Dólar em alta nem sempre significa mais dinheiro no bolso

Inimaginável. Era assim que, no início do ano, exportadores, importadores, viajantes em geral, avaliavam a possibilidade de que o dólar pudesse superar a casa dos R$ 3,00. Nem bem passamos a metade do ano e a moeda americana está bem próxima dos R$ 4,00 e ninguém mais consegue fazer uma projeção realística sobre se vai subir ou descer de cotação.

De um lado, alegria. Alguns exportadores estão vendo seus produtos mais competitivos no mercado externo e comemoram a alta nas vendas. Saem mais produtos e entram mais reais na conta de cada um, porque vender um produto a US$ 1 e receber R$ 2 é uma coisa, mas vender o mesmo produto por US$ 1 e receber R$ 4 é bem diferente.

Guarapuava não é um município que se caracterize pela exportação. À exceção dos produtos agrícolas (soja e cevada basicamente) a produção industrial se resume a alguma coisa que ainda envolve madeira, que já foi um dos sustentáculos da economia local.

Quanto ao turismo, a única agência da CVC local ressalta não sentir queda na venda dos pacotes internacionais. “Claro que queríamos mais, porém nossas cotas estão sendo cumpridas”, diz o franqueado Douglas Vieira. Segundo ele, o cidadão não está deixando de viajar. Talvez até reduza  o tempo que ficaria numa cidade européia ou americana, mas continua viajando. O que mais tem saído, porém, são os cruzeiros marítimos, pela orla brasileira. Em reais, claro.

Bom, mas nem tanto

À primeira vista, a alta do dólar tem impacto totalmente positivo nas exportações. Depende. Segundo o produtor rural Anton Gora, vice-presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, é preciso ver que os insumos utilizados para o plantio da próxima safra também são cotados na moeda americana, aí o bicho pega

“Sem dúvida que está muito bom. Entram mais reais na conta da gente”, diz o produtor. Ele entregou toda a sua produção de cerca de 10 mil sacas na cooperativa e pegou uma cotação em torno de R$ 2,80 por dólar.

Indústria

O setor industrial é reticente ao analisar a atual situação por causa dos cenários envolvidos. Fabrício Ishimoto, da Repinho Reflorestadora de Madeira e Compensados Ltda diz que a empresa está há trinta anos no mercado exportador mas ele nunca viu uma situação como a de agora. “Não estamos felizes com o dólar a R$ 3,75 (na semana passada) porque isso provocou uma corrida ao mercado externo. Está havendo superoferta do nosso produto nos portos da Europa e dos Estados Unidos e a cada semana a cotação do compensado tem caído até US$ 5 por metro cúbico”, diz ele.

Paralelo a essa competição até certo ponto desenfreada, o setor também tem insumos cotados em dólar por serem oriundos do petróleo. É o caso da resina (cola) que tem um peso de até 15% na composição do preço final. Aliado a isso, outros custos também estão pesando e não tem como fugir deles. Caso da energia elétrica que simplesmente dobrou de preço; do combustível, do pedágio, dos salários, etc, etc…

O importador americano ou europeu também não está feliz, principalmente por não estar acostumado com essa instabilidade de valores. Pode comprar hoje de um exportador e encontrar, na semana seguinte, o mesmo produto por preço até US$ 10 mais barato. “Para que estivéssemos felizes precisaríamos de maior estabilidade, da moeda e da economia brasileira”, ressalta Fabrício. “Essa volatilidade é que acaba com a gente”,conclui ele.

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