Comunidade angustiada de ter como vizinho o Cadeião

Autoridades, Judiciário, representantes políticos e a sociedade organizada estão em campanha pela desativação da Cadeia Pública

Fugas e rebeliões vêm tirando o sossego de moradores na área central de Guarapuava. Conhecido como Cadeião, o espaço abriga atualmente cerca de 360 presos, para uma capacidade de 140 aglutinados. Falando com exclusividade para este impresso, o delegado, Rubens Miranda Junior comentou que nos mais de dois anos, atuando na cidade, já foram várias fugas de presos e inúmeras tentativas que foram frustradas pela equipe de trabalho. “Não é nossa obrigação ficar 24 horas cuidando de presos. Imagina! O policial que prende, que muitas vezes precisa fazer o uso de força para a imobilização do indivíduo é mesmo que tem que ficar cuidando do cidadão detido”, lamenta o delegado, salientando que atualmente são poucos os estados da federação, onde a Polícia Civil ainda tem a incumbência de cuidar de presos em cadeias públicas, entre eles o Paraná.

“Acredito que o empenho da secretaria de Segurança, do prefeito Cesar, de alguns parlamentares será fundamental para desativação do Cadeião”, reiterou, destacando que como cidadão jamais queria morar próximo a uma Cadeia Pública, e que queria morar sim próximo de uma Delegacia de Polícia. Na sua opinião, com a transferência dos presos para um outro local adequado será possível fazer o bom aproveitamento do espaço, com departamentos de narcóticos, divisão de homicídios, centro de capacitação e Delegacia da Mulher.

 

14ª Sub- divisão policial

O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Julio Cesar dos Reis garantiu para comunidade guarapuavana que os recursos estão assegurados pela secretaria de Segurança Pública do Estado e que um novo local já teria sido escolhido próximo a cidade. O prefeito Cesar Silvestri Filho salientou que o Cadeião está localizado numa região central da cidade, próximo de escolas e unidades de saúde, além de ser perigoso para a população. “Precisamos encontrar uma solução. Este é um compromisso que assumimos com a população e para isso estamos buscando recursos, que viabilize o projeto, num todo”, comenta Cesar Filho.

 

Comunidade fala

O presidente do Conselho de Segurança (Conseg), Carlos Sergio Annes disse que a prefeitura fez a doação do terreno ao lado da PIC e deverá doar o projeto arquitetônico. “Até o momento não existe verba orçamentária garantida para a obra. Infelizmente já são 20 anos de mobilização e a dependência que a classe política faça a diferença nesta questão”, alerta Carlos Sergio, observando que não basta ficar reformando as atuais estruturas, se faz necessário a construção de uma unidade nova para abrigar presos provisórios. “Por isso, a importância da mobilização do Poder Judiciário, Ministério Público, Acig, imprensa, Maçonaria e outras agremiações”, frisou.

Morando há mais de 20 anos no bairro Batel, a dona de casa, Nanci Gonçalves dos Santos relatou a reportagem que já presenciou inúmeras cenas de fugas, tiroteios e de moradores sendo feitos reféns. “Até tentamos vender nossa casa algumas vezes, mas quando comentamos que é próxima ao Cadeião os interessados desistem do negócio. A cadeia tem desvalorizado o bairro e os imóveis”, afirmou a moradora. Tese defendida pelo contabilista, Vinicius Milton de Oliveira, que também teria assistido o corre-corre de presos e polícia. “Quando ocorre as fugas o único recurso é fechar as portas e se esconder. Isso causa prejuízos, porque muitas vezes a rua é fechada por algum tempo e também porque atrai muitos curiosos”, conta Vinicius.

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