Aos trancos e barrancos

Esta Copa do Mundo do Brasil está surpreendendo em diversos aspectos. Em sua grande maioria, de forma muito positiva, apesar do clima de pessimismo que se instalou antes do início do mundial. Pode até não ser a 'Copa das Copas', mas, convenhamos, há muito tempo não tínhamos um torneio tão emocionante, com tantos gols, com tantas zebras e com as seleções apresentando um futebol de alto nível. Para quem realmente aprecia do esporte bretão, a Copa do Mundo de 2014 está sendo um prato cheio. Pena que a nossa seleção insiste em realizar testes cardiológicos na torcida, como no último sábado, quando passou nos pênaltis pela boa equipe do Chile.

Para muitos (e eu me incluo neste pensamento), o grande problema da equipe é a parte emocional. Jogar em casa, em vez de ser um trunfo, se transformou em uma pressão muito grande. Um fardo pesado para um time que tem, entre suas principais peças, jogadores com 22 anos de idade (Neymar e Oscar). Para piorar a situação, o descontrole emocional dos jogadores mais experientes, como Thiago Silva, é evidente. Por sorte (mesmo se mostrando abalado, tão qual nosso capitão) o goleiro Júlio Cesar garantiu a classificação pegando dois pênaltis e fazendo uma grande defesa no segundo tempo. Júlio também mostrou que tem muita estrela, pois contou com a trave em duas ocasiões para salvar a Seleção.

Ouvi, em um canal de TV, uma excelente constatação sobre esta Copa: a de que as outras equipes aprenderam a jogar como o Brasil. Antigamente tínhamos adversários pragmáticos, que marcavam muito e com pouca qualidade técnica em seus ataques. Hoje o que se vê são adversários atacando bem, partindo pra cima com muita qualidade. Diria que os europeus nunca foram tão brasileiros como hoje em dia. É o preço do sucesso.

Mas vou um pouco além nesta análise. Se temos nossos adversários 'abrasileirando' sua maneira de jogar, temos uma Seleção Brasileira cada vez mais com cara de time europeu. Atacantes, como Oscar e Hulk viraram marcadores. Nosso setor mais produtivo é a zaga. E para completar, estamos jogando 'feio', de uma forma que não jogávamos. Do jeito que as coisas estão indo nesta Copa, vejo um Brasil com 'cara' de Itália: aquele time que até tem bons jogadores, mas faz apenas o necessário para vencer pelo placar mínimo. E desse jeito, se 'arrastando', vai avançando até as fases finais.

Pode ser que o título venha, mesmo com o time jogando mal, como jogou contra o Chile. Mas o que todos realmente gostariam de ver é o Brasil jogando solto, ofensivo, dando espetáculo para os torcedores. Para muitos, vencer por meio a zero já está bom, mas pela história e por tudo o que representa a Seleção Canarinho, poderíamos levar menos sustos nesta caminhada.

Não sei se será possível reverter este 'jeitão' que o time assumiu na Copa. Mas se não der para mudar que, pelo menos, alcancemos o título no estilo copeiro de Felipão. Jogando feio, mas com a terminando com a taça na mão. E, assim, seguimos com os exames cardiológicos em dia.

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