Apae de Guarapuava promove ação para conscientizar a sociedade sobre o Dia Mundial do Autismo

FOTO: Noeli Almeida

A falta de características distintas dificulta o diagnóstico da síndrome

O dia 2 de abril é reconhecido como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a data foi instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas), no ano de 2008. A síndrome que se manifesta ainda na infância causa distúrbios de ordem neurológica em menor e maior grau, podem ser perceptíveis disfunções comunicativas, cognitivas e de interação social.  Embora muitas pesquisas tenham sido realizadas ao longo dos anos, pouco se conhece sobre as formas de tratamento.

Um estudo publicado pelo CDC (Center of Deseases Control and Prevention) , órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, revelou em 2017 que uma a cada cem crianças nasce com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).  Esse estudo mostrou um aumento no  número de casos de autismo em todo o mundo. Estimava-se que no Brasil existem 2 milhões de pessoas com  autismo.

Segundo a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a síndrome ainda não possui muitos esclarecimentos e há uma falta de detalhamento sobre os casos no Brasil . “De causas ainda pouco conhecidas, o autismo – ou os transtornos do espectro do autismo, como preferem os especialistas – inclui quadros tão variados quanto o autismo clássico, marcado por dificuldades severas de linguagem e de interação social, ou a síndrome de Asperger, na qual a inteligência é normal ou superior à média e a aquisição da linguagem se dá sem problemas, mas são comuns os gestos repetitivos e a falta de controle em movimentos delicados. Esses transtornos atingem cerca de 1% das crianças na Inglaterra e nos Estados Unidos – não há estudos detalhados sobre sua frequência no Brasil”.

Em Guarapuava, nesta segunda-feira (2) foi organizada  pela Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), uma ação que buscou informar a população sobre a síndrome. Diretora da Apae Guarapuava, Unidade Santa Cruz, Ivonete Marcantes, levar o tema para mais próximo das pessoas é importante para o esclarecimento da síndrome. “ O objetivo é a conscientização sobre o dia do autismo. A Apae tem alunos autistas  e nós iniciamos esse estudo durante a semana pedagógica no começo do ano. Os professores fizeram essa pauta para que no dia do autismo nós pudéssemos fazer essa movimentação com faixas, camisetas, com a participação dos professores, funcionários, alunos, famílias  e de toda a equipe da Apae”.

A instituição da cidade que atualmente atende trinta pessoas diagnosticadas com autismo, tem uma equipe multidisciplinar capacitada para desenvolver atividades individuais de acordo com a necessidade dos alunos, como explica a pedagoga da instituição, Carla Maria de Shipper. “A primeira coisa que a gente precisa fazer antes de iniciar um trabalho pedagógico é uma avaliação, a gente chama de avaliação diagnóstica que é realizada por uma equipe multidisciplinar para que aí a gente possa elaborar um plano de trabalho individualizado”.

A pedagoga ressalta que é importante criar mecanismos para estimular a comunicação do autista, considerando que essa é uma das características mais perceptíveis, a dificuldade do indivíduo em falar e exteriorizar sentimentos e pensamentos. “Nós temos que pensar atividades que estimulem essa comunicação alternativa, ou seja, não é uma comunicação convencional. Nós temos que nos preparar para que esse aluno tenha uma comunicação adaptada.”

As atividades passam por etapas e processos que atendem as necessidades dos alunos, todo esse cuidado contribui para a obtenção de um melhor resultado no desenvolvimento cognitivo da pessoa com autismo. “Nós realizamos atividades de estimulação das habilidades básicas para a alfabetização, em seguida nós vamos trabalhando desenvolvendo atividades comuns a todas as crianças no ensino fundamental com toda uma adaptação com materiais mais manipulativos e figuras para que esse aluno tenha acesso ao aspecto educacional como qualquer outra criança tem”, explica Carla.

Daiane Aparecida Borges é mãe de uma menina de oito anos e que há quatro foi diagnosticada com autismo, ter o conhecimento da síndrome facilitou com que ela pudesse compreender melhor as necessidades da filha. Para Daiane ações como a que foi promovida pela Apae tornam o assunto mais comum a comunidade possibilitando um maior entendimento. “Eu acho importante para a sociedade porque ainda tem muito preconceito. Eu mesma antes de ter a minha filha, não conhecia a Apae, não sabia do projeto”.

Dados que indicam a presença de traços autistas ou de outros problemas que podem ser percebidos no ambiente familiar ou escolar

FONTE: Cartilha Direito das Pessoas com Autismo

-O relacionamento com outras pessoas pode não despertar seu interesse;

– Age como se não escutasse (ex. não responde ao chamado do próprio nome);

  • O contato visual com outras pessoas é ausente ou pouco freqüente;
  • A fala é usada com dificuldade, ou pode não ser usada;
  • Tem dificuldade em compreender o que lhe é dito e também de se fazer compreender;
  • Palavras ou frases podem ser repetidas no lugar da linguagem comum (ecolalia);
  • Colo, afagos ou outros tipos de contato físico podem ser evitados;
  • O que acontece a sua volta pode não despertar seu interesse;
  • Pode se apegar a determinados objetos;
  • Crises de agressividade ou auto-agressividade podem acontecer.

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