Aprendi muito com o novo Ministro

O novo Ministro da Educação poderá ser uma grande surpresa.  Renato Janine Ribeiro, Filósofo, Professor prestigiado da USP, participou indiretamente de minha tese, sugerindo algumas referências e abordagens filosóficas. Aprendi muito com ele.  Acompanho sua produção acadêmica há mais de 15 anos, tendo lido todos seus livros e alguns de seus artigos.
Sempre admirei sua conduta acadêmica e suas posições políticas. Em muitas delas, me inspirei. Diz o que pensa,  não se esconde e se entrega quase sempre à sinceridade filosófica e a boas causas.
Nós Professores sempre nos espelhamos em outros Professores e quase sempre temos a dignidade de reconhecer esta dádiva. Aprendi com ele que discutir política sem fanatismo ou radicalismo continua sendo sempre a melhor opção, sobretudo quando isto é resultado de convicção, conhecimento e diálogo com pessoas abertas ao melhoramento da esfera pública.
Foi com ele que aprendi que ‘política quer dizer que não existe um lado totalmente certo e outro totalmente errado’. Trata-se de uma grande verdade, pois ideologia também é ‘interpretar em certo sentido’.
Mês passado, publiquei nas redes sociais algumas críticas feitas pelo novo Ministro ao Governo Federal e, em especial, à Presidente Dilma. Em uma delas afirmava que a Presidente desconsiderava prestar contas à sociedade, sugerindo por parte da Presidente uma infeliz atitude autoritária.
Convidado para assumir o cargo mais importante da educação em nosso País e questionado sobre seus últimos posicionamentos independentes, foi claro: “não considero que aderi ao governo” e sim “fui convidado para desempenhar um papel e para contribuir”. No mesmo ritmo declarou com sensatez: "se você faz críticas e é convidado a tentar resolver problemas que criticou que direito tem de recusar?".
Por esta razão faço aqui um elogio àqueles que com conhecimento e postura plural continuam, a seu modo, participando da vida pública, repensando instituições e formas de organização social com ‘espírito aberto’. Não é fácil fazer isto em uma sociedade que, nitidamente, optou por preferências individuais ao invés de um projeto coletivo de país.
Acredito que, apesar do suspeito momento, Renato fará coisas que poucos fizeram e uma delas está no campo de aproximar cultura de educação. Esta sua obsessão tem sentido, pois o divórcio entre cultura e educação fez muito mal para o País. O aprendizado como prazer é muito superior ao aprendizado como dever.  Foi Nizan Guanaes, publicitário na essência que escreveu: “… na crise, cresce quem têm saídas e não só queixas”.
Temos muito que aprender com o novo Ministro e, ao que tudo indica, Dilma também aprendeu, sobretudo ao nomear alguém que não deixou de ser brasileiro cívico,

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