Guarapuava acima da média paranaense na quantidade de médicos

FOTO. Noeli Almeida

Paraná tem 2,09 médicos por mil habitantes, sendo clínica médica e pediatria as especialidades com maior número de profissionais

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), divulgou nesta semana os números sobre a quantidade de médicos que prestam atendimento à população nos setores públicos e privados. Na avaliação dos conselhos de medicina de todo país, baixo número de profissionais decorre da falta de políticas públicas para fixação em municípios mais distantes e regiões menos desenvolvidas.

A Secretaria Municipal de Saúde informa que o município de Guarapuava conta 289 médicos, sendo que 72 desses fazem parte da rede pública de atendimento. E em toda a região, de acordo com dados da 5ª Regional de Saúde, o quadro de médico é composto por 426 profissionais.

Para o diretor da 5ª Regional de Guarapuava, Márcio Brunsfeld de Oliveira, o número de profissionais que atendem a população é representativo. “Temos um quantitativo bom em Guarapuava e região. Principalmente nas cidades polo de nossas três microrregiões  (Guarapuava/Prudentópolis, Pitanga e Laranjeiras do Sul) Boa parte dos profissionais atendem particular, Hospital e SUS”.

Atualmente a área de saúde no município de Guarapuava é gerida por quatro consócios intermunicipais,  o Cisgap (Consórcio Intermunicipal de Saúde de Guarapuava) que atende Guarapuava, Pinhão e Turvo, o CIS Centro Oeste (Consórcio Intermunicipal do Centro Oeste), que desenvolve atendimentos à saúde da população em treze municípios da região, a Assiscop (Associação Intermunicipais de Saúde do Centro Oeste do Paraná), com sede em Laranjeiras do sul e que disponibiliza atendimento para oito municípios da região e o Comsus (Programa Estadual de Apoio aos Consórcios Intermunicipais de Saúde).

Márcio Brunsfeld de Oliveira está há três anos no cargo como Diretor da 5ª Regional de Saúde de Guarapuava

Segundo Diretor da 5ª Regional de Saúde, os investimentos que estão sendo aplicados na área vão beneficiar os habitantes da região de Guarapuava. “Com as novas estruturas (Hospital Regional e Centro de Especialidades) e o Curso de Medicina e demais cursos na área da saúde consolidados, vão atrair novos médicos e serviços de apoio à assistência à saúde. Em um futuro próximo teremos um aumento do número de médicos nos vinte municípios de nossa região”.

A cidade também conta com uma das melhores estruturas de Unidades Básicas de Saúde (UBS), do Estado. Num modelo de gestão automatizada, com o “Fala Saúde”, todo informatizado, o sistema é integrado via internet, onde a população pode acompanhar em quais unidades básicas conta com atendimento médico presencial e emergencial, número de pessoas na fila de espera, em tempo integral. “O Fala Saúde foi criado para ampliar essa comunicação no município. Sem medo da interação e da avaliação dos usuários da saúde, o aplicativo traz mais transparência e qualidade aos serviços prestados”, afirma o prefeito Cesar Silvestri Filho.

Mercado de trabalho

Com uma população de 11,3 milhões de habitantes, o Paraná tem 23.661 médicos, o que resulta numa proporção de 2,09 profissionais por mil habitantes. São 67,7% de especialistas para 32,3% generalistas, o que dá uma razão de 2,10 especialistas para cada generalista. Os homens são 59,4% dos profissionais e as mulheres, 40,6%. A idade média dos profissionais é de 44,1 anos, com um tempo de formação médio de 18,4 anos. A maioria dos médicos (58,9%) tem até 44 anos.

No Estado, a clínica médica concentra o maior número de especialistas (2.391), seguida pela pediatria (2.197), cirurgia geral (2.087), ginecologia e obstetrícia (1.746) e anestesiologia (1.619). As especialidades com menor número de especialistas são genética médica (13), medicina física e de reabilitação (21), radioterapia (42), patologia clínica (43), medicina esportiva (45).

Na capital paranaense, moram 1,9 milhão de curitibanos, que são atendidos por 10.867 médicos, o que dá uma razão de 5,69 profissionais por mil habitantes, sendo que a proporção de médicos morando na capital é de 45,9%, o que mostra uma boa distribuição desses profissionais pelo interior do estado. Dos médicos que moram em Curitiba, 53,1% são homens e 46,9%, mulheres. Os especialistas são 71,5% e os generalistas, 28,5% dos médicos que atendem na capital paranaense.

Controvérsias

Para os Conselhos de Medicina, os números apresentados confirmam o equívoco do Governo, que tem defendido o aumento da população de médicos como solução para resolver as dificuldades de acesso aos serviços de saúde no País. Pelos dados, esse crescimento, percebido em nível nacional nos últimos anos, não tem repercutido nas regiões mais distantes e menos desenvolvidas. Por outro lado, avaliam as entidades, a presença significativa de profissionais, como registrado em alguns estados e municípios, não tem sido suficiente para eliminar problemas graves de funcionamento da rede pública e de acesso aos serviços, decorrentes da falta de qualidade na gestão e da adoção de políticas públicas eficientes no setor.

Dados nacionais

Para uma população de 207,7 milhões de pessoas, o Brasil tem hoje 452,8 mil médicos, o que corresponde a 2,18 médicos por mil habitantes. Os homens são maioria nessa profissão, 55,1%, enquanto as mulheres são 44,9%. Em 2010, data de realização da primeira demografia médica, as mulheres eram 41% do conjunto de profissionais.

Em nível nacional, a clínica médica concentra o maior número de especialistas (42.728, o que corresponde a 11,2% do total), seguida pela pediatria (39.234, ou 10,3%), cirurgia geral (34.065, 8,9%), ginecologia e obstetrícia (30.415, 8%) e anestesiologia (23.021, 6%). A pesquisa não conseguiu localizar nenhum especialista em Emergência Médica, especialidade reconhecida recentemente e com poucos centros formadores.

Em seguida, a especialidade com o menor número de especialistas é genética médica (305, ou 0,1%), radioterapia (734), cirurgia de mão (791) e medicina de esporte (827), que correspondem, cada uma, a 0,2% dos especialistas. Vale destacar que clínica médica é pré-requisito para 12 especialidades e cirurgia geral para 10. A idade média dos médicos é 45 anos, sendo que a grande maioria (49,8%) está na faixa etária entre 30 a 49 anos. O tempo de formado é de 19 anos.

Regiões

Enquanto a média nacional é de 2,18 médicos por mil habitantes, na Região Norte ela é de 1,16. Para uma população de 17,9 milhões de habitantes, o que corresponde a 8,6% de brasileiros, trabalham nessa região, 20.884 médicos, o que dá 4,6% dos médicos brasileiros. O estado nortista com melhor proporção de médicos é o Tocantins, com 1,67 médicos por mil habitantes, já o menor é o Pará, com 0,97.

Em seguida como pior distribuição de médicos está a região Nordeste, com 1,41 médicos por mil habitantes. Moram na região 80.623 médicos (17,8% do total de profissionais), para atender 57,2 milhões de nordestinos (27,6% da população). O estado nordestino com melhor proporção de médicos é Pernambuco (1,73) e o menor é Maranhão (0,87).

A região Sul vem em seguida, com 2,31 médicos por mil habitantes. São 68.430 médicos (15,2%) para uma população de 29,6 milhões (14,3%). Não há muita diferença entre a melhor e a pior distribuição: a melhor distribuição é o Rio Grande do Sul, com 2,56, e o pior é o Paraná, com 2,09.

Puxado pelo Distrito Federal, que tem 4,35 médicos por mil habitantes, o Centro-Oeste é a segunda região com melhor distribuição: 2,36. Nessa região, moram 15,8 milhões de habitantes (7,6% da população), que são atendidos por 37.536 médicos (8,3% desses profissionais). A pior distribuição é em Mato Grosso, que tem 1,63 médicos por mil habitantes.

O Sudeste, que responde por 41,9% da população brasileira, com 86,9 milhões de habitantes, também concentra o número de médicos: são 244.304 profissionais, que representam 54,1% da comunidade médica, o que dá uma proporção de 2,81 médicos por habitantes. O melhor percentual é no Rio de Janeiro, 3,55, e o pior em Minas Gerais, 2,30.

Os dados constam da pesquisa Demografia Médica 2018, realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com o apoio institucional do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina de São Paulo. O levantamento, coordenado pelo professor Mário Scheffer, usou ainda bases de dados da Associação Médica Brasileira (AMB, Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Ministério da Educação (MEC).

Fonte: CRM-PR

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