirando sua roupa e te dando banho, enfiando agulhas em suas veias, administrando drogas em sua corrente sanguínea.

Como se sente alguém que está com dor e não é ouvido? Alguém que evacua em uma fralda ou perde urina sem controle, ficando todo molhado em sua região genital? Imagine o desconforto que o paciente tem quando permanece horas e horas em uma mesma posição e não tem forças para virar de lado.

Se você fosse o paciente, quantas seriam suas dúvidas? Você sente vontade de dizer “não, eu não quero isso!”, e mesmo assim, pessoas te seguram, penetrando em sua uretra um “caninho” relativamente grosso para eliminação de urina.

Sabemos que muitos procedimentos são necessários para manutenção das condições vitais de um doente hospitalizado. Mas o ser humano merece ser tratado com dignidade, com respeito, com amor.
Profissional de saúde: cuide do seu paciente como quer que cuidem do seu pai ou da sua mãe.
Mas a dor, a angustia, o medo…você saberá quando o paciente for você.

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