Assédio Sexual

Um problema social e milenar que ainda assombra as mulheres do nosso século

Caminhar pela rua sozinha, e ter medo de ser violentada. Andar no ônibus e ser “encoxada” por um homem desconhecido que aproveita o movimento do coletivo, para desrespeitar o corpo das mulheres. Ouvir palavras de baixo calão tidas muitas vezes como elogios, e não poder dizer nada porque quase sempre “você precisa ser gentil”.

Situações estas, que milhares de mulheres enfrentam todos os dias. Em uma sociedade patriarcal forjada nos preceitos machistas e aniquiladores, que colocam a mulher como puro objeto de satisfação e reprodução. Mas, nos últimos tempos a mulher vem tentando quebrar esses paradigmas.

Para começar, vamos falar de assédio sexual. Você sabe mesmo o que é isso?

O assédio sexual inclui qualquer comportamento sexual indesejado — por exemplo, tocar ou até mesmo fazer comentários de conotação sexual. Mas às vezes há quem diga que “pode ser difícil perceber a diferença” entre brincadeira, flerte e assédio sexual.

Você sabe a diferença entre os três?

Flerte faz parte do jogo de uma conquista e sedução. Duas pessoas podendo ser do mesmo sexo ou não, estão a fim de “algo a mais”, e então começam a desenvolver conversas, e tomar ações que facilitem o caminho para o sexo. Neste caso há consentimento das duas partes.

Brincadeira é quando dois amigos, namorados ou parceiros (a) íntimos trocam entre si piadas internas sobre determinado assunto que envolva sexo, ou diga respeito a ambos os corpos. Também há consentimento das duas ou mais partes.

Assédio é quando uma pessoa, seja ela sexo do masculino ou feminino, tem atitudes constrangedoras, que envolvam o sentido sexual em relação a outro indivíduo. Como falamos no início do texto, pode ser desde um toque, um olhar, uma mensagem, uma palavra, uma conversa que pode constranger o outro. Neste caso NÃO HÁ CONSENTIMENTO DAS DUAS PARTES.

Casos

Esta é a maior prova do assédio. Se um dos dois não gostam, não permitem então é assédio sim, e isso é crime, e daqueles bem feios. Em Guarapuava, um caso tomou as páginas de redes sociais nesta semana. A estudante Mayara de Lima, foi assediada dentro do ônibus, enquanto voltava para casa.

“Fui vítima de uma tentativa de estupro dentro do ônibus. Esse tarado mostrou os genitais e tentou me segurar na hora em que fui pedir socorro. Isso pode acontecer com qualquer mulher, de qualquer idade e em qualquer lugar, portanto divulguem, esse rosto deve ficar marcado, conhecido, pois na delegacia constou cerca de 20 processos pelo mesmo motivo e ele ainda continua impune! Estou muito nervosa, revoltada e triste com essa situação, quando teremos nossa segurança adequada? Quando poderemos sair de casa sem nos preocupar se seremos violentadas por um ser desse aí ?” dizia o relato da jovem em grupo do Facebook, seguido da foto do assediador.

A postagem  teve cerca de 3.500 curtidas, 1.500 comentários e mais 100 compartilhamentos. A questão é: porque mesmo com tanta gente falando, e propagando ideias de defesa em relação às mulheres sobre o assunto, casos de estupro, violência sexual, e assédio, continuam acontecendo?

O caso de Mayara foi um assédio de forma muito direta, mas há outras formas camufladas de assediar alguém. No ambiente de trabalho, na escola, faculdade, na rua, em qualquer lugar, as mulheres correm o risco de passar por situações constrangedoras por parte de homens, que não percebem que assédio é coisa séria.

“Eu estava caminhando na rua, com uma amiga. Era cerca de seis da tarde. Passou um cara de carro e disse, não acredito que vocês vão andar tudo isto sozinhas, entrem no meu carro que eu levo vocês pra onde quiserem. Ficamos constrangidas, pois nunca vimos ele na vida. Só porque somos mulher, não quer dizer que tenha o direito de passar de carro e dizer o que bem entende”, enfatiza Andreia Luize Soares, vítima de assédio na rua.

Saber como agir em caso de assédio é fundamental. O primeiro passo é reconhecer que é um assédio, tudo o que for contra a vontade própria do indivíduo (a) é assédio, a partir do momento que passa a agir contra a vontade é assédio. Não importa se são casados, namorados, ficantes ou se decidiram se beijar agora, forçou a situação, agiu de forma a constranger, obrigar ou insinuar o sexo contra a vontade de alguém é assédio e pode ser até uma tentativa de estupro. Denuncie!

 

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