Caso Felipe Ribeiro: Família não aceita a tese de suicídio

Felipe vinha tendo conflitos emocionais com a mãe biológica, que o abandonou na infância e não o reconhecia como filho

Passado alguns dias da morte do soldado João Felipe Ribeiro (20), dentro das instalações do 26º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC), em Guarapuava, a família hesita em aceitar a tese, que o jovem teria cometido suicídio, disferindo um tiro de espingarda calibre 12 contra seu peitoral. O incidente ocorreu na manhã do domingo (4), por volta das 8h30, quando o soldado cumpria escala de serviço militar.

Dona Noêmia Farias, é casada, tem três filhos legítimos e 5 filhos adotivos, entre eles João Felipe. “O Dudu era uma pessoa amorosa, muito tranquila, brincava o tempo todo, não da para aceitar que ele tenha cometido suicídio”, lamentou ela. Dizendo que adotou ele com 4 anos, que nunca escondeu quem era sua mãe verdadeira, o que ela fazia. “O sonho dele era morar com sua mãe biológica, mas ela nunca o aceitou, fato este que muitas vezes o deixava magoado”, afirmou Dona Noêmia.


Felipe Ribeiro (20) era tido pela família
adotiva como uma pessoa extrovertida
e com muitos amigos. Ele era evangélico.

Foto: Divulgação

Distorção dos fatos

Ela disse estar muito triste, pois além da perda de um filho querido de forma trágica, vem sofrendo com as notícias divulgadas em alguns órgãos de imprensa, que estariam distorcendo os fatos, alguns querendo atribuir culpa a ela e seu esposo pelo ocorrido. “Poucas pessoas sabiam que ele era filho adotivo, algumas rádios disseram que a mãe era culpada pelo suicídio, só não explicaram qual mãe. Eu estou com minha consciência tranquila, porque eu e meu marido criamos nosso filho com muito amor e carinho”, desabafou.

Abandono

A reportagem do Extra Guarapuava entrevistou com exclusividade alguns familiares do soldado. Sua irmã biológica, Bruna Juliana (21), que também foi criada pela Dona Noêmia comenta que ele vinha se desentendendo com sua mãe biológica. “Horas antes de iniciar o trabalho ele participou de uma festa no Gresca, onde a nossa mãe biológica estava presente”, afirma ela.

A jovem disse que considera como mãe a Dona Noêmia, quem a criou, que vendeu até um terreno para sustentar a família. “Eu só peço para que as pessoas respeitem nossa dor, não fiquem falando sem conhecer os fatos, nós em momento algum nos recusamos em falar com imprensa”, reiterou a jovem. Segundo relatos, no momento do ocorrido João Felipe estaria em companhia de outro soldado, com quem teria comentado que iria tirar a sua vida, por estar decepcionado com a mãe biológica. A reportagem tentou contato com o comando do 26º GAC, responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM), mas não obteve retorno. Atualmente cerca de 700 jovens prestam serviço militar no quartel de Guarapuava.


Dona Noêmia Farias, na foto com irmã
biológica de Felipe. Ela com esse esposo
adotaram e criaram 5 crianças, entre elas,
Felipe e a irmã Bruna. Foto: João Muniz de Oliveira/Jornal Extra

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