Banco suíço denuncia Cunha

Está ficando cada vez mais complicada a situação do deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal.  O próprio banco suíço onde foram encontradas contas secretas no nome do deputado e de vários familiares dele, o denunciou por “lavagem de dinheiro”.

Segundo informações publicadas na edição de hoje (01/10) do jornal O Estado de São Paulo, a Justiça da Suíça vem investigando desde março de 2014 pagamentos relacionados à Petrobras e depositados em contas daquele país, conhecido como “paraíso fiscal” até bem pouco tempo, pela manutenção em segredo de quem possuía conta nos bancos locais e de onde vinha o dinheiro depositado.

Sob pressão, os bancos foram solicitados a entregar relação de nomes suspeitos e até agora, cerca de 300 já foram relacionados. As contas foram identificadas e bloqueadas. No caso de Cunha, a confirmação foi feita pelo próprio banco, mas o nome da instituição não foi revelado. O banco também encontrou “disparidades” entre a renda declarada do deputado e os valores transferidos, além de registrar que parte dos depósitos vinha de contas que já estavam sendo rastreadas.

Impacto

As autoridades suíças alertaram que o “caso Petrobrás” teve um importante impacto na praça financeira do país e revelou a fragilidade dos controles dos bancos em identificar a origem do dinheiro. E indicaram que decidiram transferir a investigação sobre o caso para o Brasil, sob a justificativa de que não faria sentido manter a ação diante da impossibilidade de pedir a extradição do brasileiro. Porém, insiste que a meta da transferência do caso é a de permitir que o deputado seja investigado e julgado no Brasil.

Outros nomes conhecidos dos brasileiros estão na relação dos suíços. É o caso dos lobistas Fernando “Baiano” Soares e João Augusto Henriques, ambos apontados como operadores do PMDB no esquema na estatal petrolífera.

Cunha ainda está sendo investigado na Suíça por corrupção e lavagem de dinheiro. Obras na África teriam alimentado a conta, segundo a suspeita da Justiça. No total, a Suíça anunciou a existência de US$ 400 milhões bloqueados em mais de 300 contas do país. Mais de US$ 150 milhões já estão autorizados a retornar ao Brasil. No caso de Cunha, porém, o dinheiro bloqueado será devolvido apenas se o deputado aceitar sua entrega aos cofres públicos brasileiros ou se for condenado em última instância no País.

delação

Condenado na Operação Lava Jato, Fernando Baiano fechou acordo de delação premiada e confirmou o relato de outro lobista, Julio Camargo, de que o presidente da Câmara teria recebido propina de pelo menos US$ 5 milhões por contratos de aluguel de navios-sonda pela Petrobrás. Cunha, que já foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção e lavagem de dinheiro, nega participação em irregularidades.

Outro fator importante no processo foi a investigação aberta também na Suíça contra o ex-gerente da área Internacional da Petrobrás Eduardo Musa, novo delator da Operação Lava Jato e que também citou o presidente da Câmara. Seus ativos já foram bloqueados e procuradores tentam traçar o destino e origem do dinheiro que alimentou suas contas.

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